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Condenado à morte tenta anular sentença após testemunha ser hipnotizada

Charles Flores está preso há 26 anos e tenta provar sua inocência, alegando que depoimento envolveu memória falsa

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Charles Flores, condenado à morte há 26 anos no Texas, busca anular sua sentença alegando uso de hipnose forense que teria gerado memória falsa em testemunha.
  • Flores foi incriminado no assassinato de Elizabeth Black em 1998, apesar de alegar inocência e apresentar um álibi para o momento do crime.
  • A principal testemunha, Jill Barganier, inicialmente não identificou Flores, mas após hipnose, afirmou com certeza que ele era o suspeito, mesmo sem evidências físicas ou de DNA.
  • O uso da hipnose em processos criminais no Texas foi criticado e posteriormente proibido, mas a condenação de Flores permanece válida devido à não retroatividade da mudança na lei.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Charles Flores está preso há 26 anos no corredor da morte Reprodução/Instagram/@freecharlesflores

Charles Flores, preso há 26 anos no corredor da morte no estado do Texas, nos Estados Unidos, tenta reverter sua condenação em um caso marcado pelo uso controverso de hipnose forense durante a investigação policial. Condenado pelo assassinato de Elizabeth “Betty” Black, ocorrido em 1998, Flores afirma ser inocente e agora aposta em uma petição apresentada à Suprema Corte americana como sua última tentativa de evitar a execução.

O caso voltou a ganhar repercussão após Flores conceder sua primeira entrevista para a televisão nacional americana. Durante a conversa, ele reafirmou que não participou do crime e alegou ter sido incriminado injustamente. “Não tive nada a ver com o assassinato da senhora Black”, declarou à NBC News.


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O crime ocorreu em janeiro de 1998. William Black encontrou a casa da família arrombada ao retornar para casa e descobriu que sua esposa havia sido morta a tiros. Posteriormente, veio à tona que o casal escondia dinheiro ligado ao tráfico de drogas para o filho, que estava preso na época.

Testemunhas relataram à polícia terem visto dois homens saindo de um carro antes de entrarem na residência da família Black. No dia seguinte ao crime, a vizinha do casal, Jill Barganier, identificou Richard Childs como o motorista do veículo.


Childs posteriormente confessou participação no assassinato e aceitou um acordo judicial que resultou em pena de 35 anos de prisão. Ele foi libertado em 2016, após cumprir 17 anos da sentença.

A controvérsia central do processo envolvendo Flores surgiu poucos dias depois da prisão de Childs. Barganier foi levada à delegacia para ajudar na elaboração de um retrato falado do segundo suspeito, apontado como passageiro do carro. Na ocasião, ela não identificou Flores, mesmo após ele aparecer em duas sessões de reconhecimento.


Em seguida, a testemunha foi submetida a uma sessão de hipnose conduzida por um policial. Durante o procedimento, Barganier descreveu o passageiro como um homem branco, de cabelos longos e porte físico médio. A descrição não correspondia a Flores, que era identificado como hispânico, baixo, robusto e com cabelo raspado.

Segundo o relato apresentado mais tarde, o policial responsável pela sessão afirmou à testemunha que ela poderia “recordar mais detalhes dos acontecimentos com o passar do tempo”. Anos depois, investigações apontaram que normas previstas pela legislação do Texas não teriam sido seguidas durante a gravação da hipnose. Na época, o estado proibia que policiais diretamente envolvidos no caso participassem desse tipo de procedimento.


Treze meses após a sessão, Barganier depôs no julgamento de Flores e afirmou ao júri ter “100% de certeza” de que ele era o passageiro do carro. O testemunho teve peso decisivo na condenação, apesar da ausência de provas físicas ou de DNA ligando Flores diretamente ao assassinato.

Embora as autoridades reconheçam que Flores não foi o autor dos disparos, ele recebeu pena de morte com base em uma lei texana que permite condenar cúmplices pelo mesmo crime cometido pelo executor principal. Flores sustentou durante todo o processo que estava em casa tomando café da manhã com a esposa no momento do assassinato, apresentando um álibi para o horário do crime.

A acusação, porém, destacou comportamentos considerados suspeitos após o homicídio. Segundo a NBC News, o veículo utilizado no crime foi escondido atrás da casa de Flores. Dois dias depois, o carro foi incendiado e ele fugiu para o México. Quando retornou aos Estados Unidos, envolveu-se em uma perseguição policial, sofreu um acidente de carro e tentou escapar novamente enquanto recebia atendimento médico em um hospital.

Questionado sobre a fuga, Flores declarou que agiu por medo. Segundo ele, acreditava que seria morto pelas autoridades. Em 2016, o condenado esteve a poucos dias da execução, mas conseguiu uma suspensão temporária da pena após apresentar estudos do professor de psicologia Steven Lynn. As pesquisas associavam o método de hipnose utilizado no caso à criação de falsas memórias.

As dúvidas sobre a confiabilidade da hipnose forense cresceram nos últimos anos. Em 2020, uma investigação do jornal Dallas Morning News revelou que a técnica foi utilizada em pelo menos 1.700 casos no Texas desde a década de 1980, contribuindo para condenações criminais e até sentenças de morte.

Diante das críticas de especialistas, o uso da hipnose em processos criminais acabou proibido por ser considerado pouco confiável. A mudança, entretanto, não teve efeito retroativo. Por isso, apesar das contestações envolvendo o testemunho de Barganier e da ausência de evidências materiais, a condenação de Charles Flores permaneceu válida até agora.

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