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Eleições 2014

"Não sou ruralista, mas teria muita honra em ser", diz vice de Marina

Beto Albuquerque falou que o agronegócio "precisa ser mais respeitado"

Eleições 2014|Do R7

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Albuquerque dá entrevistas antes de debate promovido pela CNBB
Albuquerque dá entrevistas antes de debate promovido pela CNBB

O vice na chapa de Marina Silva (PSB) à Presidência da República, Beto Albuquerque, defendeu nesta quarta-feira (17) que o agronegócio no Brasil "precisa ser tratado com respeito, mais apoiado e menos atacado".

Ao participar de uma entrevista no jornal Estado de S. Paulo, Albuquerque disse que o Ministério da Agricultura foi esvaziado politicamente e em termos orçamentários no atual governo, da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT.


— Um ministro da Agricultura não pode ficar um ano sem falar com a presidente.

O vice de Marina também afirmou que a Embrapa foi fragilizada. Beto disse não ser ruralista, mas ressaltou que teria "muita honra" em ser. Afirmou que, em seu Estado de origem, o Rio Grande do Sul, as pessoas reconhecem a importância do agronegócio para a economia e para a vida dos brasileiros.


Sobre a polêmica envolvendo o uso dos índices de produtividade como critério para reforma agrária, ponto colocado no programa de governo da candidata, Beto afirmou que a terra tem que exercer sua função social. Mas disse que a ideia da sua plataforma é usar o índice para "premiar"e não para punir.

— O agricultor que não tiver produtividade vai ser desapropriado pelo mercado, não pelo governo.


Segundo Beto, o índice pode ser usado por exemplo como critério para fornecimento de crédito.

Questionado sobre a meta da candidata de assentar 85 mil famílias, Beto disse que o País não precisa mais dos "litígios do passado". Ele afirmou que a meta é possível, desde que tenha recurso destacado no orçamento.


Com relação ao receio do setor sobre a figura ambientalista de Marina, Beto argumentou ser algo que está se revertendo.

— Quando ouvem Marina falar, mudam de ideia. Ela não é a radical que se plantou.

Beto reforçou o argumento da campanha de que a sustentabilidade já foi incorporada pelo setor e de que é possível aumentar a produção por ganhos de produtividade em vez de crescimento da área plantada.

— Sustentabilidade e respeito aos direitos humanos estão no gene da sociedade.

O vice também reafirmou que a coligação de apoio a Marina já se comprometeu a não alterar o Código Florestal, que foi um projeto criticado pela candidata.

— Não há chance no nosso governo de reabrir discussão sobre Código Florestal.

"Lobão não entende nada"

Albuquerque criticou ainda o atual ministro de Minas e Energia, repetindo discurso de Marina. Ele disse ver "muita diferença" entre a indicação de Fernando Bezerra pelo então presidente do partido, Eduardo Campos, para ocupar o Ministério da Integração Nacional e a indicação do PMDB de Edison Lobão para ocupar o Ministério de Minas e Energia. 

— Lobão até hoje não entende nada de energia.

Ele argumentou ainda que, se Lobão entendesse de energia, não teria dado apoio à política da presidente Dilma para mudar os contratos de gestão das hidrelétricas, que causou tanta polêmica.

— Não é preciso entregar o governo ao PMDB para governar. Por que temos que pedir a Renan Calheiros que indique quem ocupará cargos?

Em relação ao setor de energia, Beto defendeu o que vem sendo colocado repetidas vezes por Marina, a diversificação da matriz. 

— O pior dos mundos para o Brasil é não ter energia suficiente para atender a demanda do crescimento que queremos.

Beto falou ainda da energia eólica e do uso gás natural. 

— O difícil no Brasil é quando as pessoas acham que estamos proibidos de usar algum tipo de energia. Não podemos ser proibidos de discutir outras fontes.

Pré-sal

Beto defendeu a exploração do pré-sal, que é um dos pontos centrais de crítica dos adversários, em especial da campanha à reeleição da presidente Dilma. 

"O Brasil tem no pré-sal uma das maiores alavancas para o seu desenvolvimento", disse, reafirmando mensagem que vem sendo usada por Marina para rebater o ataque de que o tema não é priorizado no programa de governo da chapa. 

— Quero reiterar aqui nossa inteira concordância com a exploração do pré-sal. Foi uma infâmia, de baixo nível, dizer que nós não executaríamos o pré-sal.

Segundo Beto, o pré-sal será importante também para prospecção de gás natural, que é outra fonte estratégica de energia. 

— Petrobras tem que conversar com todos os atores nessa área de gás para avançarmos nessa área no Brasil.

Adoção e casamento gay

Questionado sobre o tema de adoção por casais gays e casamento homossexual, Albuquerque respondeu dizendo que são assuntos "pacificados" nos tribunais brasileiros. "Se há criança abandonada, qual o problema?", questionou. Disse também que esses temas estão "pactuados" na chapa, sem oposição de Marina às posições.

— A orientação sexual de uma pessoa não pode torná-la mais ou menos importante. No programa de governo está reforçado o direito dessas pessoas.

Beto falou também ser favorável a uma precisão maior na legislação para punir discriminação por orientação sexual. "O instrumento legal pode ser melhorado", afirmou, sem, contudo, detalhar como isso poderia ser feito.

2º turno

Beto evitou falar sobre a agenda que terá na noite de hoje ao lado do governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB). Beto disse ter "respeito" pelo governador de São Paulo, mas se eximiu da organização do evento de hoje, dizendo que a agenda foi organizada pelo correligionário Márcio França, vice na chapa de Alckmin e tesoureiro da campanha nacional do PSB,

Albuquerque disse ainda ser cedo para discutir possíveis apoios num segundo turno. E repetiu a mensagem já colocada diversas vezes de "governar com os melhores" em eventual governo. 

— Os melhores que queremos são os que estão no banco de reservas.

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