Candidatura de Serra é 'inacreditável', diz Feldman
O deputado federal pelo PSB citou que tudo mudou de maneira repentina na coligação
Eleições 2014|Do R7

O deputado federal pelo PSB de São Paulo, do grupo da Rede de Marina Silva, Walter Feldman, avaliou como "inacreditável" a decisão tomada de madrugada pelo PSDB de lançar a candidatura de José Serra ao Senado.
— Estava tudo caminhando para um lado, de repente vai para outro. A aliança de Serra com José Aníbal é algo inacreditável.
Segundo Feldman, tanto a Rede, abrigada no PSB - que terá o vice Márcio França na chapa do governador Geraldo Alckmin — como outros partidos coligados ao PSDB em São Paulo foram pegos de surpresa pela decisão.
— Não se imaginava (que Serra poderia sair ao Senado), foi uma coisa estranha, na linha do vale tudo.
No início da madrugada, o PSDB de São Paulo decidiu que o ex-governador José Serra seria o candidato da coligação ao Senado, com o deputado José Aníbal, que também postulava a vaga, como primeiro suplente. Nos últimos anos, Serra e Aníbal viveram divergências internas no PSDB e chegaram a trocar farpas quando Serra foi o indicado do partido para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012.
Ainda de acordo com Feldman, os partidos coligados esperavam que a reunião do diretório paulista do PSDB na noite desta segunda-feira, 30, fosse para anunciar a liberação de candidaturas independentes ao Senado. Apoiados em uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 2010, que ainda precisaria ser revalidada caso a caso no pleito deste ano, partidos coligados para as disputas estaduais majoritárias poderiam lançar independentemente, cada um, seus nomes para disputar a vaga de senador.
Feldman disse ter conversado com França na manhã desta terça-feira (1º) que também demonstrou surpresa com a decisão do PSDB. Ele avalia, contudo, que a articulação dentro da chapa de Alckmin já estava sendo organizada há algum tempo.
— Seguramente o governador estava articulando.
Com relação a um possível prejuízo à estratégia da Rede em São Paulo para a campanha estadual e nacional, Feldman minimizou. Ele admitiu, no entanto, que houve uma perda para a Rede ao não poder sair com um nome para o Senado, o que seria interessante dada a característica independente, fora do círculo de apoio a Alckmin, e serviria de palanque para Marina fazer campanha no maior colégio eleitoral do País.
— [A candidatura ao Senado] seria uma estrutura boa de apoio à campanha nacional da Rede, mas não uma estrutura fundamental. A experiência da Marina de 2010 mostra que é perfeitamente possível fazer campanha sem a ideia da velha política de que se precisa ter palanque e tempo. Não faremos amputação da campanha em São Paulo por causa disso.
Vice na chapa de Eduardo Campos (PSB) à Presidência, Marina Silva desaprova a aliança do PSB-SP com Alckmin. Em diversas ocasiões, ela repetiu a independência dela e da Rede de se posicionarem de forma diferente do PSB nos Estados e que não fará campanha ao lado dos tucanos.




