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O risco silencioso dos “soros da beleza” e megadoses de vitaminas que viraram febre nas clínicas 

Nem toda vitamina em alta dose é eliminada pelo organismo, e algumas podem se acumular silenciosamente por meses

Fala Ciência

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Soros da beleza exigem cuidado e acompanhamento. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Uma picada que promete mais energia, imunidade fortalecida, pele radiante e cabelos saudáveis. Os chamados “soros da beleza” e as aplicações de vitaminas ganharam espaço nas clínicas e nas redes sociais, atraindo pessoas em busca de resultados rápidos. No entanto, por trás dessa tendência existe um detalhe biológico que muitas vezes passa despercebido: nem todas as vitaminas se comportam da mesma forma dentro do organismo.

Enquanto algumas são facilmente eliminadas quando consumidas em excesso, outras podem se acumular ao longo do tempo e provocar danos importantes ao fígado, rins e outros órgãos. É justamente aí que mora o risco silencioso das megadoses vitamínicas.


Duas famílias de vitaminas, dois comportamentos completamente diferentes

As vitaminas são divididas em dois grandes grupos: hidrossolúveis e lipossolúveis.


As hidrossolúveis, como a vitamina C e as vitaminas do Complexo B, dissolvem-se em água. Quando consumidas além da necessidade do organismo, parte desse excesso costuma ser eliminada pela urina.

Já as lipossolúveis, grupo que inclui as vitaminas A, D, E e K, apresentam um comportamento diferente. Elas dependem da gordura para serem absorvidas e podem ficar armazenadas no tecido adiposo e no fígado por longos períodos.


Por causa dessa característica, o consumo excessivo dessas vitaminas merece atenção especial.

A linha tênue entre benefício e toxicidade 


A popularização dos soros intravenosos e das suplementações em altas doses ajudou a disseminar a ideia de que vitaminas seriam substâncias totalmente seguras, independentemente da quantidade administrada.

Contudo, a ciência mostra que existe um limite. Acima dele, os benefícios podem dar lugar a efeitos adversos potencialmente graves.

O organismo precisa de vitaminas em quantidades adequadas, não em quantidades ilimitadas. Assim como ocorre com medicamentos, a dose faz diferença.

O perigo pouco conhecido da hipervitaminose D

A vitamina D desempenha funções importantes para a saúde óssea e imunológica. Porém, em excesso, pode provocar uma condição chamada hipervitaminose D.

Nessa situação, ocorre aumento da absorção de cálcio pelo organismo, levando à hipercalcemia, um quadro caracterizado pelo excesso de cálcio circulando no sangue.

As consequências podem incluir:

  • Náuseas e vômitos;
  • Fraqueza muscular;
  • Alterações cardíacas;
  • Formação de cálculos renais;
  • Lesão renal.

Em dezembro de 2025, um trabalho publicado na revista científica Frontiers in Endocrinology, liderado por Łukasz Obołończyk, discutiu os riscos associados à suplementação inadequada de vitamina D e destacou a necessidade de monitoramento para evitar quadros de toxicidade.

A vitamina A também pode sobrecarregar o fígado

Outro exemplo importante é a vitamina A, amplamente associada à saúde da visão, da pele e da imunidade.

Por ser armazenada principalmente no fígado, seu excesso pode levar à chamada hipervitaminose A. Em situações prolongadas, o acúmulo pode provocar inflamação hepática, alterações estruturais do órgão e, em casos graves, evolução para fibrose.

Uma revisão publicada em agosto de 2025 na revista científica World Journal of Hepatology, conduzida por María L. Pestalardo, analisou os mecanismos da toxicidade da vitamina A e destacou os efeitos do acúmulo excessivo sobre o tecido hepático.

Antes da próxima aplicação, vale fazer uma pergunta

Vitaminas são nutrientes essenciais, mas isso não significa que doses elevadas sejam automaticamente benéficas. A crença de que “se faz bem, mais fará melhor” não encontra respaldo na fisiologia humana.

Por isso, antes de iniciar soros vitamínicos, injeções de suplementos ou protocolos de altas doses, é fundamental contar com avaliação profissional e exames adequados.

Afinal, alguns excessos não provocam sintomas imediatos. E justamente por agirem em silêncio, podem passar despercebidos até que o fígado ou os rins comecem a mostrar sinais de sobrecarga.

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