Ministérios são comandados por “pessoas anônimas”, diz Marina Silva
Candidata do PSB lançou críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff
Eleições 2014|Diego Junqueira, do R7

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, repetiu nesta segunda-feira (15) o roteiro das últimas semanas e se manteve na defensiva contra o que chamou de “batalhão de Golias”. Apesar de reafirmar sua intenção de manter o “debate político", Marina disse que “anônimos” comandam alguns ministérios em Brasília e que o atual ministro de Minas e Energia não tem "legitimidade".
Durante encontro com personalidades e trabalhadores do setor cultural, em São Paulo, a ex-ministra do Meio Ambiente reafirmou seus desejos de renovar o jeito de fazer política no Brasil, com alianças políticas em torno de um programa de governo e não apenas pela governabilidade — ideia da qual lança mão com frequência para criticar as gestões de PT e PSDB à fente do governo federal.
Marina afirmou que os ministérios devem ser comandados por pessoas “que compreendam o que é o papel" de cada pasta.
— Hoje, infelizmente, a gente tem um governo em que a maioria dos ministérios parece que são pessoas anônimas. Eu digo a maioria porque não quero ser injusta com aqueles que a gente sabe que estão ali ocupando um lugar legítimo, mesmo que a gente possa discordar. Mas eu não consigo ver legitimidade no nosso ministro de Minas e Energia [Edison Lobão], a não ser o fato de ele ser indicado pelo [senador José] Sarney.
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Ambos do PMDB, Lobão e Sarney já foram criticados mais de uma vez pela candidata durante essas eleições. Segundo Marina, o PT usa o PMDB — principal partido da base aliada — para conseguir apio no congresso em troca de cargos na adminstração federal.
A candidata voltou a atacar o governo também por causa da gestão na Petrobras. Segundo ela, "tem muita gente fazendo arte na política, mas naquele outro sentido".
— A arte de acabar com a Petrobras, no mal sentido. A arte de pegar uns pedaços do Estado para ter governabilidade com base na distribuição dos pedaços do Estado.

Alvo de críticas do PT e da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição — que atacam, sobretudo, sua proposta de autonomia do Banco Central e o esquecimento do pré-sal em seu programa de governo —, a pessebista afirmou que está em "uma jornada contra uma estrutura muito poderosa no País".
— Não é nem uma luta de Davi contra Golias. É um Davi contra um batalhão de Golias com artilharia pesada. Porque chegar no interior da Bahia e ouvir “Vai acabar com Mais Médicos”, “Vai acabar com Minha Casa Minha Vida”, “Vai acabar com Bolsa Família”, “Vai acabar com pré-sal”, vocês acham que isso é um ser humano? Só se for um exterminador do futuro.
A candidata voltou a reclamar das "mentiras e boatos" das quais, segundo ela, vem sendo alvo, lembrando figuras como a do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, e o defensor dos direitos civis norte-americano Martin Luther King, que resistiram na história, apesar de “seus algozes”.
Marina afirmou que quer "fazer um debate político, e não um embate", acrescentando que não irá lançar ataques contra a presidente.
— Não vou fazer com ela o que ela está fazendo comigo. [...] Mesmo que essas mentiras me reduzam a pó, minha história não vai mudar.




