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Bachelet, a primeira mulher reeleita presidente no Chile, tem vitória arrasadora

Socialista venceu a amiga de infância Evelyn Matthei no 2º turno

Internacional|, com EFE

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A adversária Evelyn Matthei reconheceu a vitória de Bachelet antes mesmo de a apuração dos votos acabar
A adversária Evelyn Matthei reconheceu a vitória de Bachelet antes mesmo de a apuração dos votos acabar

A socialista Michelle Bachelet será presidente do Chile pela segunda vez, em uma reeleição inédita, após ter conquistado uma vitória arrasadora na eleição de domingo (15), que mostrou o apoio popular à agenda de reformas para reduzir as diferenças entre ricos e pobres.

Bachelet, de 62 anos, venceu o segundo turno com 62,16% dos votos, o maior percentual obtido por qualquer candidato desde a volta da democracia, em 1990.


A vitória de Bachelet foi tamanha que a adversária Evelyn Matthei, do partido da situação, reconheceu a derrota quando a apuração dos votos não estava nem na metade.

Amigas de infância, Bachelet e Matthei disputam 2º turno no Chile


Matthei recebeu 37,83% dos votos, numa eleição marcada pelo alto índice de abstenção, informou o Serviço Eleitoral. Esse foi o pior resultado da direita numa eleição em duas décadas.

"Este Chile decidiu que é hora de iniciar transformações profundas, com responsabilidade e com energia", disse Bachelet em evento com apoiadores.


— Hoje iniciamos uma nova etapa... devemos estabelecer um desafio muito mais alto.

Os eleitores de Bachelet, que governou o Chile pela primeira vez entre 2006 e 2010, comemoram a vitória com bandeiras e buzinaço pelas principais ruas do centro da capital, Santiago.


Intolerância com a desigualdade

Bachelet agora sorri menos, guarda mais silêncio e permanece rodeada de um estreito "circulo de ferro", que barra qualquer acesso que alguém deseje ter a ela.

— Sempre fui madura e séria, mas continuo sendo superalegre.

Embora sua aura tenha mudado, não é timidez ou insegurança precisamente o que propaga. Pelo contrário, a nova Michelle se mostra mais decidida a impulsionar grandes mudanças em um país menos tolerante com a desigualdade.

Com um programa que despertou críticas severas da direita governante, Bachelet quer substituir a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet, garantir a educação gratuita e de qualidade e aumentar os impostos das empresas de 20 para 25%.

A própria candidata reconheceu que seu projeto é ambicioso, mas tem a seu favor uma grande popularidade e os bons resultados que a Nova Maioria obteve nas parlamentares realizadas no dia 17 de novembro.

Bachelet, em todo caso, tem experiência em enfrentar cenários difíceis. O caminho percorrido não foi fácil para esta médica-cirurgiã, pediatra e epidemiologista da Universidad de Chile, de 54 anos, que domina seis idiomas, se casou duas vezes, é separada e mãe de três filhos.

Verónica Michelle Bachelet Jeria nasceu no dia 29 de setembro de 1951 em Santiago e foi a segunda filha da antropóloga Angela Jeria e do general de brigada aérea Alberto Bachelet, colaborador do Governo de Salvador Allende, que morreu torturado na prisão depois do golpe militar do dia 11 de setembro de 1973.

A morte do pai marcou a vida de Bachelet, que quando aconteceu o golpe militar tinha 22 anos e militava nas Juventudes Socialistas. Um ano depois da morte de seu pai foi detida junto com a mãe pela Polícia secreta e levada para a "Vila Grimaldi", o pior centro de reclusão da ditadura.

— Separaram-me de minha mãe. Começaram a me interrogar. Me torturaram (...), é difícil para mim lembrar, como se as lembranças ruins tivessem sido bloqueadas. Mas o meu sofrimento não foi nada em comparação ao que outros passaram.

Após serem liberadas, mãe e filha se exilaram na Austrália e depois na República Democrática Alemã, onde Bachelet prosseguiu sua carreira de Medicina na Humboldt Universitat, de Berlim.

Retornou ao Chile em 1979, retomou seus estudos e se titulou como médica-cirurgiã, ao mesmo tempo em que retomava a atividade política e colaborava com ONGs de apoio a filhos de torturados e desaparecidos. Familiarizada desde menina com os temas militares, Bachelet também fez um curso sobre estratégia militar no Chile e outro no Colégio Interamericano de Defesa, em Washington.

Em 1995 foi escolhida membro do comitê central do Partido Socialista e em 1998 entrou para a comissão política, para posteriormente se somar ao Governo de Ricardo Lagos (2000-2006) primeiro como ministra da Saúde e depois como titular da Defesa.

Em pouco tempo, Bachelet tomou o comando, demonstrou uma força impassível e, sem rancores nem fraquezas, ganhou o respeito dos militares. Uma das situações que lembra com maior tensão é ter encontrado no elevador de seu prédio com um de seus torturadores.

Durante sua gestão na Defesa, começou, além disso, a ganhar popularidade nas pesquisas. Sua imagem pública ficou marcada quando, durante inundações no setor norte de Santiago, apareceu em cima em um tanque comandando a operação de resgate dos afetados.

Naquele dia, segundo os analistas, nasceu o "fenômeno Bachelet", embora poucos imaginassem que ela se transformaria na primeira presidente do Chile e em uma líder política suficientemente convincente para aglutinar legendas políticas que vão desde o centro até a esquerda.

Superando reservas iniciais, Bachelet inclusive conseguiu incorporar a seu projeto um grupo de jovens deputados escolhidos recentemente que até há pouco lideraram o movimento estudantil. Por isso, há quem preveja que sua Presidência será "potente" e "intensa".

"Seu Governo será o mais difícil desde Allende e seu programa, o mais transformador desde então", comentou um colaborador próximo.

Ela, com uma tranquilidade que muitas vezes irrita a seus adversários, não mostra temor frente aos novos desafios que assumiu.

— Tenho experiência para comandar este processo com responsabilidade e governabilidade, porque ninguém quer uma crise no país.

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