Eleições 2022 Deputado diz que conseguiu assinaturas para instalar CPI dos Institutos de Pesquisa

Deputado diz que conseguiu assinaturas para instalar CPI dos Institutos de Pesquisa

Informação foi divulgada nesta sexta-feira (21) pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL)

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ)

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ)

Reprodução Facebook

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), informou, nesta sexta-feira (21), que conseguiu coletar o número de assinaturas necessárias para a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Institutos de Pesquisa na Câmara dos Deputados.

"Conseguimos coletar as 171 assinaturas necessárias para a CPI dos Institutos de Pesquisa. Aguardamos agora a instalação na Câmara. Obrigado a todos que assinaram e ajudaram na divulgação", escreveu Jordy nas redes sociais.

Para a abertura de uma CPI na Câmara dos Deputados, são necessários 171 nomes. Os institutos de pesquisa também estão na mira de senadores, que reúnem assinaturas para uma CPI na Casa — neste caso, são necessários 27 nomes.

Os resultados do primeiro turno das eleições, que ocorreram em 2 de outubro, frustraram as previsões das pesquisas feitas pelos principais institutos de levantamento sobre a preferência do eleitorado do país. Na eleição presidencial, por exemplo, Datafolha e Ipec davam menos de 40% dos votos ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontaram a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar sem a necessidade de segundo turno, mas ambos erraram.

Na avaliação de especialistas, a quantidade de erros compromete a credibilidade das empresas. Doutor em ciência política, Leandro Gabiati diz que os institutos de pesquisa fazem parte do processo eleitoral e ajudam o eleitor a entender melhor em qual contexto ele vai votar, mas avisa que a baixa assertividade atrapalha o cenário eleitoral.

Segundo ele, até o segundo turno, que acontece em 30 de outubro, a tendência é que a sociedade não acredite nas pesquisas de intenção de voto que serão divulgadas. "Os institutos continuarão fazendo pesquisas. Os que contratam vão continuar contratando, mas certamente com muita dúvida e muito questionamento naquilo que venham a apresentar nos próximos 30 dias. Ainda que acertem, a desconfiança está posta."

O cientista político Rócio Barreto acredita que os institutos também precisam aperfeiçoar a metodologia dos levantamentos. Na avaliação dele, as empresas deixaram de considerar alguns aspectos do eleitorado, como o voto dos indecisos. "É preciso investigar melhor o motivo de a pessoa estar indecisa. Perguntar em quem ela poderia votar caso mude de ideia, se ela tem um plano B para a eleição. Esse percentual pode fazer a diferença no resultado da pesquisa."

Gastos

Na mira de parlamentares que querem uma CPI para apurar distorções nos números do primeiro turno e da Polícia Federal, as pesquisas Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), ex-Ibope, custaram R$ 23,4 milhões em 2022. Em seguida, aparece o Datafolha, com R$ 14,2 milhões.

Segundo os dados, as três pesquisas mais caras realizadas pelo Ipec, no valor de R$ 347.659 cada uma, contratadas pela TV Globo, entrevistaram, no total, 9.024 eleitores entre os dias 13 de setembro e 1º de outubro. A média de entrevistados nas pesquisas era de 1.000 eleitores.

Já o Datafolha, que costumava entrevistar entre 1.000 e 6.800 eleitores nas pesquisas anteriores, declarou que recebeu R$ 617.972 para uma pesquisa com 12,8 mil eleitores, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, na véspera do primeiro turno das eleições.

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