Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Golfinhos se chamam pelo nome? A descoberta impressiona até hoje

Pesquisas revelam que esses mamíferos marinhos possuem assinaturas sonoras individuais para se reconhecerem.

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

  • Google News
Golfinhos usam sons únicos que funcionam como verdadeiros nomes no oceano. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Poucos sons conseguem se destacar tanto quanto o próprio nome. Em meio ao barulho de várias conversas acontecendo ao mesmo tempo, nosso cérebro é capaz de identificar rapidamente essa informação e associá-la à nossa identidade. Durante muitos anos, acreditou-se que esse tipo de reconhecimento individual fosse uma característica essencialmente humana. Porém, estudos com golfinhos mostraram que a natureza desenvolveu soluções surpreendentemente parecidas muito antes de nossa espécie surgir.

A descoberta surgiu a partir de pesquisas em Bioacústica, área da ciência dedicada a compreender como os seres vivos utilizam os sons para interagir. Ao analisar milhares de vocalizações registradas ao longo de décadas, os cientistas perceberam que os golfinhos produzem sinais acústicos próprios que funcionam como verdadeiras marcas individuais dentro do grupo.


Cada golfinho possui uma assinatura sonora exclusiva

Os golfinhos-nariz-de-garrafa estão entre os animais mais comunicativos dos oceanos. Eles utilizam assobios, cliques e diversos outros sons para navegar, localizar alimento e manter contato com seus companheiros.


Entre essas vocalizações existe uma especialmente importante: o apito-assinatura, conhecido na literatura científica como signature whistle.

Esse padrão sonoro começa a ser desenvolvido nos primeiros anos de vida e apresenta características únicas para cada indivíduo. Embora pequenas variações possam surgir ao longo do tempo, a estrutura principal permanece reconhecível pelos demais membros da comunidade.


Na prática, essa vocalização funciona como uma espécie de identificação pessoal, permitindo que os golfinhos saibam exatamente quem está emitindo determinado sinal.

O experimento que mudou a forma de enxergar os cetáceos


Uma das evidências mais marcantes desse fenômeno veio de pesquisas conduzidas pela Universidade de St Andrews, na Escócia. Trabalhos coordenados por Vincent M. Janik demonstraram que os golfinhos respondem de maneira seletiva quando escutam o apito característico de indivíduos conhecidos.

O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) em 19 de fevereiro de 2013, revelou que os animais reconhecem essas assinaturas sonoras mesmo na ausência do indivíduo que as produziu originalmente.

A ciência descobriu que golfinhos reconhecem amigos apenas pelo som. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

O resultado chamou atenção porque sugere que o som não é interpretado apenas como um estímulo qualquer. Ele parece representar mentalmente um indivíduo específico da comunidade. Em termos simples, os golfinhos não reagem apenas ao som. Eles reconhecem quem aquele som representa.

Mais do que comunicação, um sinal de inteligência avançada

Essa habilidade exige um nível elevado de processamento cognitivo. Para que ela funcione, o cérebro precisa associar um padrão acústico a uma identidade individual armazenada na memória. Poucas espécies apresentam evidências tão claras desse tipo de reconhecimento social.

Além disso, os golfinhos demonstram outras capacidades cognitivas notáveis. Diversos estudos indicam que eles conseguem identificar a própria imagem diante de espelhos, um comportamento frequentemente utilizado como indicador de autopercepção e autoconsciência em animais.

Quando essa característica é combinada com memória social complexa, aprendizado vocal e reconhecimento individual, surge um retrato de uma inteligência muito mais sofisticada do que se imaginava há algumas décadas.

As descobertas continuam avançando

A comunicação dos cetáceos continua sendo uma das áreas mais fascinantes da biologia moderna. Em fevereiro de 2025, um estudo publicado na revista Marine Mammal Science, liderado por Elodie F. Briefer, investigou como características vocais individuais contribuem para o reconhecimento social entre mamíferos marinhos.

Os resultados indicaram que sinais acústicos exclusivos desempenham papel fundamental na organização social desses animais, especialmente em ambientes onde a visibilidade é limitada e o som se torna o principal meio de comunicação.

Um oceano cheio de identidades sonoras

Durante muito tempo, os sons produzidos pelos golfinhos foram vistos apenas como vocalizações simples. Hoje, a ciência sabe que a realidade é muito mais complexa.

Os apitos-assinatura demonstram que esses animais possuem um sistema de comunicação altamente desenvolvido, capaz de transmitir informações sobre identidade individual e fortalecer relações sociais dentro do grupo.

Embora não seja correto afirmar que os golfinhos possuem uma linguagem igual à dos seres humanos, as evidências mostram que eles desenvolveram algo extraordinariamente parecido com um sistema de “nomes”. E isso revela que a vida nos oceanos pode ser muito mais sofisticada do que imaginávamos.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.