Astrônomos encontram sinais de buracos negros expulsos de galáxias gigantes
Mistério dos buracos negros fugitivos ganha nova explicação científica
Fala Ciência|Do R7

Os buracos negros supermassivos estão entre os objetos mais extremos do Universo. Localizados nos centros de grandes galáxias, eles podem possuir milhões ou até bilhões de vezes a massa do Sol. Agora, uma nova pesquisa sugere que alguns desses gigantes cósmicos podem ser literalmente expulsos de suas posições centrais após colisões galácticas violentas.
O estudo, disponibilizado no servidor científico arXiv por uma equipe internacional liderada por Bence Bécsy e colaboradores, apresenta novas evidências estatísticas para um fenômeno previsto há décadas pela teoria: os chamados buracos negros supermassivos em recuo. Entre os principais resultados da pesquisa estão:
Quando gigantes colidem
As galáxias não permanecem isoladas para sempre. Ao longo de bilhões de anos, elas podem se aproximar e se fundir. Quando isso acontece, os buracos negros supermassivos localizados em seus núcleos entram em uma complexa dança gravitacional até finalmente se unirem.
Durante essa fusão, ocorre um fenômeno extraordinário. Caso os buracos negros possuam massas diferentes ou rotações desalinhadas, a emissão de ondas gravitacionais pode acontecer de forma desigual. Como consequência, o objeto resultante recebe um impulso capaz de lançá-lo a velocidades impressionantes.
Em alguns cenários, esses corpos podem atingir centenas ou até milhares de quilômetros por segundo, tornando-se verdadeiros viajantes cósmicos.
A pista escondida na poeira galáctica
Como esses buracos negros são extremamente difíceis de observar diretamente, os pesquisadores buscaram evidências indiretas. A estratégia envolveu analisar a relação entre a velocidade dos quasares, núcleos galácticos extremamente luminosos alimentados por buracos negros ativos, e a quantidade de poeira presente ao redor deles.
Os resultados mostraram uma correlação significativa entre esses dois fatores. A descoberta sugere que parte dos quasares observados atualmente pode estar associada a buracos negros que foram deslocados de suas posições originais após uma fusão recente.
Embora a pesquisa não forneça uma prova definitiva, ela fortalece uma hipótese que há muito tempo desperta interesse entre cosmólogos.
Um tesouro para a próxima geração de observatórios
A descoberta ganha ainda mais importância diante da chegada de futuras missões espaciais voltadas à detecção de ondas gravitacionais, como a LISA, da Agência Espacial Europeia (ESA).
Esses instrumentos poderão observar diretamente sinais produzidos por fusões de buracos negros supermassivos, oferecendo uma oportunidade inédita para compreender como esses objetos evoluem e influenciam a estrutura das galáxias.
Se os resultados forem confirmados por observações futuras, os astrônomos poderão finalmente rastrear alguns dos objetos mais rápidos, massivos e misteriosos já encontrados no Universo.














