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Eleições 2018
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'Não vi nenhum projeto nacional nesta campanha', diz Toffoli

Ministro do Supremo Tribunal Federal afirmou, em Debate na USP, que é visível a fragmentação do sistema político brasileiro

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Dias Toffoli comentou o sistema político brasileiro na USP
Dias Toffoli comentou o sistema político brasileiro na USP

Em uma crítica à ausência de ideologia dos partidos políticos brasileiros, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, afirmou nesta segunda-feira (1º) que, a uma semana das eleições gerais, não viu "nenhum programa ou projeto nacional".

Em um debate na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), onde se formou em 1990, o presidente do STF citou um estudo de 1996 que conclui que o sistema partidário brasileiro era, à época, subdesenvolvido, fragmentado e pouco ideológico.

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"Não há dúvida que a conclusão continua válida, tímida até, em relação ao que sucedeu desde então. Aumentou o número de partidos, aumentou a fragmentação e há uma ausência de ideologias claras nos partidos. E aqueles que tinham alguma consistência ideológica se mostram hoje completamente órfãos de qualquer posicionamento político, filosófico e institucional", observou.

Segundo Toffoli, projeções de cientistas políticos indicam que, na eleição deste domingo (7), a maior bancada de um partido na Câmara não terá mais do que 75 cadeiras, de um total de 513. Para o ministro, o número é baixo e ressalta a fragmentação do sistema brasileiro. Diante disso, muitos parlamentares acabam sendo eleitos pelos segmentos que representam e não pelos partidos, avaliou.

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"É por isso que a bancada evangélica é maior que a dos maiores partidos, que a bancada dos advogados é maior que a bancada dos maiores partidos e que a bancada agrária é maior que a dos maiores partidos", comparou.

Essa situação, disse, cria dificuldades para o presidencialismo, pois a fragmentação exige do presidente ser capaz de negociar com todas as bancadas, o que muitas vezes leva à troca de favores. O presidente do STF lembrou que, com esse modelo, o Brasil passou por dois processos de impeachment em apenas 30 anos.

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"Vivemos uma experiência muito ruim de um parlamentarismo não institucional. Não há governo do parlamento, mas um executivo que está sempre submetido à possibilidade de ser testado em cada votação pelo apoio ou não de sua base", afirmou.

Toffoli também defendeu a Constituição de 1988. "Foi um pacto que deu estabilidade institucional e política ao Brasil e deu voz àqueles que por décadas, ou até séculos, foram excluídos da participação dos direitos reais de igualdade, não somente perante a lei, mas na própria lei", disse o ministro.

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A defesa ocorre num momento em que novas constituições foram propostas durante a campanha para presidente da República. Na semana passada, o candidato do PT, Fernando Haddad, disse que pretende "criar condições" para a convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.

Há três semanas, o vice da chapa de Jair Bolsonaro (PSL), general Hamilton Mourão (PRTB), disse que o Brasil precisa de uma nova Constituição, elaborada por "notáveis" e aprovada em plebiscito pela população, sem a eleição de uma Assembleia Constituinte.

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