Análise: Trump pode usar desconfiança nas eleições como barganha contra o Brasil
Presidente dos EUA afirma que votação “pareceu fraudada”; terras raras, mercado de automóveis e agro são alvos de interesse no país
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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As falas de Donald Trump quanto às eleições brasileiras “têm a cara de Marco Rubio”, defende o especialista em segurança e estratégia internacional Ricardo Cabral. Em entrevista ao Conexão Record News desta terça-feira (27), ele analisa a afirmação — sem provas — do presidente dos Estados Unidos de que o processo eleitoral que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “parecia fraudado”.
“A gente sabe que o Trump tem dois pesos e duas medidas. Aos amigos, tudo; aos inimigos, além. Eu acredito que ele falou dentro de uma perspectiva das informações que ele recebeu. Eu não acredito que ele acompanhe a eleição no Brasil. Ele está mais preocupado com a eleição no Kansas, em Idaho, em Nebraska. Ele não está preocupado. Ele recebeu as informações, o briefing, e fez esses comentários a partir dessa informação”, aponta Cabral.
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Ele destaca a posição ideológica do secretário de Estado norte-americano, um “anticomunista ferrenho”, que projeta um resgate da influência dos EUA sobre a América Latina aos moldes da observada durante a Guerra Fria, especialmente nos anos 1970. No entanto, o especialista ressalta sua visão de Trump, acima de qualquer outra coisa, como um grande negociador.
“Eu sempre vejo o Trump como um grande negociador. E vejo o Lula com essa capacidade de articulação. Toda vez que os dois se encontraram, houve caminhos para uma negociação.” Segundo Cabral, é possível que a desconfiança em relação às eleições seja utilizada pelo republicano como uma carta forte na mesa de negociação. “O que ele quer do Brasil? Ele quer as mesmas vantagens que, na visão americana, nós concedemos à China.”
O especialista acredita em um cenário de pressão sobre a concessão de exploração das terras raras brasileiras, além de interesse no petróleo e em uma abertura do mercado de automóveis, sobre o qual as empresas chinesas têm avançado. Ele ainda cita o interesse em relação ao agronegócio. “Eles querem entrar no agro não da maneira como normalmente, fornecendo máquinas, equipamentos. Eles querem terra, eles querem produzir aqui, e isso pode ser um problema”, diz.
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