Gene da longevidade de animal raro prolonga vida e melhora saúde
Ciência avança na compreensão dos genes ligados à longevidade
Fala Ciência|Do R7

A busca por uma vida mais longa e saudável ganhou um novo capítulo com uma descoberta impressionante da ciência. Pesquisadores conseguiram transferir um gene associado à longevidade de um animal extremamente resistente ao envelhecimento para camundongos, resultando em melhora da saúde e aumento da expectativa de vida.
O estudo foi publicado na revista científica Nature por Zhihui Zhang e colaboradores, da Universidade de Rochester. A pesquisa analisou um dos animais mais curiosos da biologia do envelhecimento: o rato-toupeira-pelado, famoso por viver muito mais do que outros roedores e quase não desenvolver doenças relacionadas à idade.
O animal que quase não envelhece como os outros
Apesar da aparência incomum, o rato-toupeira-pelado chama atenção por características únicas. Ele pode viver até 41 anos, enquanto outros roedores vivem poucos anos. Além disso, apresenta uma resistência incomum a condições como:
Essa longevidade chamou a atenção dos cientistas, que passaram a investigar quais mecanismos biológicos protegem esse animal do envelhecimento acelerado.
A molécula protetora que chamou atenção dos cientistas
O foco da descoberta está no ácido hialurônico de alto peso molecular (HMW-HA), uma substância presente em níveis muito elevados nesses animais.
Essa molécula é produzida graças ao gene HAS2, que atua de forma mais intensa no rato-toupeira-pelado. Em comparação, ele possui cerca de dez vezes mais HMW-HA do que camundongos e humanos.
Esse composto está associado a funções importantes como:
Quando essa substância foi removida em estudos anteriores, as células do animal se tornaram mais vulneráveis ao desenvolvimento de câncer, indicando seu papel essencial na proteção biológica.
Transferindo um mecanismo de longevidade entre espécies

Para testar se esse “escudo biológico” poderia funcionar em outros mamíferos, os pesquisadores modificaram geneticamente camundongos para expressar a versão do gene HAS2 do rato-toupeira-pelado.
O resultado foi surpreendente. Os animais passaram a produzir mais HMW-HA em diversos tecidos e apresentaram mudanças importantes:
Além disso, houve um aumento de cerca de 4,4% na expectativa de vida mediana, um ganho considerado modesto, mas biologicamente muito significativo.
Um efeito importante no envelhecimento do corpo
Um dos pontos mais relevantes do estudo foi a redução da inflamação crônica, um dos principais fatores ligados ao envelhecimento humano. Esse efeito sugere que o HMW-HA atua de forma ampla no organismo, influenciando sistemas como o imunológico e o celular.
Embora ainda não se saiba todos os mecanismos envolvidos, os dados indicam que essa molécula ajuda a manter o equilíbrio dos tecidos e a evitar danos acumulados com o tempo.
Descoberta abre novas possibilidades no envelhecimento
Essa pesquisa não aponta uma solução imediata para aumentar a longevidade humana, mas mostra algo ainda mais importante: mecanismos naturais de proteção ao envelhecimento podem ser transferidos entre espécies.
Os cientistas agora exploram duas estratégias principais:
Ambas estão sendo estudadas em fases pré-clínicas e podem abrir caminho para novas abordagens em saúde preventiva e envelhecimento saudável.
Novas pistas reforçam o potencial da pesquisa
Estudos mais recentes indicam que o rato-toupeira-pelado possui outras adaptações importantes, como maior eficiência no reparo do DNA, o que ajuda a proteger as células contra danos acumulados.
Isso mostra que sua longevidade não depende de um único fator, mas de um conjunto de mecanismos biológicos combinados.














