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Pesquisa descobre segredo por trás da rápida evolução dos cactos nos desertos

Estudo revela que mudanças rápidas nas flores impulsionam a evolução acelerada dos cactos

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Fala Ciência|Do R7

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Cientistas descobriram que flores impulsionam evolução acelerada dos cactos nos desertos. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Os cactos costumam ser associados a crescimento lento e resistência extrema. Porém, uma nova pesquisa mostrou que essas plantas do deserto estão entre os grupos vegetais que evoluem mais rapidamente no planeta. A descoberta surpreendeu cientistas ao revelar que a velocidade da transformação floral, e não o tamanho das flores, é o principal motor da criação de novas espécies.

O estudo foi conduzido pela Universidade de Reading e publicado na Biology Letters. Os pesquisadores analisaram mais de 750 espécies de cactos para entender quais fatores influenciam sua diversificação evolutiva.


Os resultados desafiam ideias clássicas da biologia evolutiva, tradicionalmente associadas às observações de Charles Darwin sobre flores especializadas e polinização. Entre os principais achados da pesquisa estão:

  • Cactos geram novas espécies em ritmo acelerado;
  • O tamanho das flores não determina a diversificação;
  • Flores que mudam rapidamente favorecem novas espécies;
  • Desertos podem ser ambientes altamente dinâmicos;
  • A descoberta pode impactar estratégias de conservação.


O segredo está na velocidade das mudanças florais

Os cientistas avaliaram flores com tamanhos extremamente variados, desde estruturas minúsculas de apenas 2 milímetros até flores gigantes com 37 centímetros.


Apesar dessa enorme diferença, o comprimento floral apresentou pouca relação com o surgimento de novas espécies. O fator realmente importante foi a rapidez com que as flores mudavam de forma ao longo do tempo evolutivo.

Cactos estão criando novas espécies muito mais rápido do que pesquisadores imaginavam. (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Espécies cujas flores apresentavam transformações mais aceleradas mostraram taxas muito maiores de especiação, processo responsável pela formação de novas linhagens biológicas.


Isso indica que a capacidade de adaptação rápida pode ser mais importante do que características fixas altamente especializadas.

Desertos são mais vivos e dinâmicos do que parecem

A pesquisa também ajuda a mudar a visão tradicional sobre os desertos. Frequentemente considerados ambientes estáveis e hostis, esses ecossistemas podem funcionar como verdadeiros laboratórios naturais de evolução acelerada.

Os cactos surgiram e se diversificaram principalmente nas Américas nos últimos 20 a 35 milhões de anos. Atualmente, existem cerca de 1.850 espécies conhecidas, muitas delas adaptadas a condições ambientais extremas.

Além disso, os pesquisadores desenvolveram um grande banco de dados chamado CactEcoDB, reunindo informações sobre habitats, características físicas e relações evolutivas dos cactos.

Esse material poderá ajudar cientistas a prever como essas plantas responderão às mudanças climáticas nas próximas décadas.

Evolução rápida não significa proteção garantida

Mesmo com grande capacidade evolutiva, muitos cactos continuam ameaçados. Atualmente, quase um terço das espécies conhecidas corre risco de extinção devido à destruição de habitats, mudanças climáticas e coleta ilegal.

Por isso, os cientistas acreditam que o ritmo evolutivo pode se tornar um critério importante para definir prioridades de conservação.

A descoberta reforça que a evolução continua acontecendo de maneira intensa mesmo em ambientes aparentemente silenciosos. Nos desertos, pequenas mudanças nas flores podem estar moldando rapidamente o futuro de centenas de espécies.

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