Análise: classificar facções do Brasil como terroristas ganhou ‘dimensão política’
Possível classificação pelos EUA pode impactar relações diplomáticas e segurança internacional entre os países
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O debate sobre a possível classificação das facções criminosas do Brasil como organizações terroristas pelos Estados Unidos tem gerado preocupação nas relações diplomáticas entre os países. A medida permitiria uma ação mais direta das Forças Armadas americanas contra o crime organizado na América Latina.
Em entrevista ao Jornal da Record News desta terça-feira (10), Maurício Santoro, cientista político e professor de relações internacionais, destaca que essa diferença de abordagem reflete as motivações políticas distintas entre os dois governos.

Segundo Santoro, a questão “virou uma grande dimensão política, principalmente no contexto de uma disputa eleitoral no Brasil em 2026. Então, se os Estados Unidos classificassem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como grupos terroristas, isso certamente abriria muitas oportunidades para políticos de oposição no Brasil se manifestarem de uma maneira mais alinhada aos Estados Unidos e começarem a criticar o governo Lula por uma suposta omissão, negligência no enfrentamento do crime organizado.”
Diante da situação, o governo Lula tem proposto às autoridades americanas um aperfeiçoamento da cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente na questão de inteligência, de compartilhamento de informações e em ações contra crimes financeiros.
“O governo brasileiro, desde o início desse novo mandato do Trump, tem resistido muito a essa ideia da classificação como terroristas, porque acredita que isso abriria portas, inclusive, para riscos de intervenções militares dos Estados Unidos na China e até mesmo no próprio Brasil”, explica.
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Com um encontro previsto entre Lula e Donald Trump, ainda sem data definida, para março deste ano, espera-se que o tema seja abordado nas negociações. “Há espaço para discussão, mas é um tema delicado, é um tema incômodo para o governo brasileiro”, pondera p especialista.
Santoro também ressalta que, no Brasil, “sempre houve uma cautela muito grande em usar a palavra terrorismo por conta da nossa experiência histórica, do período da ditadura, quando esse termo foi muito manipulado, muito abusado para perseguir inimigos do regime”, finaliza.
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