Lindberg promete "freio de arrumação" para UPPs no Rio
"O governo Cabral começou bem, as UPPs também, e foram se perdendo", criticou o senador
Rio de Janeiro|Do R7

O candidato do PT a governador do Rio de Janeiro, senador Lindberg Farias, atacou nesta terça-feira (5) duramente a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que teve apoio do PT por mais de sete anos. Para o candidato do PT, é preciso impor um "freio de arrumação" no sistema de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).
— O governo Cabral começou bem, as UPPs também, e foram se perdendo. Eles tiveram muitas oportunidades, [os presidentes Luiz Inácio] Lula [da Silva] e Dilma [Rousseff] liberaram muitos recursos.
O senador também acusou o PMDB fluminense de "traição" — no Rio, a legenda lançou o movimento "Aezão", de abertura do palanque do seu postulante ao Palácio Guanabara, Luiz Fernando Pezão, ao presidenciável tucano Aécio Neves.
Lindberg lembrou ainda que o ex-secretário de Governo de Cabral, Wilson Carlos, tornou-se coordenador da campanha de Aécio no Estado. Pezão também apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Lindberg falou em sabatina promovida pelo SBT, Folha de S. Paulo e portal UOL.
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Segundo Lindbergh, "o PMDB do Rio não tem postura correta com Lula e Dilma".
— É uma traição a quem sempre estendeu a mão. Vamos fazer uma campanha para Dilma ganhar a eleição.
Para Lindbergh, Aécio Neves "cometeu um erro grave no Rio de Janeiro: se aliou ao que tem de pior na política do Rio".
— Esse pessoal não tem voto. Acham que eleições se ganham só com dinheiro, e não é assim. Quem vai decidir a eleição será o povo.
Lindbergh acusou o grupo de Cabral, que renunciou ao governo em favor de Pezão em abril, de ter governado apenas "para o Rio do cartão postal", a zona sul da capital, e esquecido o "outro Rio", a zona norte, os subúrbios e a Baixada Fluminense. Segundo ele, na zona sul do Rio, o índice de mortalidade é de 5,8 por 100 mil habitantes, enquanto em Belford Roxo, município da Baixada, é de 53 por 100 mil. O senador afirmou que o custo da expansão do Metrô de Ipanema à Barra da Tijuca será de R$ 8,5 bilhões, enquanto levar a Linha 2 da Pavuna à Baixada, uma distância de 300 metros, custaria apenas R$ 150 milhões.
— O governo Cabral fez as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), agora as UPAs estão sem médicos.
Ex-integrante do movimento dos caras-pintadas que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor em 1992, Lindbergh defendeu as manifestações iniciadas no Brasil a partir de junho de 2013, mas criticou a violência de manifestantes.
— Derrubamos um presidente da República sem quebrar nada. Sou favorável às manifestações. Trouxeram uma pauta importante. Quando quebram, esvaziam. O quebra-quebra acaba atrapalhando.
O parlamentar confirmou ter usado drogas quando era jovem e passava por uma fase "difícil", depois de perder o pai.
— Foi mais de 20 anos atrás. Tive um problema rapidamente superado. Um problema pontual.
Ele se declarou contra a legalização da maconha e afirmou que o problema do consumo de drogas precisa ser enfrentado com mais força pelo governo. Lindbergh afirmou que "o cara com 18 anos acha que vence tudo", inclusive a dependência química, e se incluiu nesse comportamento. Para superá-lo, defendeu o diálogo.
— É convencimento. Acho que falta papo direto com a juventude. Não é só polícia, é um trabalho de prevenção.
