Marina diz estar sofrendo perseguição: “CPIs vasculham a minha vida”
Candidata questionou iniciativa do PT de pedir investigação do MP sobre suas rendas
Eleições 2014|Do R7, com Reuters
A candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, criticou nesta sexta-feira (5) o que considera ser uma “frente” contra sua candidatura formada por seus dois principais adversários: Dilma Rousseff, que tenta a reeleição pelo PT, e Aécio Neves, candidato do PSDB. Ela diz sofrer “uma verdadeira perseguição. Em todos os níveis tem CPIs vasculhando a minha vida”.
Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na quinta-feira (4) afirma que o PT deve pedir ao Ministério Público que investigue as declarações de renda da candidata do PSB para averiguar possível omissão de Marina sobre ganhos obtidos com palestras. Segundo a própria candidata, as palestras renderam um faturamento bruto de R$ 1,6 milhão em quase quatro anos.
Para a candidata, a criação desse factoide é uma atitude lamentável, “uma verdadeira perseguição, em todos os níveis tem CPIs vasculhando a minha vida, em todos os lugares, mas tenho a consciência livre e tranquila em relação aos meus dados, se a Receita quiser abrir, eu não tenho preocupação em relação a isso. Não tem irregularidade no fisco e nem uso de campanha. Tenho o direito de ter meu provimento pessoal”, disse Marina hoje em entrevista à rádio CBN.
— Uma coisa é o rendimento bruto. Depois você tem o líquido e tudo está declarado na Recita Federal.
Para a candidata, não apenas Dilma, mas Aécio também está agindo por “desespero” contra sua campanha. “O que está acontecendo é que há uma situação quase que de desespero por parte dos meus adversários”, disse.
— Querem manter tudo no controle entre a polarização PT-PSDB, porque eles se sentem muito confortáveis. É interessante que agora o governador Aécio, a presidente Dilma, eles dois fazem uma frente contra mim.
Aécio utilizou seu programa eleitoral na quinta-feira para reprisar o discurso sobre o que chama de contradições de Marina, afirmando que a ex-senadora muda de posições “ao sabor das circunstâncias”, citando, inclusive, sua passagem pelo PT e eventual "omissão" em relação ao escândalo do mensalão.
Dilma também tem utilizado o espaço obrigatório na TV aberta para criticar a adversária. Seu programa insinuou semelhanças entre Marina e os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello — que não concluíram seus mandatos — para questionar a governabilidade da ambientalista caso seja eleita.
Fontes de energia
A presidenciável aproveitou a entrevista para criticar o que qualifica como “falta de planejamento estratégico e investimentos em novas fontes de geração de energia” na gestão petista do setor elétrico brasileiro.
Questionada sobre acusações de que a atual baixa oferta de energia hídrica deve-se em parte à sua atuação como ministra do Meio Ambiente durante governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando teria privilegiado as chamadas usinas de fio d’água em detrimento das hidrelétricas a partir de grandes reservatórios, Marina lembrou que estava à frente da pasta quando foram concedidas as licenças prévias para as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
— O setor elétrico é responsabilidade dela [Dilma] há 12 anos, como ministra [de Minas e Energia], como chefe da Casa Civil, como presidente da República. Ela esteve nos espaços de poder mais importantes para a agenda de energia. Como podem dizer que a responsável pelos problemas que tem no setor elétrico é uma pessoa que saiu do governo desde 2008?
Para a candidata, que foi ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008, "o problema é que nós temos uma situação em que a falta de visão estratégica está nos levando a poucas fontes de geração”.
— E quando não tem as chuvas, que não é culpa de ninguém, aí a gente fica na dependência apenas das termelétricas tradicionais.




