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Bangladesh revê pena e condena militante islâmico à morte

Internacional|Do R7

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Por Ruma Paul

DACCA, 17 Set (Reuters) - A Suprema Corte de Bangladesh sentenciou à morte na terça-feira um líder militante islâmico condenado por crimes de guerra. A decisão reverte a prisão perpétua imposta anteriormente a Abdul Quader Mollah, o que motivou críticas de advogados e protestos de apoiadores dele.

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Mollah, secretário-geral-assistente do proscrito partido Jamaat-e-Islami, foi condenado em fevereiro por crimes de homicídio, estupro e tortura ocorridos durante a guerra civil de 1971 que levou Bangladesh a se tornar independente do Paquistão.

A condenação dele à prisão perpétua já havia motivado protestos de pessoas que esperavam a pena de morte. Em resposta a isso, o Parlamento emendou uma lei para permitir que o Estado recorresse contra qualquer veredicto ou sentença.

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Nos últimos meses, Bangladesh enfrenta uma série de protestos violentos por causa de condenações por crimes de guerra. Mais de cem pessoas já morreram em incidentes ligados a isso desde janeiro.

Abdur Razzak, advogado de Mollah, disse que a condenação à morte teve motivações políticas, e que ele vai solicitar uma revisão da pena. Já o procurador-geral Mahbube Alam disse que a revisão da sentença não está contemplada pela Constituição.

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"Essa decisão pela qual o acusado agora não tem mais direito a recurso ou revisão está em clara violação do direito internacional", disse em nota a assessoria jurídica internacional de Mollah. "Isso confere mais peso aos apelos para que os julgamentos por crimes de guerra sejam condenados e substituídos por um tribunal criminal internacional crível, sob os auspícios das Nações Unidas."

Vários líderes do Jamaat e dois do partido oposicionista BNP continuam sendo julgados por crimes de guerra pela Suprema Corte. A entidade internacional de direitos humanos Human Rights Watch disse que os procedimentos do tribunal estão aquém dos parâmetros judiciais internacionais.

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Ativistas do Jamaat travaram confrontos com policiais em várias cidades após o anúncio da pena de morte para o dirigente. Cinco policiais ficaram feridos na localidade portuária de Chittagong, onde os ativistas queimaram um carro da polícia e detonaram bombas caseiras.

O Jamaat convocou uma greve geral de 48 horas a partir de quarta-feira. O grupo islâmico - que se opôs à independência em relação ao Paquistão, mas nega ter cometido estupros, homicídios e outros crimes - foi colocado na ilegalidade em julho, e seis dos seus líderes já foram condenados por crimes associados à guerra de independência.

O governo da primeira-ministra Sheikh Hasina nega agir com motivação política contra seus rivais.

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