Flávio defende crédito agro em aldeia com histórico de embargo pelo Ibama
Candidato promete fundo em território onde o Ibama embargou terras por plantio de transgênicos em 2018
2026|Do R7
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) esteve nesta segunda-feira (31) no território do povo Haliti-Paresi, em Campo Novo do Parecis, no oeste de Mato Grosso, e defendeu a criação de um fundo federal para garantir financiamento à produção agrícola em áreas indígenas. A agenda foi articulada pelo deputado José Medeiros (PL), candidato ao Senado no estado.
Diante das lideranças, o candidato citou a produção local como modelo a ser levado a outras aldeias e prometeu, se eleito, respeitar o que chamou de “autonomia de verdade” dos povos indígenas.
Disse ainda que Medeiros funcionaria como ponte entre as demandas da comunidade e o governo federal.
Segundo o material distribuído pela campanha, a proposta busca contornar um entrave de garantias. Flávio afirmou que as terras não podem ser oferecidas como lastro por pertencerem à União e que a própria safra muitas vezes não cobre financiamentos de valor elevado.
A saída anunciada é “criar um fundo específico para garantir a produção aos povos indígenas”.
Tema controverso
O uso de linhas de crédito federal para produção em grande escala em terras indígenas é tema controverso. No caso do território Haliti-Paresi, a produção é organizada pela Cooperativa Agropecuária do Povo Indígena Haliti-Paresi, a CoopiParesi, e reúne soja, milho, feijão e milho de pipoca, cultivados com máquinas agrícolas de grande porte e uso de defensivos agrícolas.
Em 2019, a Terra Indígena Utiariti colheu cerca de 9 mil hectares de soja e preparava a colheita de aproximadamente 4 mil hectares de milho. Em 2023, os produtores tentavam licenciar uma área de 19 mil hectares.
Problemas com Ibama
Além disso, existem problemas legais que envolvem essa atividade na região. Em 2018, o Ibama embargou cerca de 22 mil hectares nas terras indígenas Paresi, Rio Formoso, Tirecatinga, Utiariti, Manoki e Uirapuru, com autuações por cultivo de transgênicos, proibido em áreas indígenas, e outros ilícitos ambientais.
Investigação do órgão apontou plantio conduzido por produtores não indígenas mediante pagamento de percentual da safra, prática vedada pela Constituição e pelo Estatuto do Índio.
A situação foi regularizada em 2019 por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre Ministério Público Federal (MPF), Funai, Ibama e comunidades, que desembargou as áreas e previu prestação de contas semestral das cooperativas sob supervisão dos dois órgãos federais.
‘Aldeia bolsonarista’
A aproximação do grupo com o campo bolsonarista não é recente. Em 2019, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escolheu a Terra Indígena Utiariti para sua primeira viagem à Amazônia Legal, acompanhado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.
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