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Partículas ultraenergéticas vindas do espaço em direção à Terra finalmente podem ter explicação

Novo estudo sugere que raios cósmicos extremos podem surgir de colisões entre estrelas de nêutrons

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Raios cósmicos ultraenergéticos podem nascer de colisões violentas entre estrelas de nêutrons. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

O universo continua produzindo fenômenos capazes de desafiar até mesmo as teorias mais avançadas da física moderna. Entre eles estão os misteriosos raios cósmicos de ultra-alta energia, partículas extremamente poderosas que atravessam o espaço em velocidades próximas à da luz e ocasionalmente atingem a Terra.

Agora, um estudo publicado na revista científica Physical Review Letters pode ter dado um passo importante para solucionar um dos maiores enigmas da astrofísica das últimas décadas: descobrir de onde vêm essas partículas gigantescas e como conseguem atingir energias tão extremas.


Os cientistas acreditam que alguns desses raios cósmicos podem ser compostos por núcleos atômicos mais pesados que o ferro, algo que ajudaria a explicar sua incrível resistência durante viagens cósmicas de milhões de anos-luz. Entre os candidatos mais prováveis para produzir essas partículas estão:

  • Colisões entre estrelas de nêutrons;
  • Explosões associadas à formação de buracos negros;
  • Supernovas extremamente energéticas;
  • Estrelas altamente magnetizadas em colapso.


A partícula “Amaterasu” intriga cientistas desde sua detecção

O interesse pelo tema aumentou ainda mais após a detecção da chamada partícula Amaterasu, identificada em 2021. Ela atingiu a Terra com uma energia impressionante, estimada em cerca de 40 milhões de vezes superior à produzida pelas partículas aceleradas no Grande Colisor de Hádrons.


Essa partícula se tornou um dos raios cósmicos mais energéticos já observados. O problema é que sua trajetória parecia apontar para uma região do espaço sem fontes evidentes capazes de gerar tamanha energia, aprofundando ainda mais o mistério.

Para tentar entender esse comportamento, os pesquisadores realizaram simulações detalhadas analisando como diferentes partículas perderiam energia ao viajar pelo universo.


Os resultados mostraram que partículas compostas por elementos ultrapesados conseguem sobreviver por muito mais tempo no espaço do que partículas leves, como prótons. Isso aumentaria significativamente as chances de alcançarem a Terra mantendo níveis extremos de energia.

Explosões extremas do universo podem explicar partículas misteriosas que atingem a Terra

Cientistas investigam partículas espaciais milhões de vezes mais energéticas que as do LHC. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A nova teoria reforça a possibilidade de que alguns dos eventos mais violentos do cosmos estejam por trás da origem dos raios cósmicos de ultra-alta energia. Entre os principais candidatos estão as colisões entre estrelas de nêutrons, corpos celestes extremamente compactos e densos.

Esses objetos concentram uma quantidade gigantesca de matéria em um espaço relativamente pequeno. Quando duas estrelas de nêutrons se fundem, ocorre uma liberação colossal de energia, acompanhada por ondas gravitacionais e intensas explosões de raios gama.

Segundo os pesquisadores, essas condições extremas podem funcionar como aceleradores naturais capazes de impulsionar núcleos atômicos ultrapesados a velocidades próximas à da luz.

A hipótese não apenas ajuda a compreender a origem dessas partículas cósmicas misteriosas, como também contribui para ampliar o entendimento sobre fenômenos extremos envolvendo buracos negros, explosões estelares e eventos ligados às ondas gravitacionais.

Com o avanço de telescópios espaciais e detectores cada vez mais sensíveis, os cientistas esperam confirmar se esses raios cósmicos realmente transportam elementos mais pesados que o ferro, uma pista considerada essencial para solucionar um mistério que desafia a astrofísica há décadas.

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