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Eleições 2014

Vice em chapa presidencial pode trazer mais prejuízos que vantagens ao candidato

Com alta rejeição, Serra já descartou ser vice de Aécio, e Marina afasta empresariado de Campos

Eleições 2014|Kamilla Dourado, do R7, em Brasília

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Alto índice de rejeição de Serra poderia atrapalhar Aécio Neves
Alto índice de rejeição de Serra poderia atrapalhar Aécio Neves

Quais as vantagens e os prejuízos que um vice pode trazer a uma chapa que disputa a Presidência da República? Cientistas políticos ouvidos pelo R7 avaliam que tanto uma rejeição muito grande, caso do ex-governador José Serra, ou o distanciamento de um setor importante da economia — como Marina Silva e o empresariado brasileiro — podem ser mais nocivos que benéficos para quem está na cabeça da chapa.

O próprio ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou, na semana passada em Tel Aviv, em Israel, que “o candidato [Ao Planalto] terá que olhar a questão com muita objetividade”, porque “o vice não dá votos, [mas] pode é tirar”.


A pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais, o PSDB ainda não definiu o nome de quem deve compor a chapa com o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG). Nomes como o do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e o da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) vêm sendo considerados e, até o último domingo (18), o ex-governador de São Paulo José Serra surgia como o nome mais forte no rol das indicações.

Surgia, porque ontem à noite Serra escreveu — tanto no Twitter como no Facebook — que não será vice na chapa de Aécio. Serra disse achar "graça" do boato sobre a participação na chapa presidencial e garantiu que vai disputar uma vaga de deputado federal ou de senador nas Eleições 2014.


Político de prestígio no Sudeste, Serra, que também já foi prefeito de São Paulo, acumula no currículo passagens pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. O tucano ainda foi ministro do Planejamento e da Saúde e disputou a Presidência do País por duas vezes — em 2002, ele perdeu para o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e, em 2010, saiu derrotado no segundo turno disputado contra Dilma. 

Apesar do extenso currículo, as fracassadas tentativas de chegar ao Planalto poderiam ter influência negativa em uma terceira disputa, ainda que como vice, avalia o cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Marco Antônio Teixeira. 


— Se o vice viesse a ser Serra seria um problema, porque, por mais que ele seja alguém com prestigio nacional, o fato de ele ter sido derrotado em todas as eleições, inclusive na última em que concorreu, porque tinha um padrão de rejeição muito alto, pode criar dificuldade para a própria campanha dele e do Aécio.

O cientista político da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Fábio Wanderley Reis também vê potencial prejudicial caso Serra ocupasse o posto de vice de Aécio e relembra o embate interno no PSDB para a escolha do candidato à Presidência — boatos deram conta de que alas do partido pró-Serra e pró-Aécio se digladiaram mais uma vez pela incicação do representante tucano na disputa eleitoral deste ano.


— Eu não sei muito bem o que significaria para um presidente ter um Serra como vice. Porque ele, além do fato de ser reconhecido, ter participado de eleições anteriores para presidente, também tem uma alta taxa de rejeição e uma experiência muito desastrada, muito negativa na participação na disputa presidencial de 2010. Isso certamente merece consideração. Não é tão simples quanto parece.

Marina: um caso à parte

O ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) já anunciou sua vice há cerca de um mês, mas isso não quer dizer que sua chapa esteja em harmonia. Ter uma vice como a ex-senadora Marina Silva é uma situação excepcional e praticamente inédita nas disputas presidenciais. No caso da fundadora do Rede, é ela quem faz sombra ao titular. 

Por ser do mesmo partido do presidenciável pernambucano, Marina não agrega tempo de TV, mas ela, que obteve 20 milhões de votos enquanto candidata à Presidência em 2010, tem aceitação maior em grupos que não são atingidos por Campos. Por outro lado, a ex-senadora enfrenta a resistência do empresariado, setor que pode prejudicar Eduardo Campos nas urnas em outubro. 

O cientista político Marco Antônio Teixeira diz que é ainda difícil avaliar qual o impacto da dupla Campos-Marina, mas acredita que “o prestigio da Marina é dela, e não é necessariamente transferido para quem ela está apoiando”. Num eventual segundo turno, contudo, a presença dela pode ser decisiva.

— O vice não pode decidir uma eleição. No caso da Marina, talvez até haja algum potencial, mas para o segundo turno. Num segundo turno, em uma eleição competitiva, o vice pode fazer a diferença.

Tempo de TV

Em 2010, o PSDB também teve dificuldades para escolher o vice que integraria a chapa de Serra. O nome do deputado federal Índio da Costa (PSD-RJ), à época do Democratas, foi escolhido aos 45 minutos do segundo tempo. Um dos objetivos à época, segundo o partido, era escolher um nome jovem e fortalecer a relação com o DEM. Hoje, a aliança com os democratas já não faria mais tanto sentido, avaliam os especialistas.

Segundo Fábio Reis e Marco Teixeira, a escolha dos vices se baseia em dois fatores agregadores importantes: maior tempo de TV e inserção em coligações regionais onde o titular não tem grande expressão. O caso clássico se manifesta de forma perfeita na provável repetição da chapa entre a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer, que declarou na última semana ser pré-candidato à vice-presidência.

— Por que o Temer é vice de Dilma? Porque o PMDB é o maior partido da coalizão e ter o PMDB agrega tempo de TV que é precioso. 

Além disso, segundo Reis, Temer é importante para ajudar a pacificar a base, principalmente seu partido, que ensaiou no Congresso Nacional um rompimento com a presidente. 

Teixeira pontua que uma imagem pessoal expressiva do vice conta pontos, que é o caso de Marina, mas não de Temer: 

— No caso da Marina [marketing pessol] vai ser muito usado, agora, o que você tem para usar do Michel Temer?

No caso do PSDB, em tese o DEM não pode oferecer nenhum dos dois benefícios — tempo de TV e inserção regional — aos tucanos. O cientista político da FGV define o tamanho do desafio do PSDB na busca por um vice.

— O grande drama do Aécio, na medida em que, do ponto de vista formal, ele é um partido grande, que agrega muito tempo de TV, é ter um vice que o leve a lugares onde ele ainda não foi [um vice que traga eleitores de outros lugares onde o candidato não é tão conhecido, ou não é tão forte]. Por isso, essa tentativa de ter um vice de São Paulo, mesmo que seja uma chapa puro-sangue.

Outro caminho, segundo Fábio Reis, seria Aécio optar por um vice nordestino.

— O vice, em geral, ajuda nas coligações regionais. Um vice nordestino em uma chapa liderada por alguém do Sudeste ajuda a penetrar e obter popularidade.

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