Anistia alerta para repressão policial no Brasil durante a Copa
Internacional|Do R7
O risco de que se repita a repressão policial no Brasil observada durante os protestos contra a Copa do Mundo e o uso "excessivo" da força diante de manifestantes foram evocados nesta terça-feira por membros da Anistia Internacional (AI), em Caracas.
O Brasil mostrou um padrão "de uso excessivo da força e, inclusive, de torturas, desaparecimentos e assassinatos" e a medida em que se aproxima a Copa do Mundo "ocorrerão mais mobilizações sociais, e o mais provável é que a resposta do governo brasileiro não varie muito", disse em entrevista à AFP César Marin, gerente do Programa de Mudança Global da Anistia na Venezuela.
A Anistia divulgou na segunda-feira um relatório no qual afirma que "no Brasil, as denúncias de abusos policiais têm-se multiplicado nas manifestações contra a Copa do Mundo e durante as operações militares nas favelas das grandes cidades, como o Rio de Janeiro".
No mesmo documento, a Anistia afirma que 80% dos brasileiros acreditam que seriam torturados se fossem presos pela polícia.
Marin explicou que a Anistia "lançou uma ação sobre o Brasil" devido à violência policial durante os protestos contra os altos custos das obras da Copa do Mundo, que levaram milhares de pessoas às ruas de várias cidades brasileiras.
"Alertamos o governo brasileiro para que esteja ciente sobre a atenção das organizações mundiais (de defesa dos direitos humanos) para que não haja excessos. Isto é um aviso, um cartão amarelo".
A Anistia cita o Brasil em seu relatório "A tortura em 2014. Trinta anos de promessas não cumpridas", especialmente o caso de Amarildo Souza Lima, que tem "o paradeiro desconhecido desde que foi detido por policiais militares na Rocinha, no Rio de Janeiro, no dia 14 de julho de 2013".
O corpo de Amarildo jamais foi encontrado, mas segundo as autoridades, o ajudante de pedreiro morreu devido à "tortura a qual foi submetido em um contêiner da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, após ser detido ilegalmente para interrogatório".
A organização com sede em Londres promove uma campanha contra a tortura no 30º aniversário da convenção da ONU sobre o tema, sob o título "Stop the torture" ("Parem a tortura").
A AI analisou casos de tortura em 141 países, nos últimos cinco anos, e a percepção da população sobre esse flagelo.
A pesquisa revela que 36% dos 21 mil entrevistados - em todo o mundo - acreditam que "a tortura é, às vezes, necessária e aceitável para se obter uma informação para proteger a população". Na China, este percentual sobe para 74%.
"A tortura está se tornando algo normal, de rotina", disse o secretário-geral da AI, Salil Shetty, em entrevista coletiva na segunda-feira.
"Desde a chamada 'guerra contra o terrorismo', o uso da tortura, particularmente nos Estados Unidos e em seu âmbito de influência, está se tornando algo normal como parte das expectativas sobre segurança nacional", lamentou.
"Séries como '24 Horas' e 'Homeland' têm enaltecido a tortura para uma geração, mas existe uma diferença muito grande entre seu retrato dramático, obra de roteiristas e sua aplicação na vida real por parte de agentes do governo em câmaras de tortura".
A Anistia pede a todos os governos que combatam esse flagelo, proporcionando assistência médica e legal aos detidos, melhores inspeções dos centros de detenção e o fim da impunidade.
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