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ANÁLISE-Acordo sobre armas químicas distancia rebeldes sírios do Ocidente

Internacional|Do R7

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Por Khaled Yacoub Oweis

AMÃ, 20 Set (Reuters) - A oposição síria está muito decepcionada com a decisão norte-americana de negociar um acordo com Moscou para eliminar o arsenal químico de Bashar al-Assad, mas diplomatas alertam a Coalizão Nacional Síria sobre o risco de o grupo perder o apoio ocidental se não conseguir se adaptar às novas realidades.

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A divergência já fez com que parte da oposição síria se distancie dos EUA, e pode complicar os esforços internacionais para resolver uma guerra civil que já dura dois anos e meio, segundo diplomatas e fontes oposicionistas.

O conflito está numa fase de impasse no campo de batalha, e os rebeldes esperavam que os EUA alterassem esse equilíbrio em favor da oposição, caso Washington realizasse uma intervenção militar para punir Assad pelo suposto uso de armas químicas contra civis.

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Mas na semana passada os EUA e a Rússia chegaram a um acordo para destruir o arsenal químico sírio, o que reduz a possibilidade de um ataque norte-americano. A estratégia de Washington agora parece ser usar o acordo como base para uma solução política mais abrangente para o conflito.

A oposição considera que o acordo com a Rússia implica na prática uma admissão da legitimidade do governo Assad, afetando os objetivos da rebelião síria e reduzindo a chance de que uma eventual conferência de paz resulte na deposição do regime.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta semana que, embora ainda tenha como meta uma "transição" que tire Assad do poder, a prioridade é eliminar o arsenal químico.

Diplomatas que monitoraram no fim de semana uma importante reunião da oposição síria em Istambul disseram que a inflexibilidade da coalizão ao lidar com a mudança de prioridades diplomáticas citada por Obama pode privar a oposição do apoio ocidental.

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AUMENTA O CAOS

O Exército Sírio Livre (ESL), facção rebelde que tem apoio árabe e ocidental, precisa de todos os aliados que puder ter para enfrentar o crescente caos nas áreas rebeldes. Enquanto isso, grupos ligados à Al Qaeda, também envolvidos no conflito contra Assad, enfrentam paralelamente combatentes rebeldes de orientação laica, e chegaram inclusive a derrotar militarmente unidades do ESL.

A reunião de Istambul, à qual diplomatas dos EUA não compareceram, deixou claro o dilema da oposição pró-Ocidente.

Diplomatas ocidentais que estavam presentes criticaram a reação negativa da oposição ao acordo sobre as armas químicas, que foi amplamente apoiado pela comunidade internacional.

"A coalizão precisa apenas fazer os ruídos corretos e perceber que há um jogo de grandes potências em curso", disse um diplomata. "Ela não pode ignorar que a eliminação das armas químicas de Assad é uma coisa boa, e o povo de Ghouta provavelmente está dormindo melhor agora", disse uma fonte diplomática, referindo-se a um subúrbio de Damasco bombardeado com armas químicas em 21 de agosto, num fato que foi o estopim para a reação norte-americana.

"Se não for assim, nossos Parlamentos não vão continuar para sempre nos conferindo mandados para apoiar a oposição síria. Já estamos precisando convencer os parlamentares de que nem todo sírio é um membro da Al Qaeda."

Uma fonte graduada da oposição admitiu que a reunião da coalizão, encerrada na segunda-feira, não resultou em nenhuma nova estratégia. A oposição ainda está se recuperando do "tapa na cara" que foi o acordo entre EUA e Rússia, segundo essa fonte.

"Os norte-americano nem sequer se dignaram a enviar um só diplomata para nos informar o que estavam fazendo com os russos", disse a fonte.

"Os Estados do golfo (Pérsico) não podem dizer isso abertamente, mas está se desenvolvendo uma tendência a ignorar os norte-americanos, e há uma grande lacuna agora entre os norte-americanos de um lado e os sauditas, turcos e Emirados do outro. Mesmo o Catar não está satisfeito com o acordo, como se o problema fossem as armas químicas, não o regime de Assad."

Os países árabes do Golfo são os principais apoiadores financeiros da oposição, oferecendo armas a brigadas rebeldes por intermédio da Turquia.

(Reportagem adicional de Dasha Afansieva)

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