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Chris Lemos celebra três décadas na TV e relação com o público da RECORD: ‘Não tem prêmio maior que este’

Jornalista também falou sobre a grande paixão pela escrita e que faz questão de manter seu blog no R7 sempre atualizado com furos de reportagem

Entrevista|Bianca Godoi, do R7

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Chris Lemos comenta experiência política em entrevista ao R7 Reprodução/Instagram

Chris Lemos integra o time de jornalismo da RECORD há 32 anos com comprometimento e maestria, e agora abraça a missão de se dedicar exclusivamente à sua área de especialização, como colunista de política e economia do Jornal da Record.

Implacável na cobertura dos principais fatos que marcaram a história do Brasil, Chris acompanhou de perto a última vez em que Fernando Collor de Mello, em dezembro de 1992, desceu a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília (DF), como presidente.


Anos depois, ela segue com o objetivo de informar o público, de forma clara e objetiva, sobre os acontecimentos que afetam diretamente a vida dos brasileiros.

Foi justamente por isso que, na estreia do novo quadro da emissora, ela conduziu uma entrevista exclusiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo após Donald Trump enviar uma carta pública anunciando uma tarifa de 50% sobre a importação pelos Estados Unidos.


“O mais importante de tudo é saber dos fatos históricos que testemunhei. Para o jornalista que cobre política, é a essência. São coisas históricas, muito grandes, e que vão desenhar o futuro do país. Então, conseguir enxergar o fio condutor da história que trouxe ao fato de hoje, é uma ótica privilegiada. É o privilégio de poder olhar para trás e compreender o sentido do que está acontecendo hoje com um olhar projetado no tempo. Isso realmente é um privilégio, porque você não leu, não estudou num livro de escola, você estava lá, no dia e no momento do fato. Então, tudo isso faz uma enorme diferença”.

Quem acompanha a trajetória repleta de talento, profissionalismo e conhecimento, não imagina que o jornalismo chegou na vida de Chris por meio de uma outra paixão: a escrita.


“Eu queria ser escritora, na verdade. Eu tinha muito talento para escrever e gostava de escrever desde sempre, desde garota. Então, eu achava que era mais fácil virar escritora se um dia eu fosse jornalista. E aí, por isso, fui parar no jornalismo”.

E mesmo brilhando na tela da TV, a jornalista ainda é apaixonada por escrever, e faz questão de manter o seu blog no R7 atualizado.


“É o exercício da minha verdadeira vocação. Tenho muito carinho pelo meu Blog. É onde consigo opinar, informar, trazer o fato exclusivo e o meu olhar sobre a situação que está acontecendo agora. É muito importante essa janela. Posso dizer uma coisa sem medo de errar: considero jornalista a pessoa que escreve. É por isso que eu, jovenzinha, dizia que seria escritora. E no final das contas, acabei sendo”.

Leia a entrevista na íntegra:

R7 — Você nasceu em Minas Gerais, é formada como jornalista na Universidade de Brasília, especializou-se em ciência política e possui licenciatura em língua e literatura portuguesas. Desde a época da faculdade, já tinha esse interesse pela política e economia? Como surgiu o desejo de seguir para essas áreas específicas?

Chris Lemos Eu acabei indo parar no jornalismo por uma razão meio peculiar. Queria ser escritora, na verdade. Eu tinha muito talento para escrever e gostava de escrever desde sempre, desde garota. Então, achava que era mais fácil virar escritora se um dia eu fosse jornalista. E aí, por isso, fui parar no jornalismo. E, de fato, é a profissão que mais exige essa habilidade. Para você ser jornalista, escrever tem que ser uma coisa absolutamente natural, espontânea e sem qualquer esforço. E eu fazia isso com muito prazer, até hoje faço. Acho que acabei mitigando esse sonho, essa vontade de ser escritora ao me tornar jornalista. Então, a coisa ficou pacificada aí.

