Autópsia de taxista moçambicano morto na África do Sul confirma maus-tratos
Mido Macia morreu sob custódia policial por falta de oxigênio e também apresentava cortes e contusões pelo corpo
Internacional|Do R7

O taxista moçambicano que morreu sob custódia policial no último mês de fevereiro na África do Sul teria chegou a óbito por falta de oxigênio e apresentava cortes e contusões, segundo os detalhes da autópsia revelados nesta sexta-feira (8) pela Embaixada de Moçambique em Pretória.
O corpo do taxista moçambicano também continha uma hemorragia no pulmão direito e lesões no couro cabeludo e na mandíbula, além de queimaduras em diferentes pontos do corpo, segundo a fonte, citada pela emissora local "Eyewitness News".
Após ter sido detido por conta de um leve incidente de trânsito, no último dia 26 de fevereiro, em Johanesburgo, o taxista Mido Macia, de 27 anos, foi amarrado em um veículo policial e arrastado por cerca de 400 metros pela calçada.
Taxista é agredido e arrastado até a morte por policiais na África do Sul
Após estacionar em local proibido, taxista é arrastado até a morte por policiais na África do Sul
Oito policiais, aos que se deve somar um novo agente detido hoje, foram presos por seu suposto envolvimento na morte de Macia e acusados de assassinato. Depois do adiamento da audiência, que estava prevista para a última segunda, os agentes compareceram hoje perante o juiz no Tribunal de Daveyton para saber se terão possibilidades de aguardar o julgamento final em liberdade sob pagamento de fiança.
Na audiência, que voltou a ser adiada para próxima segunda-feira (11), um dos acusados - o agente Thamsanqa Ncema, de 35 anos - assegurou que Macia lhe chamou "de policial inútil" e lhe ameaçou com a pistola que tinha tomado de outro agente. De acordo com esta versão, após ter devolvido a pistola, Macia passou a pressionar Ncema para recuperar sua carteira de motorista, que havia sido tomada previamente.
Antes, Ncema teria pedido a Macia retirar seu microônibus do local, já que o mesmo estava obstruindo a circulação. "Fiquei surpreso ao saber que esta pessoa tinha morrido, já que não havia se queixado de nenhum ferimento", declarou Ncema em uma declaração lida por seu advogado.
A morte de Macia sob custódia policial provocou indignação na África do Sul e foi duramente condenada por organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional (AI), e o próprio presidente do país, Jacob Zuma. Segundo o recente relatório do departamento de investigação interna da Polícia da África do Sul, 932 pessoas morreram entre 2011 e 2012 sob custódia policial ou em incidentes com as forças da ordem.
O que acontece no mundo passa por aqui
Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia










