PPS desiste de esperar por Serra para 2014
Partido deve apoiar outro candidato oposicionista nas eleições do ano que vem
Eleições 2014|Mariana Londres, do R7, em Brasília, com Agência Estado

A um mês da data limite para as filiações dos candidatos aos partidos para disputar as eleições de 2014, o presidente nacional do PPS (Partido Popular Socialista), Roberto Freire, disse que o partido desistiu de esperar pela decisão de José Serra de deixar o PSDB e ingressar no PPS.
— Esperamos o Serra até agora. Ele disse que decidiria até o final de agosto. Não decidiu. Então, vamos debater outro caminho no campo da oposição. Vamos procurar candidatos viáveis eleitoralmente, e eles são Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva.
Freire participa da reunião da Executiva Nacional do partido, que acontece nesta quinta-feira (5) em Vitória (ES). A expectativa do PPS era que Serra tivesse tomado a sua decisão até hoje, mas como isso não aconteceu, o PPS parte para a discussão de um 'plano B'.
O partido discute o apoio a outros candidatos, como Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva, caso a opção de ter candidato próprio não se viabilize. Todas as possibilidades, no entanto, teriam que passar antes pela aprovação do partido.
— A única certeza que temos é que estaremos na oposição.
Antes da reunião da Executiva Nacional, Freire recebeu a reportagem do R7 em seu gabinete do sexto andar da Câmara dos Deputados. Falou da atuação da oposição no governo Dilma, a quem credita influência na indignação popular mostrada nas ruas nos protestos de junho. Analisou cenário da disputa 2014 e disse que o seu partido a quer propor uma ‘nova Política’ e uma ‘nova Economia’ para o Brasil.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
A vinda do Serra para o PPS está atrelada a 2014?
O PPS mantém as portas abertas a Serra mesmo que passe o prazo [para ser candidato à presidência em 2014]. A hora que ele desejar vir será muito bem vindo. Porque a vinda dele não é única e exclusivamente uma possível candidatura à presidente. O PPS entende que ele é um grande quadro político e que tem identidade com a nossa história.
E a questão da fusão do PPS com o PMN, que não aconteceu, existe outra possibilidade (de fusão)?
Não, até porque estamos vendo como foi precipitado o PMN desistir. Porque o Toffoli [ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli] está dando um parecer respondendo à consulta de que é um novo partido. Então se tivéssemos mantido estaríamos com a possibilidade de uma fusão com possibilidade de sermos um partido de médio porte, com certamente mais de 30, 40 deputados.
Existe então possiblidade de reatar com o PMN?
Não, até porque foi feito de uma forma que abdicávamos de certas coisas num primeiro momento. E só fizemos isso porque era algo importante. Mas depois a gente percebeu que não era uma cultura que se encaixasse bem. Não do ponto de vista político, porque o PMN tem uma boa postura. Mas do ponto de vista da organização.
Existe possibilidade de fusão do PPS com outro partido?
Não quero falar nisso, porque não quero influenciar nada. Mas se for aprovado o parecer da consulta do Toffoli você vai um grande movimento de fusões no Congresso, não nossa, mas geral dos partidos.
Quem seriam os nomes do PPS para candidatura própria ou apoios?
Fica ruim a gente ficar discutindo isso agora. Já saiu manchete que se não fosse Serra seria Eduardo Campos, mas não é bem isso. Quem vai decidir é o partido. A única certeza que temos é que vamos estar na oposição.
Mas nós não sabemos se Eduardo Campos é oposição...
Não, mas se ele for candidato ele será contra o governo.
Mas atualmente ele não é...
Sim, mas também nós não estamos decidindo agora. São as hipóteses. Não tem nada ainda decido. Nem no governo há definição. Temos a presidente da República que não sei se será candidata à reeleição. Se continuar esse desastre que está apresentando não sei se chega até lá.
O senhor acha então que existe uma similaridade de projetos do PPS com Eduardo Campos, que, aliás, é do seu Estado?
Sim, somos de lá. A história do PSB em Pernambuco, do Eduardo Campos, que veio do PMDB, não é de uma relação com o PT. Porque se fala de uma relação histórica com o PT. Não é nada disso. Em Pernambuco não tem isso, ao contrário. O PT fazia oposição. Então a história dele lá [Eduardo Campos] é muito mais conosco, com Arraes, dentro do PMDB. A nível nacional sempre teve uma relação com o PT, após 2002 quando surgiu uma maior relação maior do Eduardo com o PT. Só que não passaram 10 anos. Em 2012 ele rompeu novamente com PT na eleição de Recife, e derrotou [o candidato de] Lula lá. Só para mostrar que nada de estranho que ele retome outro caminho nesse momento. Ele não está rompendo nada histórico. Ele está simplesmente exercendo o seu papel político na sociedade.
