Padilha volta a negar ligação com doleiro e ataca polícia de Alckmin
Ex-ministro da Saúde e pré-candidato ao governo de SP destacou a importância do Mais Médicos
Eleições 2014|Do R7

Entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (28), o ex-ministro da Saúde e pré-candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo, Alexandre Padilha, voltou a negar qualquer ligação com o doleiro Alberto Youssef, preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Padilha também criticou a política de segurança pública do Estado de São Paulo e destacou a importância do programa Mais Médicos.
Segundo grampo telefônico da investigação da PF, em conversa por mensagem com o doleiro, o deputado federal André Vargas (sem partido-PR) afirmou que Padilha teria indicado o executivo Marcus Cezar Ferreira de Moura para a indústria farmacêutica Labogen Química Fina e Biotecnologias – o laboratório é suspeito de ser usado com fachada para lavagem de dinheiro.
— Repudio fortemente em a citação de meu nome. O que há é um depoimento de terceiro, sem ligação com o Ministério de Saúde.
O petista afirmou que, ao saber da acusação, chamou a imprensa para esclarecer o caso e acrescentou que pretende questionar na Justiça todos que usaram seu nome em negociações investigadas pela PF.
— Meu advogado chega [nesta semana] a Brasília fazendo uma interpelação direta ao deputado André Vargas.
Padilha destacou que não houve fechamento do acordo com o Labogen, que previa o pagamento de R$ 31 milhões em cinco anos de contrato.
— Nunca teve e nunca existiria um contrato com laboratório privado.
Questionado se, alguma vez, desconfiou da conduta de Vargas na intermediação do negócio entre o Labogen e o Ministério da Saúde, Padilha disse que não porque não havia motivos para isso. O petista também explicou porque pediu votos para André Vargas nas eleições de 2010, quando foi eleito deputado federal.
— Nunca desconfiei de Vargas. [...] Até aquele momento [eleição de 2010], não havia nada que desabonasse o deputado. Até porque se tivesse algo que o desabonasse, ele não teria virado vice-presidente da Câmara dos Deputados, votado inclusive por partidos da oposição. Não era só eu que não tinha nada que o desabonasse, os deputados do PSDB que elegeram o André Vargas [...] também não tinham qualquer informação que o desabonasse.
Durante o programa, Padilha elogiou a Polícia Federal, que tornou públicas as ligações do doleiro Youssef com Vargas e o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, que também está preso.
O petista aproveitou ainda para fazer duras críticas à política de segurança do Estado de São Paulo. Segundo Padilha, o trabalho feito na PF será usado como exemplo para a polícia paulista caso ele seja eleito governador do Estado em 2014.
— Roubo, latrocínio e estupro são indicadores que subiram ano a ano no Estado de São Paulo. [...] Acabou de sair o dado aqui de São Paulo, com o aumento de roubos no primeiro trimestre. [...] Nós temos que parar de ficar comparando São Paulo com outros Estados do Brasil. São Paulo é um gigante, somos a 18a maior economia do mundo. O potencial que nós temos, nenhum dos outros Estados tem maior número de policiais. Ou seja, temos um potencial muito superior para reduzir roubo, homicídio, latrocínio, estupro.
Mais Médicos
Padilha também falou sobre sua principal bandeira quando foi ministro da Saúde do governo Dilma: o programa Mais Médicos. O petista disse que, sobre medicina, pensa que os médicos brasileiros atendam os mais pobres não só quando estão se formando para pegar o diploma, mas depois de a carreira estar consolidada, o que acontece com a grande maioria.
— Eram 50 milhões de brasileiros que não tinham médicos. [...] O programa Mais Médicos é um passo extremamente corajoso para iniciar outras mudanças na saúde do País. Uma das grandes mudanças que ele vai provocar é também o paradigma em relação ao atendimento humanizado, ao compromisso de atender os mais pobres depois de formado também.
Um dos jornalistas presentes, usou um dado de 286 hospitais ligados ao SUS fechados nos últimos cinco anos e a falta de investimento de R$ 17 bilhões em 2012 na área da saúde, dinheiro que estava previsto no orçamento da União. Padilha rebateu os dados e disse que vários dos hospitais fechados eram manicômios.
— Existiam manicômios nesse País, onde se faziam verdadeiras torturas. São mais de 14 mil leitos fechados no País eram manicômios. Nós temos que continuar ampliando hospitais. [...] O Ministério da Saúde pode confirmar esses números. [...] A cada UPA 24 horas que a gente cria, a gente tá abrindo 20 novos leitos. Foram mais de 300 UPAs que foram colocadas em funcionamento. Não estão classificadas como leito hospitalar, mas é um novo perfil de leito. Temos que entender que precisamos fazer uma mudança no perfil dos nossos hospitais.




