Após condenação, Berlusconi garante que não desistirá da política
Internacional|Do R7
Roma, 1 ago (EFE).- O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, expressou nesta quinta-feira sua intenção de não renunciar à política e a esperança que a condenação por fraude fiscal confirmada pela Corte Suprema faça com que os cidadãos abram seus olhos sobre a "submissão" que exerce parte dos juízes sobre a Itália. Por meio de uma mensagem de vídeo, Berlusconi definiu como um novo exemplo da "perseguição" judicial contra ele a condenação a quatro anos de prisão confirmada hoje pelo Supremo, que, no entanto, adiou sua inabilitação à espera que a Corte de Apelação de Milão calcule de novo o prazo, que em primeira e segunda instância foi de cinco anos. De sua residência em Roma, o Palácio Grazioli, o ex-primeiro-ministro assegurou que nas últimas décadas dedicou todas suas forças para tentar levar uma "revolução liberal" a seu país e para situar a Itália como protagonista da cena internacional e não como "subalterna" diante das potências mundiais. "Em troca do compromisso durante quase 20 anos a favor do meu país, chegando quase no final da minha vida ativa, recebo o prêmio de acusações e uma sentença fundada sobre o nada que me tira a liberdade pessoal e os direitos políticos. A Itália reconhece os sacrifícios e compromissos de seus melhores cidadãos? É esta Itália que queremos e amamos?", questionou Berlusconi. O ex-primeiro-ministro insistiu que não vai se render e por isso insistiu na volta de seu antigo partido, Forza Itália, o atual Povo da Liberdade (PDL), depois de uma fusão em 2009. O retorno do Forza pretendido por Berlusconi quer que participem "os melhores jovens do mundo empresarial que se interessam pelo destino da Itália". "Junto a eles devolveremos ao terreno político o Forza Itália e pediremos aos italianos que nos deem a maioria indispensável para modernizar o país, a partir da reforma mais indispensável, a da Justiça", comentou. Assim, acrescentou, "não seremos mais um país submetido ao exercício absolutamente arbitrário do mais terrível dos poderes, o de privar a um cidadão de sua liberdade. Espero que esta sentença faça abrir os olhos dos italianos que não estão conscientes da realidade do país e desperdiçaram o voto ou não votaram. Se estivermos unidos, juntos, recuperaremos a verdadeira liberdade". O ex-primeiro-ministro disse que ninguém em seu entorno pode entender "a carga de violência" reservada a ele por parte da magistratura com os diferentes processos judiciais, uma autêntica "perseguição" vinda de juízes "irresponsáveis" e "não escolhidos pelo povo", mas que condicionados a vida política. A classe política italiana esperava a decisão de hoje do Supremo para saber até que ponto o futuro judicial do ex-primeiro-ministro pode ter consequências sobre a estabilidade do governo, em cuja coalizão participa o partido de "il Cavaliere", que por enquanto mantém o apoio ao Executivo. O ex-primeiro-ministro, atual senador e para quem os advogados pediram absolvição plena, terá sua condenação reduzida de quatro a um ano com base na lei de indultos de 2006 e pode cumprir a pena em prisão domiciliar ou sob tutela dos serviços sociais, já que tem mais de 70 anos. A nova restrição política só entra em vigor depois de calculada e de superar um novo trâmite no Senado, que deverá decidir se aceita a decisão dos magistrados. Em caso negativo, abre-se um processo por conflito de competências no Tribunal Constitucional. EFE mcs/cd










