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A crise sem fim: Venezuela enfrenta ano de inflação recorde e escassez de produtos

Combinação de fatores políticos e estruturais agravaram a crise econômica e social no país

Internacional|Marta Santos, do R7

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População enfrenta uma baixa oferta de alimentos, produtos de higiene e medicamentos
População enfrenta uma baixa oferta de alimentos, produtos de higiene e medicamentos

A Venezuela vive uma profunda crise econômica, escassez de produtos e aos altos níveis de inflação. Em 2015, o país registrou a maior inflação do mundo: 180%. E, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), esse número tende a piorar. Este ano, a inflação deve atingir os 480%, e subir para 1.640% em 2017. Nesse cenário, a Venezuela chega perto do auge da hiperinflação brasileira, registrado em 1993, que alcançou 2.500%.

Uma combinação de fatores políticos e estruturais agravaram a crise venezuelana, entre eles, o fato de o país ser muito dependente da importação de produtos e de o preço petróleo ter caído. Já o presidente, Nicolás Maduro, também acusa governos (principalmente dos EUA), líderes e organizações empresariais de direita de terem participação na crise, com o intuito de desestabilizar seu governo socialista.

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Além disso, a tentativa do governo de amenizar a situação aumentando os salários da população e imprimindo mais notas de bolívares, a moeda nacional, acabou aumentando ainda mais a inflação. Nesse cenário, o país começou a ter dinheiro demais para produtos de menos, deixando mais caros até mesmo os itens mais básicos.

Os produtos básicos que se tornaram mercadorias de luxo com a crise na Venezuela

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"Economistas já apresentaram formas de tentar amenizar a crise, mas o governo não leva em conta. Ele se empenha em manter políticas fracassadas que deterioram os salários, provocam inflação, geram desabastecimento, paralisam o aparato produtivo e destroem a economia. Lamentavelmente, o governo está cego, surdo e mudo. É cruel que existam possibilidades de resolver a crise, mas não se faça nada a respeito", explica o professor Carlos Peña, diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade Central da Venezuela, em Caracas.

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No dia-a-dia, o peso da inflação se reflete diretamente no poder de compra da população. Entre os principais problemas enfrentados pela população, estão a baixa oferta de alimentos, produtos de higiene e medicamentos, além dos frequentes cortes de eletricidade e água. A situação se complicou a tal ponto que, em janeiro deste ano, o presidente Nicolás Maduro decretou estado de emergência no país, que ainda vigora e poderá será estendido até 2017.

— Para a população, isso é um calvário. Existem filas até para comprar pão. O desespero e a falta de esperança se apoderam cada dia mais dos venezuelanos. As crianças não assistem aulas porque não têm o que comer e/ou desmaiam. A situação da saúde é cada dia mais complicada. Não há remédios. Realmente, há uma crise humanitária e somos todos afetados. Desde as pessoas que recebem um salário mínimo até o profissional universitário. Claro, as famílias que recebem um salário mínimo são mais vulneráveis.

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