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Após acordo nuclear com Irã, o grande desafio é sua rigorosa aplicação

Internacional|Do R7

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Isabel Saco. Genebra, 24 nov (EFE).- Uma vez alcançado o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, o governo de Teerã enfrenta o desafio imediato de facilitar a escrupulosa aplicação dele nos próximos seis meses. Só esse passo, exigido para que se obtenha um acordo definitivo, encerrará a crise de mais de 35 anos entre Irã e os países mais influentes do Ocidente que isolaram a república islâmica. Apesar das negociações terem sido longas e difíceis, com momentos que faziam prever mais um fracasso, e finalmente o sucesso definido pelo acordo ter sido aplaudido ao redor do mundo, a próxima etapa não será necessariamente mais simples. Assim explicou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov: "Nestes seis meses, não só temos que manter o 'status quo'. Concordamos em dedicar este período a continuar as intensas negociações para chegar a um acordo final sobre os parâmetros das atividades nucleares pacíficas do Irã". As autoridades iranianas, que se apressaram em mostrar para a opinião pública como este acordo é uma grande conquista a ser favor, deverão agora demonstrar sua boa fé ao resto do mundo e cumprir cada ponto com que se comprometeram, a começar pela neutralização de suas reservas de urânio enriquecido a 20%. Este ponto poderá ser alcançado através da dissolução a um nível abaixo dos 5% ou de sua conversão em uma forma que não possa ser utilizada para um enriquecimento maior. Teerã também se comprometeu a não instalar nenhuma centrífuga adicional de nenhum tipo e nem utilizar centrífugas de nova geração para enriquecimento de urânio. E deverá tornar inoperáveis aproximadamente a metade das centrífugas das usinas nucleares de Natanz, e 75% das que estão em Fordo, para evitar que possam ser usadas para enriquecer urânio. A produção de centrífugas do Irã ficará limitada às necessários para substituir equipamentos danificados. Quanto a suas atividades de processamento, o Irã aceitou deter o aumento de suas reservas de urânio enriquecido a 3,5%, de modo que depois dos seis meses de vigência deste acordo a quantidade deverá ser igual a de hoje. Quanto ao reator nuclear de Arak, Teerã aceitou interromper o trabalho de construção, medida que passa por parar a produção e testes de combustível para ele, não transportar combustível ou água pesada para onde está reator e não instalar nenhum componente adicional. O Irã se comprometeu a não construi nenhuma instalação que possa servir para o reprocessamento, o que não o permitirá separar o plutônio do combustível gasto, impedindo que possa ser utilizado para armamento. O cumprimento estrito de todos estes compromissos será garantido através de um acesso estendido aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que poderão entrar diariamente nas usinas nucleares de Natanz e Fordo. Durante essas visitas, os inspetores poderão visualizar as imagens das câmaras de vigilância, assegurando assim uma supervisão completa e que qualquer descumprimento seja detectado muito rapidamente. O pessoal da AIEA terá acesso ao conjunto de fábricas de montagem de centrífugas e aos espaços onde são produzidos os rotores, além de poderem entrar nas minas de urânio e trituradoras. As autoridades competentes iranianas deverão fornecer informação, até agora indisponível, sobre o reator de Arak, onde as inspeções serão reforçadas, indicou o acordo. Para a etapa de implementação e verificação de todos estes passos, o Grupo 5+1 (membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China mais a Alemanha) e o Irã estabelecerão uma comissão conjunta, em coordenação com a AIEA, que será responsável por discutir as situações inesperadas que possam surgir. Se o Irã cumprir o que assinou, Teerã e o G5+1poderão fechar um acordo definitivo ao término das negociações que continuarão no meio do ano que vem. EFE is/cd

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