Para você ser jornalista, escrever tem que ser uma coisa absolutamente natural, espontânea e sem qualquer esforço

(Chris Lemos)

Na verdade, eu cursei letras primeiro. E tinha grande paixão por aquilo, por literatura e pelo idioma, propriamente. E aí, fui morar na Alemanha, num núcleo de jornalistas. E eram jornalistas investigativos. E aquilo me instigou muito. E eu já queria fazer jornalismo, desde sempre. E aí, quando retornei da Alemanha, resolvi que estudaria jornalismo com esse enfoque. Mas sempre achei que faria jornalismo escrito. Que seria imprensa escrita.

Chris se tornou jornalista para poder ser escritora Antonio Chahestian/RECORD

E um belo dia, um amigo me telefonou e disse: ‘Chris, eu indiquei você para me substituir lá na televisão’. Eu disse: ‘Você ficou maluco? Eu não tenho a menor ideia de como é que se faz uma matéria de televisão. Eu nunca fiz. Ideia eu tenho, mas nunca fiz uma matéria de televisão’. Ele falou: ‘Não, é muito fácil. Olha, é assim’. Aí, por telefone, ele me disse como é que se fazia uma reportagem de TV. Você escreve e grava o off e a passagem, põe uma entrevista. Eu fiquei achando aquilo tudo muito pitoresco e muita aventura fazer aquilo. E fui lá, porque tinha colocado o meu nome e contava que eu o substituísse. Me deram lá uma pauta e eu fui fazer essa matéria. E voltei.

Quando eu entreguei a matéria, o editor, que depois se tornou um grande amigo, rodava a fita de um lado para o outro, olhava para mim. Ele sentava e olhava para mim, rodava a fita e olhava para mim. Aí, ele disse: ‘É a primeira vez que você faz uma matéria de televisão? Eu falei, ‘é’. Ele disse: ‘Não, porque está muito bom’. E eu fui contratada imediatamente e comecei a fazer TV sem nunca ter planejado e almejado.

Comecei a fazer TV sem nunca ter planejado ou almejado

(Chris Lemos)

Para mim, a televisão era uma coisa, nessa época era mesmo, era um Olimpo, onde havia seis pessoas. E eram seis emissoras de TV, seis microfones e seis pessoas. Não havia internet, havia rádio, TV e jornal. E o número de jornalistas era muito restrito. Depois isso se multiplicou, se quintuplicou e virou uma coisa enorme.

E o fato de ir fazer política está relacionado ao fato de viver em Brasília (DF). Então, você tem em Brasília um mercado muito focado no Poder Federal, nos Três Poderes. No Executivo, Legislativo e Judiciário, Brasília ser a sede dos Três Poderes é um enorme polo de atração para jornalistas. Então, tem uma imensa quantidade de jornalistas em Brasília. E gente muito boa e qualificada, que para conseguir fazer aquilo no dia a dia tem que ter uma qualificação enorme. Porque são assuntos extremamente complexos. E você tem que pegar aquilo e trazer para o nível do entendimento do cidadão comum. É uma imensa responsabilidade. Desde cedo, o meu mercado de trabalho era esse. Eu fui me interessando cada vez mais e me apaixonando pelo assunto. E, de fato, é muito interessante mesmo. Até fazer uma trajetória em que eu fiz um curso de Especialização em Ciência Política. E aí foi que eu realmente me aprofundei e me dediquei quase que exclusivamente a isso.

Jornalista relembra início da carreira Reprodução/Instagram

R7 — Sua estreia na RECORD foi em 1994, como repórter especial do Jornal da Record, cobrindo assuntos políticos. Como é para você relembrar essa época? O início de sua carreira?

