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Análise: classificar facções do Brasil como terroristas ganhou ‘dimensão política’

Possível classificação pelos EUA pode impactar relações diplomáticas e segurança internacional entre os países

Internacional|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Debate sobre classificar facções criminosas brasileiras como terroristas causa preocupação nas relações EUA-Brasil.
  • Classificação pode permitir ações diretas das forças armadas americanas contra grupos na América Latina.
  • Governos possuem motivações políticas distintas, afetadas pelo contexto eleitoral no Brasil.
  • Brasil resiste à classificação temendo intervenções militares e considerando sua experiência histórica com o termo terrorismo.

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O debate sobre a possível classificação das facções criminosas do Brasil como organizações terroristas pelos Estados Unidos tem gerado preocupação nas relações diplomáticas entre os países. A medida permitiria uma ação mais direta das Forças Armadas americanas contra o crime organizado na América Latina.

Em entrevista ao Jornal da Record News desta terça-feira (10), Maurício Santoro, cientista político e professor de relações internacionais, destaca que essa diferença de abordagem reflete as motivações políticas distintas entre os dois governos.


Cena mostra carro em chamas com fumaça preta subindo. Em primeiro plano, policiais armados em uniforme tático se movimentam.
Brasil teme que uso do termo gere possíveis intervenções militares estrangeiras Reprodução/Record News

Segundo Santoro, a questão “virou uma grande dimensão política, principalmente no contexto de uma disputa eleitoral no Brasil em 2026. Então, se os Estados Unidos classificassem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como grupos terroristas, isso certamente abriria muitas oportunidades para políticos de oposição no Brasil se manifestarem de uma maneira mais alinhada aos Estados Unidos e começarem a criticar o governo Lula por uma suposta omissão, negligência no enfrentamento do crime organizado.”

Diante da situação, o governo Lula tem proposto às autoridades americanas um aperfeiçoamento da cooperação internacional no combate ao crime organizado, especialmente na questão de inteligência, de compartilhamento de informações e em ações contra crimes financeiros.


“O governo brasileiro, desde o início desse novo mandato do Trump, tem resistido muito a essa ideia da classificação como terroristas, porque acredita que isso abriria portas, inclusive, para riscos de intervenções militares dos Estados Unidos na China e até mesmo no próprio Brasil”, explica.

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Com um encontro previsto entre Lula e Donald Trump, ainda sem data definida, para março deste ano, espera-se que o tema seja abordado nas negociações. “Há espaço para discussão, mas é um tema delicado, é um tema incômodo para o governo brasileiro”, pondera p especialista.


Santoro também ressalta que, no Brasil, “sempre houve uma cautela muito grande em usar a palavra terrorismo por conta da nossa experiência histórica, do período da ditadura, quando esse termo foi muito manipulado, muito abusado para perseguir inimigos do regime”, finaliza.

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