Tudo isso para dizer que na hipótese de não termos candidatura própria Eduardo Campos é um nome que pode ser analisado. Como pode ser analisado Aécio, que é entre esses, fora Serra, o mais oposicionista hoje. Porque Serra é o mais oposicionista, sem nenhuma dúvida, e por isso a nossa maior simpatia porque Serra se aproxima da maior firmeza de oposição ao que está aí. Mas o Aécio é o representante do maior partido de oposição, é uma alternativa, como é até a própria Marina.
Até Marina Silva?
Tem gente dentro do partido que acha até que Marina deveria ser a primeira opção, mas é uma parcela pequena dentro do partido. Então não podemos dizer que o partido não vai pensar sobre isso, mas posso dizer que não seria uma primeira opção, uma corrente majoritária. Majoritária é a candidatura própria, amplamente majoritária.
O senhor concorda que a Marina é importante no cenário da disputa?
Já foi em 2010, embora lá a gente nem soubesse porque não imaginava que ela teria essa força. Só lamentei em 2010 que no segundo turno ela tenha se omitido. Uma coisa que não a marca positivamente. Afinal, ela vai fazer oposição mesmo?
A oposição nesse governo, e isso vem do governo Lula, tem dificuldades porque existe uma base aliada enorme, e a oposição ficou confinada, vocês tem essa percepção?
Apesar de pequena, a oposição é até muito eficiente. Porque eu fico discutindo quando falam que não tem oposição. Mas eu digo, o governo não se desgasta por fatores aleatórios, o governo está se desgastando por autocombustão? Não é. É algo externo a isso. A imprensa denunciando os malfeitos. Quem sustenta, quem faz a denúncia? Não tem oposição no Brasil? Não é ela que faz a denúncia? Isso poderia não ter nenhum efeito. Ninguém imaginava que tivesse o grau de insatisfação na sociedade que se expressou quando aconteceram as manifestações. A denúncia do mensalão, pedindo investigação, de Lula e Rose, as oposições faziam isso sem muita eficácia, nem abrir CPI a gente pode, porque não consegue. Mas isso fica na sociedade, não deixa de existir. Não tinha impacto, mas estava lá, a sociedade estava acumulando. As críticas ao governo não surgem por acaso.
Mas as manifestações eram apartidárias...
Sim, mas apartidárias não significa que não sejam políticas. Oposição e governo não é problema de partido é visão do que está acontecendo no País. Para apoiar ou criticar o governo não se precisa de partido.
Qual é o projeto do partido para 2014?
Nós temos um Congresso Nacional do partido, que vai ser realizado em dezembro, o tema é uma nova agenda para o Brasil, nova Política, nova Economia e novo Governo. Isso é o que vamos discutir, elaborar um documento com todas as propostas e as reformas que precisam ser feitas do ponto de vista da política. O partido tem uma proposta, por exemplo, de acabar o monopólio da representação via partido até o ponto da candidatura avulsa. Por exemplo, se Marina não conseguir criar o seu partido quem perde não é Marina, é a cidadania. Vamos propor uma ‘nova política’, e uma ‘nova economia’. Até o fim do ano teremos um programa de governo para apresentar. Porque o Brasil há vinte anos vem tendo um desempenho medíocre do ponto de vista da Economia. Porque apesar da recente euforia nós vamos pagar caro porque desindustrializados o País e voltamos a uma pauta de exportação da década de 30 e 40. Temos empregos, mas é mão de obra desqualificada e as estatísticas só mostram como desempregados os que procuram o emprego. E a enorme quantidade dos que não buscam? Que está no Bolsa Família?
O senhor é contra o Bolsa Família?
Sou, isso tem que acabar, pessoalmente sou uma voz meio isolada. Eu tenho que ter um projeto que as pessoas tenham a dignidade do trabalho, e não a indignidade do assistencialismo. Isso eu faço por emergência, não como permanência, que é o que está aí.
Como o senhor acha que vai ser a campanha no ano que vem? Vai ser dura?
Ah, vai. O Brasil não tem mais campanha mole. Será dura e espero que por conta da crise tenhamos uma discussão não eufórica e que se desvie para a péssima discussão que tivemos em 2010, que se perdeu em questões de costumes e da religião, uma agenda moderna, mas que não pode se centrar nisso. Espero um campanha mais propositiva.




