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Pequena lagartixa pode revelar novos caminhos contra o câncer

Uma variedade rara de lagartixa-leopardo pode revelar como os tumores surgem, evoluem e se espalham

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Lagartixa Lemon frost pode revelar segredos sobre o câncer. (Foto: Dr. Tony Gamble via Marquette University) Fala Ciência

Uma pequena lagartixa-leopardo de aparência incomum pode se tornar uma grande aliada da ciência contra uma das doenças mais estudadas do mundo. Conhecida no comércio de animais de estimação como “lemon frost”, essa variedade chama atenção pela coloração branca e amarelada, mas também por um motivo preocupante: muitos indivíduos desenvolvem tumores agressivos naturalmente.

Enquanto algumas espécies parecem apresentar uma resistência impressionante ao câncer, essa lagartixa possui uma alta predisposição à doença. Para os pesquisadores, justamente essa característica pode oferecer uma oportunidade única para entender como os tumores aparecem, crescem e conseguem se espalhar pelo organismo.


Uma mutação que trouxe uma pista inesperada

A variedade lemon frost surgiu a partir de uma mutação genética espontânea durante processos de reprodução seletiva em colônias de lagartixas-leopardo.


Inicialmente, a característica chamou atenção apenas pela aparência diferenciada. Porém, com o passar do tempo, criadores perceberam que muitos desses animais desenvolviam tumores de crescimento rápido, alguns capazes de atingir outros tecidos do corpo.

Essa combinação entre uma alteração genética específica e uma alta frequência de câncer transformou o animal em um modelo de estudo bastante interessante para a biologia.


Diferentemente de muitos modelos tradicionais usados em laboratório, nos quais os cientistas precisam induzir artificialmente o surgimento de tumores, essas lagartixas desenvolvem a doença de forma espontânea. Isso permite observar etapas naturais do câncer, desde os primeiros sinais até sua evolução.

Genes da lagartixa revelam conexões com tumores humanos


Um estudo liderado pela Universidade de Nottingham, publicado na revista científica BMC Biology em 2026, investigou os mecanismos genéticos associados aos tumores da lagartixa-leopardo da variedade lemon frost.

A pesquisa, conduzida por Ylenia Chiari, analisou amostras de tecidos tumorais e saudáveis utilizando sequenciamento completo do genoma. Os pesquisadores identificaram alterações em genes e processos celulares que também aparecem relacionados a diferentes tipos de câncer em humanos e outros animais.

Os resultados indicam que algumas vias biológicas envolvidas no desenvolvimento dos tumores podem ser compartilhadas entre espécies diferentes. Dessa forma, estudar esses répteis pode ajudar a compreender melhor como determinadas alterações genéticas favorecem o aparecimento e a progressão do câncer.

A natureza pode guardar respostas para a medicina

Massas tumorais visíveis em lagartixa lemon frost. (Foto: Dr. Tony Gamble et al via BMC Biology) Fala Ciência

O câncer não afeta todas as espécies da mesma maneira. Enquanto algumas tartarugas e cágados raramente apresentam tumores, determinados animais possuem uma vulnerabilidade muito maior.

Essa diferença desperta uma pergunta importante para os cientistas: por que alguns organismos conseguem controlar melhor o crescimento celular desordenado enquanto outros desenvolvem câncer com facilidade?

A comparação entre espécies resistentes e suscetíveis pode revelar mecanismos naturais de proteção contra a doença.

A lagartixa-leopardo lemon frost representa uma dessas oportunidades porque permite investigar:

  • Como mutações específicas favorecem tumores.
  • Quais genes participam da progressão do câncer.
  • Como ocorre a disseminação das células tumorais.
  • Quais mecanismos naturais podem impedir o avanço da doença.

Biodiversidade também é uma fonte de descobertas médicas

A pesquisa com animais não humanos mostra que a evolução criou diferentes estratégias para lidar com doenças complexas. Cada espécie possui características únicas que podem contribuir para novas descobertas.

No caso dessa pequena lagartixa, uma alteração genética que inicialmente parecia apenas uma característica estética revelou uma importante janela para estudar o câncer.

Embora o animal ainda não seja um tratamento ou uma solução imediata para pacientes humanos, suas características podem ajudar pesquisadores a desenvolver novas hipóteses sobre prevenção, diagnóstico e terapias contra tumores.

A biodiversidade, portanto, não representa apenas uma riqueza ambiental. Ela também funciona como um verdadeiro banco de informações biológicas que pode inspirar avanços importantes para a saúde humana.

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