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A 'caderneta' do racionamento cubano completa 50 anos cada vez menor

Cerca de 3,6 milhões de famílias cubanas possuem o documento que foi criado por Fidel Castro em 1963

Internacional|Do R7

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O governo cubano gasta cerca de R$ 2,7 bilhões (um bilhão de dólares) por ano para subsidiar arroz, café, carnes, grãos, macarrão, ovos, açúcar, sal, pão e outros alimentos que cada cidadão recebe em pequenas quantidades por mês
O governo cubano gasta cerca de R$ 2,7 bilhões (um bilhão de dólares) por ano para subsidiar arroz, café, carnes, grãos, macarrão, ovos, açúcar, sal, pão e outros alimentos que cada cidadão recebe em pequenas quantidades por mês

A "caderneta" do racionamento, que regula a venda de alimentos a preços subsidiados aos cubanos, completa 50 anos na sexta-feira (12), com um número cada vez menor de produtos, dividindo opiniões na ilha.

Implantado por Fidel Castro em 1963 para enfrentar a escassez de alimentos e a especulação de preços, o sistema desperta, desde então, sentimentos diversos — para uns é símbolo de pobreza, enquanto para muitos simboliza segurança.

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Cada uma das 3,6 milhões de famílias cubanas tem uma caderneta, que foi introduzida com "uma vocação de igualdade em momentos de escassez, para proteger nosso povo da especulação e da acumulação com fins lucrativos", disse o presidente Raúl Castro em abril de 2011, quando defendeu a necessidade de eliminá-la o mais rápido possível.

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Durante meio século, todos os cubanos receberam sua "cota" de alimentos a preços subsidiados através da "Caderneta de abastecimento", seu nome oficial. Antes, até os recém-nascidos tinham uma cota de café e todos os maiores de 17 anos recebiam cigarros, mesmo os que não fumavam.

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A caderneta "foi se transformando, com o passar dos anos, em uma carga insuportável para a economia e um desestímulo ao trabalho, além de gerar diversas ilegalidades", disse Raúl Castro. As irregularidades na cadeia de distribuição de alimentos estimulam o mercado negro.

O governo cubano gasta cerca de R$ 2,7 bilhões (um bilhão de dólares) por ano para subsidiar arroz, café, carnes, grãos, macarrão, ovos, açúcar, sal, pão e outros alimentos que cada cidadão recebe em pequenas quantidades por mês, por um preço total inferior a 50 pesos (cerca de R$ 4,50). As crianças recebem também leite em pó e iogurte de soja, e os doentes ganham os remédios necessários.

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Como a cota é insuficiente para suprir as necessidades do mês inteiro, as famílias cubanas precisam comprar mais alimentos em mercados a preços que não são subsidiados, o que representa um alto custo em um país onde o salário é, em média, R$ 43 (19 dólares) por mês.

Quando Raúl Castro substituiu seu irmão, Fidel, na Presidência, em 2006, uma das suas primeiras medidas foi a eliminação de "subsídios e gratuidades indevidas". A nova política seria subsidiar pessoas de baixa renda, e não produtos. Por isso, batata, grão-de-bico, cigarros, charutos, sabonete e pasta de dentes, foram saindo da caderneta e começaram a ser vendidos livremente, se tornando mais caros.

A importação de alimentos, que chega a R$ 4,3 bilhões (1,9 bilhão de dólares) por ano, é uma carga pesada para as finanças cubanas: a ilha compra do exterior 80% dos alimentos que consome.

Antes do VI Congresso do Partido Comunista — o único —, realizado em abril de 2011, os cubanos foram convocados por Raúl Castro a expor seus problemas em assembleias nos centros de trabalho e bairros, e a possível eliminação da caderneta "foi, sem dúvida, o assunto que provocou mais participação da população", disse o governante.

Por isso, Raúl Castro se viu obrigado a dizer que "ninguém em sã consciência na direção do país poderia decretar, de repente, a eliminação deste sistema, sem primeiro criar as condições para isto".

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