Chris Lemos Carreira de muito trabalho, empenho e paixão por essa atividade. É muito interessante, às vezes, me flagrar vendo autoridades que entrevistei, e que eram muito importantes na época, hoje, num outro momento de vida. Ou muito envelhecidos, ou fora daquela atividade, fazendo uma coisa completamente diferente. E você diz assim, ‘poxa, eu vivi essa experiência com aquela pessoa, eu vivi aquela experiência com aquela outra pessoa’. Mas o mais importante de tudo é você saber dos fatos históricos que testemunhou. E para o jornalista que cobre política, é a essência. Você estar ali no momento, por exemplo, que o Collor desceu a rampa. Você estar ali no momento em que a carta de impeachment foi entregue ao Senado. Você estar ali no momento em que, não em momentos ruins, mas nos importantes, quando o Fernando Henrique quebrou o monopólio do petróleo. São coisas históricas, muito grandes, e que vão desenhar o futuro do país. Então, lá na frente, você olha para trás e fala assim, ‘isso está acontecendo hoje porque aconteceu isso, mais isso, mais isso e isso’. Você consegue enxergar o fio condutor da história que trouxe ao fato de hoje. Essa é uma ótica privilegiada. É o privilégio de poder olhar para trás e poder compreender o sentido do que está acontecendo hoje com um olhar projetado no tempo. Isso realmente é um privilégio, porque você não leu, você não estudou num livro de escola, você estava lá, no dia e no momento do fato. Então, tudo isso faz uma enorme diferença.

É o privilégio de poder olhar para trás e compreender o sentido do que está acontecendo hoje com um olhar projetado no tempo

(Chris Lemos)

R7 — Toda essa experiência lhe rendeu um prêmio bem importante: o Cavaliere della Stella d’Italia (2019) — concedido pela Embaixada da Itália. O que significa esse reconhecimento?

Chris Lemos Essa foi uma coisa bem peculiar. É uma honraria, uma comenda muito importante, concedida a pessoas desde o tempo da guerra, era um sinal de gratidão da nação italiana a alguém que tivesse feito algo de importante com os cidadãos, para os italianos. E, depois de tanto tempo, agora em tempos de paz, em tempos modernos, eu recebo essa comenda das mãos do embaixador Bernardini. Foi muito bonito, porque, de fato, a minha história com a Itália, além de ser uma história pessoal, é também profissional. E com muitas trocas, muito rica, trocas de mim para eles e deles para mim. Eu fico muito honrada de ter sido laureada com essa comenda do governo italiano.

R7 — E agora falando de Jornal da Record, você tem se dedicado exclusivamente à sua área, política e economia. No quadro, consegue trazer esse cenário político para as pessoas de casa com uma linguagem simples e explicativa. É importante essa comunicação com o público?

Chris Lemos Sem sombra de dúvida. A gente tem que ter em mente o seguinte: a RECORD é uma empresa que fala com a população mais simples do país. E eu tenho muito orgulho de ser reconhecida pelo porteiro, pelo atendente da padaria, pelo motorista de táxi. Essas pessoas são as que estão atentas ao que está acontecendo, ao contrário do que se pensa. Essas pessoas querem ser informadas. Elas não querem ser passadas para trás, elas não querem ser iludidas. Elas percebem claramente quando a informação está maquiada. E eu nunca, nem uma vez, seja qual for o Governo, seja qual for a política, desde que eu estou em São Paulo, jamais fui abordada de uma maneira hostil, 100% das vezes as pessoas se dirigem a mim de forma respeitosa e carinhosa para dizer, eu vejo você na TV, eu gosto muito da maneira como você explica as coisas, você é muito firme, é muito comum ouvir essa frase, e a gente percebe que você sabe do que está falando.

Então, não tem prêmio maior que esse. Pode me dar o prêmio que quiser. Este é o meu prêmio. É você ter uma pessoa do povo, que busca a informação como qualquer outra, com todas as dificuldades de entendimento que possa ter, com todas as barreiras de preconceito que possa vencer, me abordar e falar assim, poxa, admiro o seu trabalho. Então, se você pensar que isso é uma pessoa que está absorvendo uma informação de política, que não levantou para tomar um copo d’água, que não mudou de canal, é sensacional. A minha realização é essa, para ser bem franca, é saber que a informação chega limpa e clara.

