Dilma diz que seu governo não varreu corrupção para debaixo do tapete
Principais candidatos à Presidência não se enfrentaram no terceiro debate destas eleições
Eleições 2014|Do R7

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, defendeu na noite desta terça-feira (16) a posição que seu governo adotou diante de denúncias de corrupção. Em debate com outros sete presidenciáveis, a petista afirmou que fortaleceu órgãos de investigação e não varreu as denúncias para debaixo do tapete.
— No caso da Petrobras, eu quero lembrar ao candidato Aécio [Neves] que quem investigou e descobriu todos os crimes de corrupção foi um integrante do governo, ou seja, a PF (Polícia Federal). Não é fácil descobrir um esquema daquele tamanho, na medida em que envolve a PF, o MP (Ministério Público) e o Judiciário. Nós fortalecemos a PF, criamos o Portal da Transparência, nomeamos o MP de acordo com lista tríplice a nós apresentadas. Nunca escolhemos “engavetador geral da República”.
As declarações foram dadas após a candidata ter um pedido de resposta aceito pelos organizadores do debate. Ela alegou que se sentiu ofendida diante de acusações feitas por Aécio Neves (PSDB) durante embate com o candidato do PSC, Pastor Everaldo. O tucano responsabilizou o PT pelo suposto esquema de corrupção na Petrobras que é investigado pela Polícia Federal.
— Os brasileiros estão envergonhados, indignados com aquilo que vêm acontecendo com a nossa mais importante empresa pública, submetida à sanha de um grupo político que, para se manter no poder, permitiu que um vale tudo fosse feito na nossa maior empresa.
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As discussões em torno do escândalo da Petrobras foram o momento mais quente do debate, marcado por declarações propositivas. Os três principais candidatos, Dilma, Aécio e Marina Silva (PSB), não tiveram oportunidade de fazer perguntas uns aos outros.
Logo após as declarações de Aécio sobre o PT, Luciana Genro (PSOL) questionou o tucano sobre denúncias de corrupção dentro do PSDB.
— O senhor fala como se no governo do PSDB nunca tivesse havido corrupção. Quando nós sabemos que o PSDB foi o precursor do mensalão, com o seu correligionário e conterrâneo Eduardo Azeredo. O PT deu continuidade a essa prática de aparelhamento do Estado que o PSDB já havia implementado no governo do Fernando Henrique Cardoso (PSDB) [...] Então o senhor, candidato Aécio, falando do PT é como o sujo falando do mal lavado.
O tucano respondeu que Luciana havia voltado às origens “atuando como linha auxiliar ao PT” e também teve direito de resposta concedido, mas disse que não gastaria seu tempo com acusações irresponsáveis e levianas.
Marina
Segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto, a candidata Marina Silva não teve que responder a perguntas embaraçosas. Ela conseguiu expor suas propostas para as áreas de saneamento, política para juventude e reforma agrária, quando fez críticas à gestão de Dilma Rousseff.
— Lamentavelmente, no atual governo, nós temos uma situação de completo descaso para com esse dilema dos assentados. No nosso governo, queremos assentar 85 mil, queremos quase 1 milhão de famílias que vivem de agricultura subsistência possam ter acesso ao crédito à assistência técnica. Nós vamos priorizar os agricultores familiares para que a reforma agrária possa se constituir em um meio de vida digna. Hoje a reforma agrária está abandonada a sua própria sorte se compararmos a governos anteriores.
Marina também conseguiu criticar as denúncias na Petrobras e reafirmar que não vai acabar com os programas de assistência social criados nas gestões do PT, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.




