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Amigos e inimigos, líderes mundiais se unem em despedida a Mandela

Internacional|Do R7

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Por Ed Cropley e Pascal Fletcher

JOHANESBURGO, 9 Dez (Reuters) - Quase 90 líderes mundiais, desde o norte-americano Barack Obama ao iraniano Hassan Rouhani, estão a caminho da África do Sul para as cerimônias desta semana em homenagem a Nelson Mandela, numa reunião sem precedentes para celebrar a memória de um dos maiores pacificadores da humanidade.

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A presidente Dilma Rousseff viajou nesta segunda-feira ao lado dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva para acompanhar os eventos do funeral de Mandela.

O presidente de Cuba, Raúl Castro, do Zimbábue, Robert Mugabe, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, também participarão dessa que será uma das maiores reuniões globais de dignitários na história recente, numa cerimônia a ser realizada na terça-feira no estádio Soccer City, em Johanesburgo, informou a chancelaria sul-africana na segunda-feira.

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Mandela, primeiro presidente negro da história sul-africana, morreu na quinta-feira, aos 95 anos.

"O mundo todo está vindo para a África do Sul", disse o porta-voz da chancelaria, Clayson Monyela, minimizando as preocupações com a logística e a segurança de um evento tão grande, com prazo de apenas cinco dias para ser organizado a partir da morte do político -- que já tinha a saúde muito frágil nos últimos meses.

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Israel, que no passado foi aliado dos governantes do apartheid que mantiveram Mandela preso por 27 anos, não vai enviar nem o primeiro-ministro nem o presidente, segundo autoridades israelenses.

Grande parte do plano logístico está baseado na realização da Copa do Mundo de futebol de 2010. Embora a África do Sul tenha se recusado a discutir o funeral de Mandela antes de sua morte, as preparações estão sendo feitas há anos.

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"Obviamente não estamos começando do zero em termos de organização", disse Monyela. "Temos um sistema que entra em funcionamento sempre que a gente tem eventos dessa magnitude."

O estádio Soccer City, para 95 mil pessoas perto de Soweto, bairro que foi o epicentro da luta contra o apartheid, foi o local da última aparição pública de Mandela, que em 2010, dentro de um carrinho de golfe, acenou para a torcida na final da Copa do Mundo de futebol.

Além de segurança, o memorial no estádio representa para as autoridades um campo minado diplomático - tentando evitar um a chance de, digamos, um encontro de Mugabe com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, a quem chamou de "menino" e "mentiroso".

Os mais próximos a Madiba, nome do clã pelo qual Mandela era conhecido, dizem que ele iria querer apertos de mão, e não enfrentamentos.

"Amanhã (terça-feira), as pessoas deveriam honrar suas relações com Madiba. Se isso significa apertar as mãos do inimigo, sim, eu gostaria de ver isso", afirmou à Reuters Zelda la Grange, sua assistente pessoal por mais de uma década.

"Isso é o que realmente foi e é Nelson Mandela -- unir as pessoas apesar de suas diferenças."

Desde que Mandela morreu em sua casa, cercado pela família e após uma longa batalha contra uma infecção pulmonar, os 52 milhões de sul-africanos mergulharam numa comoção que não se via desde que Mandela foi libertado após 27 anos de prisão, em 1990, e da sua eleição presidencial, quatro anos mais tarde.

No domingo, admiradores lotaram igrejas, mesquitas, sinagogas e salões comunitários para rezar e louvar o homem que é considerado o Pai da Nação e um farol global de integridade, retidão e reconciliação.

Após a celebração de terça-feira, o corpo de Mandela será velado durante três dias nos Edifícios da União, em Pretória, onde ele tomou posse como presidente, em 1994. O enterro será no dia 15, em Qunu, aldeia do seu clã, na província do Cabo Oriental. Esse evento, segundo Monyela, terá um caráter mais familiar, com a presença de poucos líderes mundiais. (Reportagem de Pascal Fletcher e Peroshni Govender)

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