A minha realização, para ser bem franca, é saber que a informação chega limpa e clara

(Chris Lemos)

Sem desconhecer o seguinte, antes de mim tem uma equipe enorme, tem uma praça inteira de Brasília (DF), que tem dezenas de profissionais especializados, que entregam um trabalho para a cabeça de rede, que tem outros tantos profissionais de enorme capacidade, e ali eu vou trazer a notícia, interfiro aqui e ali, opino aqui e ali e comunico da melhor maneira. Então assim, não é um trabalho individual, eu estou remetendo ao que as pessoas dizem para mim, mas eu recebo em nome da equipe.

Chris revela o que mais a alegra em sua profissão Antonio Chahestian/RECORD

R7 — A sua estreia como colunista de política e economia do Jornal da Record foi marcada pela entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, direto do Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Você também esteve com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Essas entrevistas consolidam ainda mais a sua experiência de mais de 30 anos cobrindo os principais momentos políticos e econômicos da história do Brasil?

Chris Lemos Foi fundamental e importante. Agora, engraçado, a experiência agrega uma coisa que chama-se sangue-frio. Eu estava ali como uma pedra de mármore, porque sabia perfeitamente que estava tudo pronto, eu estava pronta e o presidente estava pronto, e a notícia era enorme, então eu dizia que ia ser um pênalti sem goleiro, porque era tão fácil fazer aquilo, na medida em que ele sabia exatamente o que ele queria comunicar, e eu sabia exatamente o que eu queria perguntar, e aquele fato era um fato de primeira grandeza, então não tinha perigo de dar errado, estava absolutamente tranquila.

A experiência agrega uma coisa que chama-se sangue frio

(Chris Lemos)

Agora, eu cobri os dois mandatos do Lula, então eu conheço essa equipe, eu conheço essas pessoas pessoalmente, elas se lembram de mim e eu me lembro delas, e toda a vida o nosso trato foi muito honesto, correto e verdadeiro, assim, eles me respeitam, como jornalista eu os respeito, como políticos e como autoridades. De forma que não há uma prevenção, não há uma antipatia, pelo contrário também não há uma simpatia, que não é o caso, eu estou ali como jornalista e eles entendem meu papel, e eles estão ali como políticos e autoridades, e eu entendo o papel deles, e isso é tácito, de forma que é uma tarefa para mim, hoje, muito simples. E é verdade.

Eu estava ali para fazer o melhor possível e foi feito. A empresa te transferiu uma responsabilidade gigantesca, então você tem que fazer uma entrega, por todas as razões, pela empresa, pelo público, pelo tamanho da responsabilidade, pelo tamanho da autoridade que está na sua frente. E a empresa que tem um profissional que ela criou, no qual ela investiu, e que esse profissional vai sentar na frente do presidente da República, também é algo relevante. Quer dizer, não pegou uma pessoa a laço, é um profissional que tem 32 anos de casa, e que fez 32 anos isso. Então, é por isso que eu estou sentada ali, não é outra pessoa. Então, é um investimento da empresa no profissional, e ali está o ganho por esse investimento.

Chris considera o momento atual uma fase interessante Reprodução/Instagram

R7 — Considera o momento atual uma consolidação de sua carreira ou mais uma fase?

Chris Lemos É uma fase bem legal, interessante, nesse aspecto. Eu cumpri um papel muito importante do meu ponto de vista, quando eu cheguei aqui em São Paulo. Eu era uma repórter de política tarimbada, a principal repórter em Brasília (DF), há muitos anos. Eu cheguei aqui num momento de muita instabilidade, interna e externa, num auge, no terceiro mês da pandemia. O Brasil não sabia para onde ia, as autoridades não sabiam para onde iam, e havia uma necessidade de estabilizar o Jornal do Record, por uma circunstância interna. E eu me sentei ali e estabilizei o Jornal do Record. E ali não foi ninguém, fui eu. As pessoas atribuíram a mim aquela tarefa e eu entreguei. A empresa confiou e foi o que eu fiz.

Acho que essa missão foi concluída, no cabo de cinco anos, o jornal está estabilizado, não houve queda de audiência, não houve, como é que eu digo, nenhuma interrupção, nenhuma quebra de continuidade no trabalho que vinha sendo feito, porque me sentei do lado do Celso Freitas e nós conduzimos o jornal como ele devia ser numa crise impensável, que era a crise da pandemia. E, ao cabo de cinco anos, as coisas se estabilizaram de uma determinada forma, cumpri minha missão e estou de volta à minha atividade original, que é a cobertura política.

