Argentinos votam em calma em primárias marcadas por estreias nas urnas
Internacional|Do R7
Buenos Aires, 11 ago (EFE).- As segundas eleições legislativas primárias da Argentina, nas quais serão definidos os candidatos que concorrerão em outubro a vagas no Senado e na Câmara dos Deputados, contou neste domingo com duas estreias nas urnas, dos jovens entre 16 e 17 anos e de cerca de três mil transexuais, que puderam votar com seus novos documentos de identidade. De acordo com a lei de identidade de gênero, aprovada em 2012, os argentinos passaram a poder escolher o sexo e o nome que constam no registro civil. Outra novidade destas eleições foi a votação optativa dos jovens de 16 e 17 anos. Os cidadãos entre 18 e 70 anos são obrigados a participar das eleições no país. Em um processo calmo, as zonas eleitorais fecharam às 18h (mesmo horário de Brasília) e os primeiros resultados oficiais provisórios das primárias, nas quais os candidatos necessitam reunir pelo menos 1,5% dos votos, serão divulgados a partir das 21h. Nestas primárias, consideradas um teste que dará pistas sobre o resultado das legislativas de outubro pois quase todos os partidos apresentaram uma só lista, a imprensa da Argentina prevê um resultado apertado entre a base do governo e o principal candidato de oposição na província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país. Embora a divulgação de pesquisas de boca de urna seja proibida por lei, emissoras locais asseguraram que há pouca diferença entre a votação de Sergio Massa, primeiro candidato a deputado pela oposicionista Frente Renovador, sobre o governista Martín Insaurralde. Analistas sustentam que na província de Buenos Aires, onde o governo sofreu uma dura derrota nas legislativas de 2009, será definida a eleição, pois este distrito concentra 37% dos eleitores de todo o país. O ministro do Interior da Argentina, Florencio Randazzo, disse que a votação transcorreu normalmente e sem inconvenientes em todo o país" nestas eleições primárias, abertas, obrigatórias e simultâneas, que também servirão para avaliar o apoio a presidente Cristina Kirchner após a primeira metade de seu segundo mandato. Segundo Randazzo, houve demora na abertura de algumas zonas eleitorais, mas após as 9h30 todas as 90.600 mesas eleitorais já estavam funcionando no país. As primárias definem os candidatos das eleições legislativas de 27 de outubro, nas quais serão renovadas a metade das 257 cadeiras da Câmara e um terço das 72 do Senado. As eleições de hoje "são um passo na democratização da política", disse hoje Cristina Kirchner ao votar na cidade de Río Gallegos, província de Santa Cruz, a 2.000 quilômetros ao sul de Buenos Aires. "É preciso ganhar com propostas, com gestão e com governo", acrescentou a governante, que viajará para Buenos Aires para aguardar os resultados no gabinete da Frente para a Victoria (Fpv). "Até este meio-dia não temos informação de inconvenientes, salvo questões menores", disse Sergio Massa, que deixou de ser um aliado do governo para se tornar seu principal rival nestas eleições. "Hoje é um dia histórico porque os jovens votam pela primeira vez. Estamos fortalecendo 30 anos de democracia", disse o kirchnerista Martín Insaurralde, primeiro candidato a deputado nacional pelo Fpv na província de Buenos Aires. O candidato votou na cidade de Banfield acompanhado por seu filho Rodrigo, de 16 anos, que disse estar "ansioso" por participar do processo eleitoral. Cerca de 300.000 fiscais trabalharam para observar a transparência das eleições e 90 mil membros das forças armadas garantiram a segurança do processo. "Houve bastante demora na abertura das zonas eleitorais em Buenos Aires", afirmou à Efe Leandro Querido, presidente da Transparência Eleitoral, ONG que supervisiona o pleito. Querido afirmou, no entanto, que não foram detectadas irregularidades, mas sim "cenas de confusão" relacionadas sobretudo com os diferentes documentos permitidos para votar. EFE mcg-nk/dk (foto)(vídeo)










