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Eleições 2014

Empresas citadas na Lava Jato doaram R$ 24,3 milhões para campanhas eleitorais

Dados foram obtidos após divulgação do Tribunal Superior Eleitoral

Eleições 2014|Do R7

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Operação Lava Jato investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro obtido em diversos tipos de crimes
Operação Lava Jato investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro obtido em diversos tipos de crimes

As empresas citadas ou envolvidas durante as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, doaram R$ 24,3 milhões a candidatos e partidos políticos, segundo levantamento feito a partir de dados divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A primeira prestação de contas, divulgada na semana passada no site do TSE, mostra que quatro empresas que já tiveram ou mantêm contratos com a Petrobras fizeram contribuições no primeiro mês de campanha. Nenhuma doou para as campanhas dos titulares da CPI mista da Petrobras que disputam cargos eletivos.


No fim de maio, foi revelada a existência de um acordo entre integrantes da base aliada e da oposição para blindar os fornecedores da Petrobras de serem alvo de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico.

A suspeita é de que algumas empresas, incluindo as maiores empreiteiras do País, teriam abastecido ilegalmente um esquema de desvio de recursos da Petrobras montado pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, presos pela operação da PF.


O acórdão da CPI mista foi materializado em 16 de julho, quando nenhuma delas teve seus sigilos quebrados em sessão de votação de requerimentos. O receio dos parlamentares era o de que, se as investigações da comissão contra as empresas fossem aprofundadas, elas se recusariam a se tornar doadoras de campanhas.

Segundo o levantamento no site do TSE, o maior contribuinte individual foi a OAS Construtora, com R$ 12,1 milhões. A investigação da PF identificou que a construtora fez pagamentos à MO Consultoria, empresa que teve seu sigilo quebrado pela CPI mista e que seria firma de fachada do doleiro Youssef.


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Anotações

A UTC Engenharia, que deu R$ 10,1 milhões a campanhas, e a Engevix, R$ 50 mil, foram mencionadas no caso pois o nome delas aparece no caderno de Paulo Roberto Costa. A Toyo Setal Empreendimentos fez uma única doação, de R$ 2 milhões. Planilha apreendida na Lava Jato sugeriria que o ex-diretor da estatal negociou com a Toyo e outras empresas doações eleitorais.

Nenhum dos 20 titulares da CPI mista que vão concorrer a cargos eletivos recebeu doações das empresas citadas ou envolvidas na operação da PF. Tampouco há repasses de atuais e ex-fornecedores da estatal. Segundo o TSE, os 14 deputados e os 6 senadores membros da CPI e candidatos já receberam em contribuições cerca de R$ 2,2 milhões ao todo.

O levantamento feito a partir da base de dados do TSE analisou apenas as doações feitas diretamente às campanhas dos candidatos. Há empresas que deram contribuições a direções partidárias. É o caso da Andrade Gutierrez — também mencionada no caderno de Costa. Embora não tenha doado diretamente a comitês de candidatos, ela repassou R$ 9 milhões a direções partidárias.

Em nota, a assessoria de imprensa da Andrade Gutierrez informou que todas as suas doações de campanha são feitas de acordo com a legislação eleitoral do País e que a empresa não é investigada pela Operação Lava Jato. "Nossos critérios para as doações são baseados em representatividade política".

Questionada sobre as investigações da PF, a assessoria de comunicação da OAS disse apenas que "todas as doações eleitorais realizadas pela empresa são feitas nas formas previstas em lei".

A UTC informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se pronunciará, e a Engevix afirmou que "todas as suas doações a partidos políticos são públicas e nos termos da legislação".

Na sexta-feira, a reportagem tentou contato com a Toyo Setal por telefone, mas ninguém atendeu.

A operação Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal, apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro paranaense Alberto Youssef. O esquema estaria envolvido com diversos tipos de crimes, como tráfico de drogas, sonegação de impostos, desvio de dinheiro público e corrupção de agentes político. 

A PF ainda investiga o grau de envolvimento entre o doleiro e figuras como o deputado federal André Vargas (sem partido), que viajou em um jatinho de Youssef, e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, que ganhou um carro de luxo do doleiro após ter se aposentado da estatal.

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