Cumpri minha missão e estou de volta à minha atividade original, que é a cobertura política

(Chris Lemos)

R7 — O seu Blog no R7 sobre política é um complemento do que é noticiado na TV? Como é para você estar atrás das câmeras e escrever sobre as suas coberturas jornalísticas?

Chris Lemos É o exercício da minha verdadeira vocação. Tenho muito carinho pelo meu Blog como tenho um imenso carinho pelo R7. Eu sou fundadora do R7. A primeira equipe, o dia da inauguração, o primeiro time de repórteres. Eu estava aqui na RECORD. E eu fui um dos primeiros blogues e continuo. E é onde eu consigo opinar, informar, trazer o fato exclusivo e o meu olhar sobre a situação que está acontecendo agora. E é muito importante essa janela.

Considero jornalista a pessoa que escreve

(Chris Lemos)

Posso dizer uma coisa sem medo de errar: considero jornalista a pessoa que escreve. Sem preconceito com quem não escreve, há jornalistas que são gestores, que comandam uma empresa. Há todo tipo de jornalista. Mas o jornalista, pra mim, é o cara que escreve. Eu posso dizer, pode ser até um preconceito e tal, mas não é exatamente o perfil, para mim, de um profissional. Essencialmente, é o cara que escreve. Ele consegue traduzir aquilo para você. O texto que vai se apresentar na televisão é o texto que é escrito. É improvisado ali, mas é em cima de algo que foi escrito.

É por isso que eu, jovenzinha, dizia que seria escritora. E no final das contas, acabei sendo.

R7 — Você é bem ativa nas redes sociais, compartilha as entrevistas, viagens, posts do Blog e interage bastante com o público. Pode falar sobre essa interação?

Chris Lemos Tudo isso é muito novo. Imagina, eu sou uma pessoa pré-celular. Quando eu entrei numa TV pela primeira vez, havia uma coisa chamada Telex. Havia uma salinha onde havia um operador de Telex, que não era um jornalista. E você provavelmente não sabe nem o que é isso. É um aparelho onde você digita uma frase. Aquela frase era a manchete do jornal. E, por meio do Telex, aquela frase chegava no que seria a cabeça de rede. Então, por exemplo, a escalada do jornal, que você lê, são aquelas frases que o apresentador lê. Aquilo era digitado no Telex. Pra que, no caso, a empresa que eu trabalhava, a primeira empresa, foi a Manchete, chegasse no Rio de Janeiro e os apresentadores tivessem as manchetes de Brasília, eram enviadas por Telex. Quer dizer, não era por telefone, não era por fax, era por Telex. É algo muito antigo. Então, eu sou uma pessoa que saiu do Telex e veio parar na Inteligência Artificial. Uma transição. A gente não sabe disso. As próximas gerações vão olhar para nós como dinossauros. Mas o fato é que nós somos uma geração de transição da tecnologia de comunicação. E a gente vai capotando, né? De acordo com os avanços e vai tentando absorver e assimilar.

Nós somos uma geração de transição da tecnologia de comunicação

(Chris Lemos)

A primeira vez que eu vi um celular, ele era gigante e estava na mão do meu concorrente. E eu me senti uma formiguinha. ‘Agora estou perdida’. Porque ele tem um aparelho que vai falar agora a notícia para o chefe dele. E eu vou ter que achar um orelhão, vou ter que achar um telefone fixo, vou ter que entrar pra dentro do Ministério deles, pedir emprestado um ramal para telefonar para a televisão. Então ali abriu um abismo. Quando eu vi na mão de um concorrente meu, de uma empresa grande, um aparelho de celular. E aí eu falei: ‘Estou perdida, como é que eu vou concorrer agora?’ Mas aí, claro que a gente muito rapidamente se adapta a essas tecnologias todas. E eu me lembro que eu fui fazer uma viagem internacional e todos os outros concorrentes já tinham celulares muito arcaicos, mas tinham celulares. E eles me arrumaram um celular que funcionava via satélite. Que era um aparelho enorme, pesadíssimo. E eu levei aquilo, pensando: ‘Vou conseguir, porque eu tenho um celular via satélite’. Quer dizer, hoje é impensável.

