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Supercomputador revela como o universo cria gigantescos campos magnéticos organizados

Simulações avançadas revelam como turbulência cósmica gera campos magnéticos gigantescos e organizados

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Campos magnéticos gigantes podem nascer do caos cósmico, revela nova simulação extrema. (Imagem: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

Os campos magnéticos cósmicos estão espalhados por praticamente todo o universo. Eles influenciam estrelas, planetas, galáxias e até fenômenos extremos, como explosões solares e colisões entre estrelas de nêutrons. Apesar disso, uma grande pergunta intrigava os cientistas havia décadas: como movimentos turbulentos e aparentemente caóticos conseguem gerar estruturas magnéticas tão organizadas?

Agora, uma pesquisa publicada na revista Nature pode ter encontrado a resposta. Utilizando algumas das simulações de plasma mais avançadas já realizadas, cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison conseguiram reproduzir, em supercomputadores, o surgimento de enormes campos magnéticos organizados a partir da turbulência espacial.


Os pesquisadores perceberam que determinados fluxos de plasma criavam padrões semelhantes a jatos, capazes de organizar o magnetismo em larga escala.

  • O estudo utilizou cerca de 137 bilhões de pontos de cálculo em 3D;
  • Foram realizadas aproximadamente 90 simulações diferentes;
  • O projeto consumiu quase 100 milhões de horas de processamento;
  • Os dados produzidos chegaram a cerca de 0,25 petabytes.


O ingrediente oculto por trás do magnetismo cósmico

Os pesquisadores descobriram que o fator decisivo era a presença de um gradiente de velocidade constante, fenômeno que ocorre quando partes de um sistema se movem em velocidades diferentes. Esse efeito é comum no interior do Sol, em discos ao redor de buracos negros e até em fusões de estrelas de nêutrons.


Nas simulações, pequenas perturbações iniciais geravam turbulência em pequena escala. Porém, conforme o tempo avançava, os fluxos turbulentos começavam a se alinhar, formando estruturas magnéticas muito maiores e mais organizadas.

Curiosamente, quando os cientistas removeram o gradiente de velocidade dos modelos, o resultado mudou completamente. O sistema permaneceu desordenado, sem produzir campos magnéticos estáveis.


Uma solução para um problema que durava 70 anos

Os chamados dínamos magnéticos são estudados há décadas para explicar a origem do magnetismo em objetos astronômicos. No entanto, os modelos tradicionais quase sempre geravam estruturas pequenas e caóticas, muito diferentes da organização observada no universo real.

O novo estudo sugere que fluxos semelhantes a jatos podem atuar como mecanismos naturais de organização magnética em ambientes extremos. Isso ajuda a explicar por que galáxias inteiras conseguem manter campos magnéticos coerentes durante bilhões de anos.

Além disso, os resultados podem melhorar previsões sobre erupções solares, clima espacial e fenômenos ligados à astronomia multimensageira.

Simulações podem transformar estudos sobre buracos negros e estrelas

Os cientistas acreditam que a descoberta terá impacto em diversas áreas da astrofísica moderna. Modelos envolvendo buracos negros, estrelas altamente magnetizadas e colisões cósmicas violentas poderão ser refinados com base nessa nova explicação.

Outro ponto importante é que o estudo aproxima resultados computacionais de observações experimentais obtidas em laboratórios de plasma nos últimos anos. Isso fortalece a hipótese de que o universo utiliza processos turbulentos para construir estruturas magnéticas gigantescas e relativamente estáveis.

Com isso, o trabalho abre caminho para uma nova compreensão sobre como o cosmos transforma caos em ordem em escalas inimagináveis.

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