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Haddad admite crimes durante governos petistas e defende punição

Candidato do PT à Presidência disse em entrevista que houve sim crimes de caixa 2 e enriquecimento ilícito durante os anos em que o PT foi governo

Eleições 2018|Do R7

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Haddad foi cobrado em entrevista por erros do PT
Haddad foi cobrado em entrevista por erros do PT

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, admitiu na segunda-feira (22), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que membros do seu partido cometeram crimes, não apenas erros, durante o período que o PT esteve no governo, e devem pagar por isso.

Haddad foi mais uma vez cobrado a reconhecer problemas do PT durante seu tempo de governo e voltou a criticar partes da condução econômica do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, além do fato de o partido não ter sido mais duro na vigilância contra a corrupção em empresas estatais.

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Ao ser questionado se havia crime ou apenas erros, Haddad afirmou que em sua visão houve sim crimes de caixa 2 e enriquecimento ilícito, mesmo ressalvando que não houve ainda julgamentos em última instância e, por isso, considera que não se pode declarar culpados.

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"Mas certamente teve pessoas que usaram o financiamento de caixa 2, financiamento ilegal de campanha, para enriquecer. São dois crimes, o financiamento de caixa 2 e o enriquecimento, que é ainda mais grave. Acredito que teve gente que se valeu disso para enriquecer e sou a favor de punição exemplar para essas pessoas", afirmou.

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A falta de um "mea culpa" é uma das críticas mais constantes feitas ao PT por adversários e até mesmo por outros políticos de centro-esquerda, como o senador eleito Cid Gomes, irmão do ex-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes. Nas últimas semanas, Haddad tem repetido o que considera erros no partido, mas vinha se concentrando em questões como a falta de controles e os erros econômicos.

O petista voltou, no entanto, a defender o legado de crescimento econômico e justiça social dos governos petistas, e disse que não se deve jogar fora o que houve de bom em nome dos erros.

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"Eu represento um projeto que precisa ser resgatado. Houve problemas sim, já admiti em várias entrevistas, não tenho dificuldade com isso. Mas não podemos jogar o bebê fora com a água do banho", afirmou.

Durante o programa, Haddad negou que a possibilidade de uma frente contra seu adversário no segundo turno da disputa presidencial, Jair Bolsonaro (PSL), seja um fracasso. O candidato ressaltou o apoio declarado por Marina Silva (Rede) nesta segunda, através de uma nota, e ressaltou que ainda espera um sinal de Ciro Gomes.

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Haddad lembrou que desde o final de 2017 conversava com Ciro e defendia uma frente, com a aproximação de PT e PDT, e revelou que intermediou um encontro entre o presidente do PDT, Carlos Lupi, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de o petista ser preso em abril.

"Eu sempre agi com muito desprendimento porque acho que o que está em jogo no Brasil é tão sério que, na minha opinião, projetos pessoais jamais deveriam se impor sobre qualquer interesse que não fosse o interesse nacional", disse o petista. "Ciro sabe de tudo isso, ele conhece essa história toda. Então eu esperava e espero que o Ciro dê um alô, de onde estiver, porque é muito importante para o Brasil que ele se manifeste publicamente. Aguardo ansiosamente o seu aceno porque precisamos ganhar a eleição e governar juntos o Brasil".

Estatais

Haddad foi questionado sobre sua promessa mais recente, de reduzir o preço do gás de cozinha do valor atual, em torno de R$ 80, para R$ 49, e defendeu a proposta afirmando que é possível fazê-la reduzindo o subsídio dado hoje ao diesel devido à greve dos caminhoneiros e passando parte para o gás.

Segundo o petista, com a declaração do STF (Supremo Tribunal Federal) de que a tabela de frete criada pelo atual governo é constitucional, será possível negociar com o setor um valor de frete que cubra os custos mesmo reduzindo o subsídio.

"O subsídio do diesel é quatro vezes maior do que seria necessário para o gás. É possível diminuir e fazer o do gás. Tem que equilibrar. É possível e não representa nada para a Petrobras, não vai custar um centavo a mais", defendeu.

O petista ainda foi questionado se privatizaria alguma estatal, e foi lembrado que os governos petistas criaram cerca de 50 empresas públicas. Haddad afirmou que não tem em seu radar a venda de nenhuma empresa, mas que poderia fechar algumas e fundir outras.

"Tem estatal que só tem nome, são repartições públicas. Sou a favor de fundir algumas, eliminando outras, fazer o enxugamento", disse, questionando quem iria comprar algumas das estatais existentes. "Quem iria comprar a estatal do trem-bala?", lembrou, dizendo que nesse caso seria necessário extinguir ou incorporar em outra.

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