Coordenador de programa de Aécio diz que vota em deputados do PSOL
José Junior, do Afroreggae, é o responsável pela parte de juventude do programa tucano
Eleições 2014|Filippo Cecilio, do R7

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fará nesta sexta- feira (25) uma visita à favela de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. No roteiro estão uma visita ao centro cultural Wally Salomão, uma passada pelas ruas da favela e um almoço na pensão do Chupetinha. Será a primeira visita oficial do candidato tucano a uma favela brasileira.
Ao seu lado, ciceroneando a jornada, estará José Junior, coordenador do Afroreggae e responsável pela área de juventude do programa de governo do PSDB. Antes disso, Júnior falou com o R7 para explicar sua participação na campanha tucana.
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Entre outros temas, explicou que está criando um fórum que reúne empreendedores sociais para identificar as melhores experiências do terceiro setor e transformar em políticas públicas de um eventual governo Aécio. E também falou que vota no PSOL.
R7: Desde quando você conhece Aécio e o que o levou a se juntar ele?
José Junior - Eu o conheci em 2004, quando criamos [o Afroreggae] o projeto “juventude e polícia”. Era um projeto que tínhamos em Minas Gerais. Em agosto agora fará exatamente dez anos que conheci Aécio. Já conversamos muito, trocamos muitas ideias. Ano passado, quando houve aquele problema [José Júnior foi ameaçado de morte], ele se manifestou no Congresso em meu favor. Temos uma realização muito próxima.
R7: Qual será seu papel na campanha?
JJ: Quando Aécio convida uma pessoa como eu, está mostrando que quer priorizar os jovens, negros, a favela e a periferia. Tenho até 15 de agosto, junto com uma equipe, para criar o programa de governo sobre juventude. Não sou do PSDB nem de partido nenhum. O que vou dizer não é discurso partidário, mas, de dez anos para cá, o número de assassinatos de jovens e negros de periferia são números de genocídio. Então vamos fazer um trabalho muito focado nesse tema.
Queremos desenvolver muitas ações usando projetos de referência de algumas ONGs. São projetos interessantes, de pessoas que não precisam necessariamente fazer campanha para o Aécio, mas que a metodologia nos interessa. São projetos que, se o Aécio tiver a felicidade de se tornar presidente da República, serão incorporados na gestão. Para falar a verdade, nada do que vamos propor não existe. Quando Aécio me convidou eu disse que não ia inventar nada, mas que pegaria iniciativas incríveis que existem e daria o crédito, inclusive.
R7: É a primeira vez que você apoia um candidato?
JJ:Já fui convidado para várias coisas e nunca aceitei. É minha primeira experiência nesse sentido. Quando o Aécio me convida, ele está me convidando para fazer aquilo que eu sei e lidar com o público que eu lido. Até agora só falei com quem eu já tivesse acesso.
R7: O PSDB historicamente tem dificuldade para dialogar com esse público que você trabalha. Como vencer essa barreira?
JJ: O PSDB tem dificuldade em lidar com esse público, mas eu não tenho. Estou o tempo todo com a juventude, a periferia, o terceiro setor. São áreas a que eu tenho acesso. Eu achei até que ia ter mais dificuldade, justamente por esse perfil [do PSDB]. Mas todo mundo que eu convidei está vindo. Mas também porque as pessoas confiam em mim.
Aécio é um cara jovem, novo, foi um bom governador de Minas Gerais.
R7: A partir da convivência que você tem com esses setores da sociedade, que análise faz dessa resistência que o PSDB enfrenta?
JJ:Acho que passa pela linguagem. Eu não sou do PSDB. Não me filiei e não vou me filiar a partido nenhum. Só para você saber, os deputados em que eu voto são do PSOL. Eu voto no Marcelo Freixo e no Jean Wyllys. Estou nessa com o Aécio. Já fui convidado para ser secretário municipal, estadual e até ministro. E não quis.
Há dez anos, eu era visto como bandido. A polícia me via como bandido. Quem quebrou esse paradigma foi o governo de Minas e o Aécio. Tenho uma dívida com ele. Minha vida mudou depois disso. Mas o PSDB tem sua responsabilidade. Acho que essa campanha do Aécio vai desmistificar uma porrada de coisas. Várias pessoas que historicamente tem perfil mais próximo a outros partidos estão se juntando. É o meu caso, por exemplo. Ninguém poderia imaginar que eu estaria aqui. As coisas estão mudando.




