Análise: Trump não será avaliado pelo que pretendia dizer, mas pelo que pronunciou de fato
‘A responsabilidade do cargo exige precisão desde a primeira frase’, avalia Kleber Galerani, professor de relações internacionais
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
“Deixem eles [Irã] destruírem Los Angeles. Deixem destruir San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar e vai tudo acabar muito em breve”, afirmou Donald Trump durante um comício na segunda-feira (5). A fala gerou reações contrárias dos governadores dos estados em que as cidades ficam. Trump declarou que foi mal interpretado; segundo ele, as aspas eram sobre sacrifícios econômicos durante a guerra.
“Embora o contexto esclareça a intenção, os presidentes não são avaliados apenas pelo que pretendiam dizer. Eles também são responsáveis pelo significado razoável das palavras efetivamente pronunciadas. [...] A responsabilidade do cargo exige precisão desde a primeira frase”, analisou Kleber Galerani, professor de relações internacionais, sobre a resposta de Trump.

Para o especialista, os danos já estão feitos. Medo, preocupação e desgaste entre os moradores da cidade e eleitorado norte-americano foram criados graças às aspas do presidente. Além de diminuir a popularidade interna de Trump — que já enfrenta dificuldades —, a frase ainda corre o risco de ter desdobramentos maiores entre aliados, adversários e no cenário diplomático por inteiro.
“Em assuntos de guerra e segurança nuclear, uma frase confusa pode produzir consequências muito maiores do que uma polêmica eleitoral. A clareza não é apenas qualidade de comunicação, é parte da própria dissuasão no campo das relações internacionais”, explicou Galerani durante o Conexão Record News desta sexta (9). O professor antecipa um cenário difícil para os republicanos nas midterms, eleições que definirão os representantes da Câmara e Senado.
Além de falas polêmicas como essa, o partido de Donald Trump teve a reputação ferida devido ao aumento no custo de vida e promessas que não foram cumpridas pelo presidente. “Uma das bandeiras do Donald Trump na sua campanha era justamente reduzir o custo de vida desde o primeiro dia do mandato. Mas o que se observa na prática é que o custo de vida tem aumentado”, concluiu o especialista.
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!








