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Algas que soltam gases fatais interditam praias na França

Alimentadas pelos dejetos da produção agrícola local, microalgas que geram uma substância tóxica que pode até matar não param de crescer na Bretanha

Internacional|Fábio Fleury, do R7

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Placa indica que praia de Saint-Maurice foi fechada por razões de segurança
Placa indica que praia de Saint-Maurice foi fechada por razões de segurança

Seis praias no balneário de Saint-Brieuc, na região da Bretanha, no norte da França, foram fechadas neste mês por um forte motivo de segurança: a intensa proliferação de um tipo de microalga marinha que produz uma substância que pode levar à morte.

Familiares de Jean-René Auffray, 50, que morreu em 2016 enquanto corria em uma das praias do balneário, estão processando o estado por não ter promovido uma limpeza adequada.


O homem estava em forma, treinando para uma corrida de longa distância, e não tinha histórico de doenças. A conclusão dos parentes é que ele pode ter se intoxicado com gases emitidos pelas algas.

"Maré verde"


A chamada "maré verde" é um problema nas praias da região há muitos anos, mas vem se intensificando com o aumento da atividade agropecuária.

Em 2016, a Bretanha tinha uma população de 7,8 milhões de porcos para pouco menos de 3 milhões de humanos.


"Essa proliferação é comum em regiões que recebem entrada de agrotóxicos e insumos agrícolas, que liberam uma grande quantidade de nitrogênio e fósforo. Isso vira alimento pra microalgas e elas transformam em toxinas. Em casos extremos, a intoxicação pelo sulfeto de nitrogênio pode até matar", explica Vinícius Peruzzi, professor do Departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo o especialista, normalmente as toxinas produzidas pelas algas viram problemas quando elas são consumidas por peixes e moluscos, que depois são comidos por humanos.


No entanto, em quantidades maiores, ele tem um forte cheiro de ovos podres — o que acontece quando a alga já está em decomposição — e pode levar à morte.

Sem controle

E a pior parte, segundo Peruzzi, é que o ciclo de vida das microalgas é tão curto que torna o controle por parte do homem quase impossível. Dependendo da quantidade de nutrientes, elas podem se multiplicar em menos de uma hora.

A medida possível seria diminuir o uso de fertilizantes e insumos na região e aguardar a natureza tomar conta do excesso de toxinas.

"Depois que a alga se instalou, não tem como fazer um controle, não tem como filtrar milhões de litros d´água, não existe uma medida eficaz. O que dá para fazer é fechar a praia e evitar que as pessoas sejam expostas à água, que é o que está sendo feito", esclarece o biólogo.

Fábrica no limite

Perto de Saint-Brieuc, existe uma fábrica de compostagem, para onde são levadas as algas recolhidas na praia. Somente em 2018, a instalação recebeu cerca de 8 mil toneladas de microalgas que foram usadas para fazer fertilizante.

O volume foi se acumulando de tal maneira que o local foi fechado por alguns dias em julho deste ano, devido ao forte cheiro e às reclamações dos moradores.

Pedido ao governo

Um movimento de ecologistas e moradores da região vem pedindo medidas mais efetivas do poder público francês, especialmente visando práticas da agricultura que não tenham tanta produção de nitrogênio.

"A 'maré verde' voltou com toda a força este ano. O que não conseguimos entender é como os políticos eleitos não conseguem resolver essa crise ambiental e de saúde que já dura meio século. O governo já gastou milhões de euros e nada aconteceu. O que precisa mudar são as práticas agropecuárias", diz o manifesto do grupo Parem a Maré Verde na internet.

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