Eleições 2022 'Houve direcionamento equivocado da votação', diz Luxemburgo após perder vaga ao Senado

'Houve direcionamento equivocado da votação', diz Luxemburgo após perder vaga ao Senado

Presidente Carlos Amastha frisa que a convenção foi legítima, e reitera convite para que ex-técnico dispute como deputado pelo TO

  • Eleições 2022 | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, durante convenção do PSB do TO que o deixou de fora da disputa ao Senado

Ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, durante convenção do PSB do TO que o deixou de fora da disputa ao Senado

Reprodução

Após não ter o nome confirmado em convenção do PSB do Tocantins para disputar uma vaga ao Senado, o ex-técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo criticou o presidente do diretório estadual, Carlos Amastha, nome escolhido para disputar a vaga pela legenda, e disse que "houve um direcionamento equivocado da votação". Luxemburgo era pré-candidato ao Senado pelo partido no estado, mas em convenção na última semana o nome de Amastha foi aprovado em seu lugar.

"A democracia foi machucada naquele momento. Não teve debate. Tudo foi conduzido para que tivesse uma candidatura que não era postulante a esse cargo. Foi manchada a história do PSB do Tocantins com a conduta antidemocrática do presidente [Carlos Amastha]. Houve um prejuízo grande, arranhando a imagem do PSB", disse Luxemburgo ao R7, frisando não ter nada contra a legenda.

O ex-técnico se filiou ao PSB, onde disse ter tido espaço para escolher para qual cargo eletivo pretendia disputar. A sua decisão foi a de concorrer ao Senado e havia esse entendimento interno. A dois dias da convenção, no entanto, uma pesquisa estimulada (quando os nomes são apresentados ao eleitor) da Real Time Big Data mostrou que, em um cenário sem Luxemburgo, Amastha aparecia melhor posicionado ao Senado do que o ex-técnico.

Na pesquisa estimulada ao governo do Tocantins, o presidente do PSB no estado também está bem posicionado, em terceiro lugar, após o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e Ronaldo Dimas (PL), ambos com 24%.

De acordo com Amastha, após a pesquisa houve uma conversa prévia com Luxemburgo, para falar que ele deveria disputar a Câmara Federal, enquanto Amastha iria ao Senado. "Dissemos a ele que fazer deputados federais era a nossa prioridade e que seria interessante ao partido. Ele disse que não, que era o Senado ou nada", explicou ao R7. A decisão final coube à convenção da legenda que, segundo Amastha, decidiu por 25 votos a 2 pelo nome do ex-prefeito de Palmas para disputar o Senado.

Luxemburgo questiona a escolha da pesquisa como critério. "Por que ele não saiu a governador, então? Por que já tinha perdido a passada?". O ex-técnico ressaltou que no momento da convenção, não houve espaço para discussão e debate, para que os delegados pudessem ouvir ambos antes de votar. Ele também cita um vídeo que circula em redes sociais que mostra algumas pessoas levantando as mãos após pergunta sobre quem apoiava o nome de Luxemburgo, embora Amastha tenha sido declarado vencedor da disputa por unanimidade. 

Em meio a discussões e briga, a convenção foi encerrada logo depois. O ex-técnico critica a condução da reunião e diz que, quando foi ao partido, lhe foi prometido que ele seria candidato ao Senado e Amastha a deputado federal.

O ex-técnico pede uma investigação da convenção. "O presidente e o secretário [Adir Gentil] conduziram a coisa de maneira antidemocrática, equivocada, manchando o partido, e o partido tem que tomar uma providência contra esse tipo de atitude do presidente, porque ela é antidemocrática", frisou.

Sobre as críticas à convenção, o ex-prefeito de Palmas ressalta que o evento foi gravado e diz que todos os convencionais que estavam presentes (na sala virtual ou na sede do partido) puderam votar.

"Havia presença de advogados, a convenção foi gravada e está à disposição de todos. Partido é público, não é empresa privada. Tenho certeza absoluta que não teve nenhum erro formal. Isso não é jogo de futebol, não é jogo de torcida. E torcida não ganha jogo. Jogo se ganha em campo. Ganhamos de maneira legítima, sem trocar delegado, sem nada", disse.

Deputado federal

Luxemburgo foi convidado para disputar uma cadeira na Câmara Federal, mas disse não aceitar. "Não é questão de o partido convidar. 'O partido convidou' é hipocrisia do Amastha. Ele conduziu o processo para poder se candidatar ao Senado, quando ele já era candidato a deputado federal, a nominata estava pronta, e eu iria ao Senado", afirmou.

Sobre o futuro político, ressaltou que ainda não está definindo. Por hora, pretende ajudar os companheiros do PSB que querem a sua ajuda. "Vou estar à disposição. A política é a arte de negociar. Tudo tem que ser negociado. Se tivesse sido negociado lá atrás... Mas não a dois dias antes de uma convenção, através de uma pesquisa que não se sabe porque ela surgiu e com o nome dele [Amastha] ao Senado", disse.

Carlos Amastha, por sua vez, disse que continuará insistindo com a ideia de que o ex-técnico seja candidato a deputado. Na convenção do PSB, após a escolha ao Senado, Luxemburgo chegou a ser homologado como candidato à Câmara, mas disse que não aceitaria. "Quando ele quiser, para o partido vai ser um orgulho. Com o potencial dele e do grupo, garantimos duas vagas à Câmara, que é o que mais nos interessa", afirmou ao R7.

O presidente do PSB do Tocantins ressaltou que o partido fez de tudo para que a vontade de  Luxemburgo de disputar o Senado acontecesse. "Coloquei o nosso articulador político à disposição dele. Eu tenho o sentimento de que ele teve tudo de que precisava, mas a candidatura não decolou", pontuou.

Amastha afirmou que o importante aos partidos, no geral, é fazer mais cadeiras na Câmara, para dar mais força às siglas. "Isso é estratégico. A vida dos partidos depende da bancada de federais, e o partido considera que ele [Luxemburgo] teria uma eleição para deputado federal muito boa. Acredito que ele ficaria entre os mais votados do Tocantins", disse.

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