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Após invasão à Venezuela, Trump volta a manifestar desejo de anexar a Groenlândia aos EUA

Presidente norte-americano diz que ‘precisa’ da região para ‘a defesa’; autoridades da Dinamarca afirmam que território não está à venda

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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No primeiro mandato, Trump chegou a declarar que pagaria para ter a ilha sob o seu domínio Jonathan Ernst/Reuters - 03.01.26

Um dia depois de os Estados Unidos invadirem a Venezuela e prenderem o presidente Nicolás Maduro, Donald Trump voltou a falar sobre o desejo de anexar a Groenlândia aos EUA. A ilha, um estado semiautônomo da Dinamarca, atrai o republicano por conta da posição estratégica que o território possui no Ártico, além da reserva de terras raras e fontes de recursos naturais, como minério.

Em entrevista à revista The Atlantic neste domingo (4), Trump disse “precisar da Groenlândia” para fortalecer o sistema de defesa americano, após ser questionado se a entrada das tropas americanas na Venezuela implicaria uma maior disposição dos Estados Unidos para fazer intervenções militares na Groenlândia. “Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para a defesa”, declarou o republicano.

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Ainda no sábado (3), enquanto Nicolás Maduro desembarcava nos Estados Unidos para responder a acusações de envolvimento com tráfico de drogas, Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, já reacendia a discussão em torno da ilha ártica.

No X (antigo Twitter), ela publicou uma imagem ilustrativa que exibe a Groelândia pintada com as cores dos Estados Unidos, e escreveu na postagem a palavra “soon”, que significa “em breve”, em inglês.

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‘Respeito pela integridade territorial’

Jesper Moller Sorensen, embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, respondeu ao post de Katie Miller dizendo que Estados Unidos e Dinamarca são “aliados próximos” e que os países devem “continuar a trabalhar juntos” para garantir maior segurança no Ártico.

“O Reino da Dinamarca aumentou significativamente seus esforços de segurança no Ártico — somente em 2025, destinamos US$ 13,7 bilhões que podem ser usados no Ártico e no Atlântico Norte. Porque levamos nossa segurança conjunta a sério”, afirmou Sorensen. “E, sim, esperamos total respeito pela integridade territorial do Reino da Dinamarca”, acrescentou.

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O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também rebateu a publicação de Katie Miller e classificou a foto como “desrespeitosa”.

“A imagem compartilhada por Katie Miller, que retrata a Groenlândia envolta em uma bandeira americana, não muda absolutamente nada. Nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por postagens em redes sociais”, ressaltou Frederik, concluindo que “não há necessidade de entrar em pânico. Mas há uma boa razão para falar contra o desrespeito”.

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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, por sua vez, escreveu nas suas redes sociais que “não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre os Estados Unidos assumirem a Groenlândia”, e reforçou que, por fazer parte da OTAN, o país “está coberto pela garantia de segurança da aliança”.

“Exorto veementemente os EUA a cessarem as ameaças contra um aliado histórico próximo e contra outro país e outro povo que já declararam claramente que não estão à venda”, salientou.

Relações tensas

As relações diplomáticas entre Estados Unidos e Copenhague estiveram sob tensão ao longo do ano, o primeiro do segundo mandato de Trump. O republicano nunca escondeu o interesse pela ilha ártica. Na sua primeira passagem pela Casa Branca, chegou a dizer que pagaria para ter a ilha sob seu domínio. Mas, neste e segundo mandato, já disse que usaria a força militar para tomar o espaço.

Em março, o vice-presidente J.D. Vance visitou uma base militar remota dos EUA na Groenlândia e acusou a Dinamarca de investir pouco na ilha. Em agosto, autoridades dinamarquesas convocaram o principal diplomata dos EUA a Copenhague após um relatório apontar que pelo menos três pessoas conectadas a Trump realizaram operações secretas e de espionagem na Groenlândia.

No final de dezembro, Donald Trump voltou a gerar um incômodo nas relações diplomáticas entre a Casa Branca e o governo da Dinamarca ao indicar o governador da Lousiana, Jeff Landry, como enviado especial dos Estados Unidos para a a região do Ártico. Na ocasião, os líderes dinamarqueses e groelandeses exigiram respeito pela integridade do território.

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