Alimentação infantil: estudo explica por que escolhas saudáveis são tão difíceis para os pequenos
Pesquisa mostra que escolhas alimentares das crianças vão muito além da decisão dos pais
Fala Ciência|Do R7

Quando uma criança rejeita verduras, pede salgadinhos ou insiste em alimentos vistos na internet, muitas pessoas apontam imediatamente a família como responsável. No entanto, uma nova pesquisa mostra que a realidade é muito mais complexa. As escolhas alimentares das crianças são influenciadas por diversos fatores que vão além do que acontece dentro de casa.
O estudo Comportamento Alimentar: Percepções e Desafios da Alimentação Saudável, realizado pelo Instituto Pensi com famílias de diferentes regiões do Brasil, identificou que aspectos econômicos, sociais e culturais exercem forte impacto sobre aquilo que chega ao prato infantil.
Muito mais do que uma questão de informação
Um dos resultados mais interessantes da pesquisa é que a maioria das famílias sabe identificar o que constitui uma alimentação saudável. Alimentos como frutas, verduras, legumes, arroz, feijão e preparações caseiras são amplamente reconhecidos como opções benéficas.
Por outro lado, produtos como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e fast food também são vistos como menos saudáveis.
O desafio, portanto, não está na falta de conhecimento. O que frequentemente dificulta a adoção de hábitos mais saudáveis são fatores como:
Essa combinação cria um cenário em que a praticidade muitas vezes acaba prevalecendo sobre a intenção de oferecer refeições mais equilibradas.
O poder da publicidade e das telas
A pesquisa mostrou que muitas escolhas alimentares infantis são influenciadas por conteúdos vistos em celulares, tablets, televisão e redes sociais.
Esse resultado encontra respaldo em uma revisão sistemática publicada no JAMA Pediatrics, que analisou 96 estudos e encontrou associação entre a exposição ao marketing de alimentos e o aumento do consumo, da preferência e dos pedidos de compra por parte de crianças e adolescentes.
Em outras palavras, embalagens chamativas, personagens famosos e campanhas publicitárias podem influenciar diretamente aquilo que os pequenos desejam consumir.
Por que os ultraprocessados ganham espaço?
Os alimentos ultraprocessados apresentam características que favorecem sua presença na rotina das famílias. Eles costumam ser duráveis, prontos para consumo, amplamente disponíveis e, muitas vezes, mais práticos do que preparar refeições completas.
Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019) mostram que o consumo desses produtos já faz parte da rotina de grande parte das crianças brasileiras.
Além disso, um levantamento do UNICEF, publicado em 2026, apontou que metade das crianças avaliadas havia consumido algum ultraprocessado no lanche do dia anterior.
Embora sejam convenientes, esses produtos geralmente apresentam maiores quantidades de açúcar, sódio e gorduras, fatores associados ao aumento do risco de obesidade e outras doenças crônicas ao longo da vida.
A escola também molda hábitos alimentares
Outro ponto destacado pela pesquisa é o papel da escola na formação dos hábitos alimentares.
Além de fornecer refeições, o ambiente escolar influencia preferências, comportamentos e a relação das crianças com a comida. Por isso, iniciativas que priorizam alimentos in natura e minimamente processados podem contribuir para a construção de hábitos mais saudáveis desde os primeiros anos de vida.
O prato infantil reflete a sociedade
Os resultados indicam que a alimentação das crianças é resultado de uma rede complexa de influências. Renda familiar, disponibilidade de alimentos, rotina de trabalho, publicidade, ambiente escolar e acesso à informação atuam simultaneamente na construção dos hábitos alimentares.
Por isso, especialistas defendem que a promoção de uma alimentação saudável não deve recair exclusivamente sobre as famílias. O enfrentamento desse desafio exige ações coletivas que envolvam educação alimentar, ambientes mais saudáveis e maior acesso a alimentos nutritivos.














