Análise: tentativa de derrubada só consolidou regime iraniano, que vê negociações como distração
Segundo especialista, tática de ‘trauma’ dos EUA faz Guarda Revolucionária do Irã se preparar para novas ofensivas
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Em vez de provocarem a queda do regime, os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã ajudaram a consolidar o poder da Guarda Revolucionária Islâmica, argumenta Uriã Fancelli. Ao Conexão Record News, o analista de relações internacionais reflete sobre o panorama atual de negociações sobre o conflito no Oriente Médio.
“Trump pode até dizer que está conversando com alguém do regime; sai também a notícia de que essa pessoa poderia ser o presidente do Parlamento iraniano, mas, de novo, que papel tem uma liderança política dentro da Guarda Revolucionária Islâmica?” Para o especialista, a posição dura do presidente norte-americano parece mais um discurso para tentar acalmar sua base e os mercados.

Fancelli também destaca a mobilização de outros países em prol da paz na região. Nesta quinta-feira (26), o ministro das Relações Exteriores do Paquistão disse que negociações indiretas entre EUA e Irã têm ocorrido por meio de mensagens retransmitidas por países negociadores. O chanceler iraniano, no entanto, afirmou que isso não equivale a uma negociação formal.
Teerã ressaltou que, no momento, a política iraniana é continuar a resistência e a defesa do país, sem intenção de discutir acordos. Para o especialista, existe uma espécie de “trauma” no regime quanto a esse tipo de negociação. Ele pontua que, quando diálogos nesse sentido foram ventilados anteriormente, a resposta de Washington sempre veio através de ofensivas militares.
Segundo o analista, os iranianos já entenderam que essa pode ser uma distração. “O poder militar está crescendo na região porque há indícios de que os Estados Unidos estariam se preparando para abrir o estreito de Ormuz à força, e possivelmente até tentar ocupar aquela Ilha de Kharg para tentar vender mais segurança”, alerta.
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