IA e SUS sem fila: veja o que propõe cada candidato à Presidência para a saúde pública
Lula enfatiza o fortalecimento do SUS, enquanto outros candidatos propõem mudanças na gestão e novos modelos de financiamento
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A saúde pública aparece entre as principais áreas dos programas de governo dos candidatos à Presidência da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) apresentam propostas para reduzir filas, ampliar o acesso a consultas e exames e modernizar o SUS (Sistema Único de Saúde).
Apesar de pontos em comum, os programas apresentam diferentes estratégias para a gestão da rede pública. A seguir, saiba os principais pontos de cada plano de governo.
Lula
O programa de Lula coloca o SUS como um dos pilares da política de saúde e prevê investimentos na ampliação do acesso, na redução das filas e na modernização tecnológica da rede.
Entre as propostas está a expansão da saúde digital, com teleconsultas, teleorientação e teleacolhimento. O plano também prevê acelerar a implantação de um prontuário eletrônico único, permitindo que o cidadão consulte pelo celular informações como consultas e resultados de exames.
A IA (inteligência artificial) deverá ser utilizada para triagem, priorização de casos graves, regulação de atendimentos conforme o risco clínico e auxílio ao diagnóstico em regiões com falta de especialistas.
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Para reduzir as filas, a candidatura propõe utilizar as chamadas “Carretas da Saúde” e fazer parcerias com hospitais privados. O programa já existente “Agora Tem Especialistas” também é apresentado como uma das ferramentas para ampliar consultas, exames e cirurgias.
A proposta mantém programas como Mais Médicos, Farmácia Popular e Brasil Sorridente. A Farmácia Popular, segundo o plano, deverá ser 100% gratuita e passar a incluir exames laboratoriais e de acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Na saúde da mulher, o programa prevê ações para reduzir a mortalidade materna, ampliar o acesso a métodos contraceptivos e manter o programa Dignidade Menstrual. Também há propostas para ampliar a rede de oncologia, a Rede de Atenção Psicossocial e o atendimento à população indígena.
Outro eixo é a produção nacional de medicamentos, vacinas e insumos estratégicos. A proposta prevê fortalecer o Complexo Industrial da Saúde para reduzir a dependência brasileira de produtos importados.
Flávio Bolsonaro
O programa de Flávio Bolsonaro foca em prevenção e digitalização. Uma das principais propostas é a criação de um prontuário eletrônico único associado ao CPF e integrado ao Gov.br.
A intenção é fazer com que o histórico de consultas, exames, vacinas e alergias acompanhe o paciente em atendimentos realizados tanto na rede pública quanto na privada.
A IA também seria utilizada para localizar vagas para consultas e exames e identificar pacientes com maior risco de desenvolver doenças, permitindo que sejam chamados para acompanhamento preventivo.
A proposta também inclui a correção da Tabela SUS para aproximar os valores pagos pelo sistema público do custo efetivo dos procedimentos.
O plano prevê ainda a modernização de hospitais universitários federais e a expansão da telessaúde, principalmente para regiões com menor oferta de médicos.
Na saúde da mulher, são propostas unidades móveis para exames e atendimentos em áreas remotas. Para idosos, pessoas com deficiência e pacientes crônicos, o programa prevê atendimento facilitado e entrega de medicamentos em domicílio.
Saúde mental e atendimento a pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) também aparecem entre as prioridades.
Ronaldo Caiado
Caiado também aposta na digitalização do SUS e na reorganização da porta de entrada do sistema. A proposta central é substituir a fila baseada apenas na ordem de chegada por um modelo que considere gravidade, risco clínico e vulnerabilidade do paciente.
A meta apresentada é reduzir em pelo menos 50% o tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior espera até 2030. O cidadão também deverá poder acompanhar digitalmente sua posição na fila, a previsão de atendimento e o serviço responsável.
Na atenção básica, o programa prevê transformar a Estratégia Saúde da Família em um modelo mais preventivo, capaz de identificar riscos e procurar ativamente pacientes. Hipertensos, diabéticos, pessoas com obesidade e pacientes com alto risco cardiovascular teriam acompanhamento contínuo.
Ele também propõe uma identidade clínica digital para acompanhar o paciente em diferentes pontos da rede, além de um aplicativo nacional com informações sobre vacinas, receitas, exames e filas.
O programa estabelece ainda linhas específicas para doenças cardiovasculares, câncer e saúde materno-infantil. Para o câncer, a proposta é realizar a investigação em até 30 dias e iniciar o tratamento em até 60 dias. Na saúde materna, a meta é reduzir em 30% a mortalidade.
Renan Santos
O programa de Renan Santos concentra as propostas de saúde no eixo “SUS Fila Zero”. De acordo com o plano divulgado, em vez de atender exclusivamente pela ordem de chegada, os pacientes seriam classificados de acordo com gravidade clínica, risco de progressão da doença, impacto sobre a autonomia, vulnerabilidade social e tempo de espera.
A candidatura também propõe o sistema “PRONTO”, um prontuário eletrônico nacional que reuniria informações de unidades básicas, hospitais, laboratórios e farmácias.
A IA também aparece no projeto e seria usada para telemedicina, triagem, diagnóstico e monitoramento clínico. O programa também prevê uma estrutura de vigilância epidemiológica preditiva, com análise de dados em tempo real.
Outra proposta é integrar o projeto Genomas Brasil, que mapeia o DNA populacional, criando um banco de dados que permita ao SUS oferecer tratamentos personalizados, ao prontuário eletrônico do SUS.
Renan também sugere o modelo “hub-and-spoke”, que concentraria atendimentos mais complexos em centros regionais de referência, deixando os casos de menor complexidade na atenção primária. A meta apresentada é resolver 80% dos casos ainda na atenção básica.
Romeu Zema
Por fim, Zema propõe uma política de saúde que amplie as parcerias com o setor privado. O programa prevê a criação de um Registro Nacional de Saúde, com prontuário eletrônico unificado sob controle do cidadão.
A intenção é permitir que as informações circulem entre serviços públicos e privados, facilitando o acesso do profissional ao histórico do paciente.
A telemedicina também seria ampliada para atender regiões com poucos especialistas. Na atenção primária, o plano prevê expansão da Estratégia Saúde da Família e acompanhamento de doenças crônicas, com incentivos financeiros para estados e municípios que conseguirem reduzir casos de diabetes e hipertensão.
Para diminuir as filas, a candidatura propõe integrar unidades de diferentes municípios e utilizar IA para organizar a demanda. O programa também prevê ampliar vagas de residência médica em áreas com falta de especialistas.
A principal diferença na gestão da rede aparece na proposta de ampliar a participação privada. O plano prevê contratar clínicas e hospitais particulares para realizar consultas, exames e cirurgias pelo SUS.
O mineiro também defende mudanças para flexibilizar regras para planos de saúde, com o objetivo declarado de ampliar a oferta de modalidades e reduzir custos.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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