Chris analisa avanço da tecnologia Reprodução/Instagram

Mas você me perguntou de Instagram, só para te dizer, do quanto é difícil para uma pessoa que sai desse ambiente e vai parar numa coisa que torna-se natural e torna-se hoje assimilada, que é a rede social, que são as mídias digitais. Então, assim, é muito fácil para quem tem 20 anos, para quem tem 17, e que já nasceu com isso, brotou com isso. Para outras gerações, é sempre um aprendizado.

Mas eu gosto, eu tenho prazer de fazer. Não faço por obrigação. Acho bacana e divertido. É uma forma de comunicação interessante, eficiente. E tem um problema, que é o vício. É viciante, tudo isso é problemático. Então, tem que encontrar um equilíbrio e a gente tem que aprender a achar esse equilíbrio.

R7 — Quem é a Chris fora da TV?

Chris Lemos A Chris em casa gosta de cozinhar, de viajar, de encontrar amigos, de dar boas gargalhadas, gosta de arte, cinema, música, de tudo que todo mundo gosta, com qualidade.

Mas gosto muito de natureza, de estar fora, no meio da natureza, gosto de praia muitíssimo, gosto de viajar e de estar com pessoas fora do país, amigos e tudo mais. E, enfim, uma pessoa absolutamente comum com prazeres que são prazeres que toquem a sensibilidade da gente e nos alimentam o espírito para seguir a frente.

Chris revela hobbies da vida pessoal Reprodução/Instagram

R7 — É difícil conciliar a carreira com a vida pessoal?

Chris Lemos Em certa medida, até que não, nesse momento de vida. Como repórter, talvez eu diria que sim.

Mas você sabe o que me orgulha nisso tudo, para ser bem franca? Não é fácil uma pessoa estar 32 anos consecutivos no vídeo. Nem um ator, nem uma jornalista, nem um apresentador. É muito raro chegar a esse nível. Eu até, deve haver outros casos, mas eu acho que sou um caso raro. De uma pessoa que não deixou de estar no vídeo nem um dia ao decorrer de 32 anos. Porque são muitos altos e baixos, as pessoas são demitidas, vão fazer outra coisa, mudam de profissão, vão trabalhar na Redação. Então, afinal, era uma vocação porque ela tornou-se consistente a ponto de me trazer ao longo de 32 anos consecutivos. E aí estou eu. Ainda estou aqui.

Afinal, era uma vocação, porque tornou-se consistente a ponto de me trazer ao longo de 32 anos consecutivos

(Chris Lemos)

Esse exercício que eu fiz ao final, é o mais importante. Porque, para falar a verdade, eu me dei conta disso há muito pouco tempo. Porque você vai vivendo, as coisas vão acontecendo. E quando você muda de fase, que efetivamente foi uma mudança importante agora, essa que acaba de acontecer, é que você também percebe. Eu já estou há 32 anos fazendo isso. É bastante. E vídeo é uma coisa muito peculiar. O menor erro você está fora. É uma exposição bem grande e é uma trave de risco. Então, assim, digamos que eu atravessei nessa corda bamba, em cima do fio da navalha, por 32 anos. Isso não é pouco. É essa a sensação que eu tenho hoje. Francamente, é uma sensação de que não tenho mais que ficar provando isso ou aquilo. Eu quero trabalhar. Eu quero fazer jornalismo. Se você é repórter ou âncora, está feliz em ser jornalista? É essa sua profissão? Então o importante é exercer sua profissão com amor, dedicação e prazer, senão a vida fica muito sem graça.

O importante é exercer sua profissão com amor, dedicação e prazer, senão a vida fica muito sem graça

(Chris Lemos)

O Jornal da Record vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 19h55, e aos sábados, a partir das 19h45, na tela da RECORD.

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