Tarcísio e Haddad trocam ataques e levam disputa Lula x Bolsonaro a debate na TV
Confronto teve críticas à economia, provocações sobre Bolsonaro e divergências sobre investimentos federais em São Paulo
2026|Do R7, com Estadão Conteúdo
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O primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), candidatos ao governo de São Paulo, realizado neste domingo (9), foi marcado por críticas à gestão estadual, ataques ao governo federal e uma disputa sobre quem mais contribuiu para o desenvolvimento do estado.
Tarcísio e Haddad foram os únicos a participar porque os outros postulantes ao Palácio dos Bandeirantes nesta eleição pertencem a partidos de esquerda que não atingem os critérios do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de representatividade no Congresso e a cláusula de desempenho. O debate foi organizado pela TV Band.
Um dos principais confrontos ocorreu durante uma discussão sobre investimentos em infraestrutura e a construção do túnel entre Santos e Guarujá. Haddad afirmou que o governo federal tem sido parceiro de São Paulo e comparou os investimentos da atual gestão com os realizados durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o petista, mesmo que a União deixasse de direcionar novos recursos ao estado a partir de agora, o volume destinado pela atual administração federal ainda seria quatro vezes superior ao montante enviado durante o governo Bolsonaro.
Haddad citou ainda R$ 13,7 bilhões em linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a renegociação da dívida de São Paulo. Segundo ele, a mudança permitiria ao estado contar com cerca de R$ 1 bilhão por mês, ou R$ 12 bilhões por ano, para honrar os empréstimos e financiar obras.
Tarcísio, por sua vez, rebateu dizendo que há operações de crédito para projetos de São Paulo que estão paradas em Brasília. Ele mencionou financiamentos com o Banco Europeu de Investimentos, o Banco Mundial e o Banco do Brasil, além de uma operação envolvendo a Prefeitura de São Paulo.
“Seria muito importante que as operações de crédito que hoje estão travadas [...] pudessem ser liberadas”, afirmou o governador. Tarcísio também reconheceu a participação do BNDES no financiamento de linhas de metrô no estado.
Disputa sobre dívida e municípios
A discussão sobre investimentos também levou os dois candidatos a um embate sobre a situação financeira de São Paulo e a adesão do estado ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).
Haddad acusou Tarcísio de não ter apoiado municípios pequenos do interior paulista e criticou a decisão do governador de não aderir ao programa. Segundo o petista, a escolha poderia configurar improbidade administrativa.
Tarcísio respondeu que a adesão ao Propag não fazia sentido naquele momento e argumentou que o programa poderia reduzir a capacidade de investimento do estado.
Em determinado momento, o governador questionou Haddad sobre quais estados haviam aderido inicialmente ao programa. O petista respondeu que “todos que quiseram”, provocando risos na plateia.
A discussão voltou a envolver o governo Bolsonaro. Ao ser criticado por Haddad, Tarcísio afirmou que o adversário estava excessivamente concentrado no ex-presidente. Haddad, então, questionou se o governador tinha vergonha de Bolsonaro. Tarcísio respondeu que é grato ao ex-presidente.
Economia vira alvo de críticas
A economia nacional também esteve entre os principais assuntos do debate. Tarcísio criticou a condução da política econômica durante o período em que Haddad comandou o Ministério da Fazenda no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O governador afirmou que o arcabouço fiscal elaborado pela gestão petista era “muito frouxo” e permitiu uma expansão excessiva dos gastos públicos. Na avaliação de Tarcísio, as contas do país estão frágeis e o Brasil caminha para uma recessão, cenário que poderia prejudicar os investimentos em São Paulo.
Haddad rebateu citando o desempenho econômico do próprio estado. Segundo ele, a previsão é de que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) paulista fique muito abaixo do resultado nacional. Para o petista, o dado demonstra que a situação econômica de São Paulo poderia ser melhor.
Antes disso, Tarcísio havia perguntado se Haddad teria algum conselho para o presidente Lula na área econômica. O ex-ministro respondeu que o principal seria “jamais indicar” Roberto Campos Neto para comandar o Banco Central.
Campos Neto foi indicado por Bolsonaro para presidir a instituição e permaneceu no cargo durante os primeiros anos do governo Lula, em razão da autonomia do Banco Central. Haddad criticou sua atuação à frente da autarquia e afirmou que a taxa básica de juros, a Selic, foi elevada excessivamente sem que isso tivesse impedido a inflação.
O petista também citou problemas de fiscalização envolvendo fintechs e bancos e mencionou o caso do Banco Master.
Educação é outro ponto de confronto
O desempenho de São Paulo na educação também provocou divergências entre os dois candidatos. Questionado sobre os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2025, Tarcísio defendeu os avanços obtidos pelo estado na alfabetização e anunciou a intenção de criar um programa de educação baseado em inteligência artificial.
O governador também destacou a necessidade de ampliar a formação continuada dos professores e o número de escolas de tempo integral.
Haddad, porém, contestou os resultados apresentados pelo adversário. Segundo ele, Tarcísio recebeu um estado que ocupava a terceira posição no Ideb em qualidade do ensino médio e agora São Paulo estaria na décima colocação.
O ex-ministro citou Piauí, Ceará e Pernambuco como exemplos de estados que, apesar de terem menos recursos disponíveis por aluno, teriam conseguido avançar nos indicadores educacionais.
Haddad também criticou os resultados da alfabetização e afirmou que a expansão das escolas de tempo integral teve pouco avanço durante a atual gestão.
Segurança pública e governo federal
A segurança pública também apareceu no debate, especialmente quando Tarcísio defendeu a continuidade das ações implementadas em sua gestão.
O governador afirmou que pretende manter o foco na área e prometeu escolher um “secretariado técnico”, voltado para resultados. Na sequência, fez uma crítica à estrutura do governo federal ao dizer que sua equipe não seria como “um ministério do PT”.
A fala reforçou a tentativa dos dois candidatos de levar a disputa estadual para o campo nacional. Enquanto Haddad procurou associar Tarcísio ao legado de Bolsonaro e destacar a atuação do governo Lula em São Paulo, o governador buscou responsabilizar a gestão petista por problemas econômicos e por entraves na liberação de financiamentos para o estado.
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