Eleições 2022 Lula se diz contra, mas documento oficial do PT defende descriminalização do aborto

Lula se diz contra, mas documento oficial do PT defende descriminalização do aborto

Candidato petista gravou vídeo se colocando contra a interrupção da gravidez, mas resolução do partido pede que procedimento deixe de ser crime

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  faz campanha em Guarulhos (SP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz campanha em Guarulhos (SP)

WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou ontem um vídeo para se manifestar contra o aborto e reiterou sua posição a jornalistas durante uma caminhada nesta sexta-feira (7) em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, dizendo que a discussão do tema cabe ao Congresso Nacional, não ao presidente da República. No entanto o PT, partido do candidato à Presidência, defende em documento oficial da sigla que a prática seja descriminzalizada e que o aborto deve ter atendimento regulamentado no serviço público de saúde.

No Livro de Resoluções e Moções do 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores, publicado em 2007, no item 'Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais', a sigla de Lula defende a "defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem".

Trecho do Livro de Resoluções e Moções do 3º Congresso do PT, publicado em 2007, defende a descriminalização do aborto em todos os casos

Trecho do Livro de Resoluções e Moções do 3º Congresso do PT, publicado em 2007, defende a descriminalização do aborto em todos os casos

Reprodução

Pela legislação brasileira, a interrupção da gravidez é permitida em caso de risco de morte da mãe, caso a gestação seja fruto de um estupro ou se o feto for anencéfalo, quando o cérebro é pouco desenvolvido e o crânio incompleto, o que inviabiliza a vida fora do útero. Fora dessas condições, o aborto é considerado crime.

A manifestação de hoje do ex-presidente representa mais uma mudança em relação a posições anteriores do petista nesta eleição. Em abril, antes do início formal da campanha, Lula chegou a afirmar que o aborto é uma questão de "saúde pública" e disse que todo mundo deveria "ter direito e não ter vergonha" do procedimento, o que foi considerado um deslize por potencializar os ataques de Bolsonaro. Pouco depois do episódio, o petista enfatizou que era "pessoalmente contra o aborto".

O R7 procurou a campanha do ex-presidente Lula para comentar o documento oficial do partido, mas não obteve resposta até a publicação. Caso a assessoria de comunicação do petista envie uma manifestação, ela será acrescentada a este texto.

*com informações da Reuters

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