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Brown não foi o primeiro: familiares de jovens negros falam da dor e falta de justiça em casos parecidos 

A maioria dos jovens foi morta porque policiais achavam que eles tinham armas

Internacional|Do R7

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A maioria das famílias que perderam seus filhos negros não conseguiu nenhum tipo de auxílio da Justiça. Os policiais envolvidos nos casos continuam soltos
A maioria das famílias que perderam seus filhos negros não conseguiu nenhum tipo de auxílio da Justiça. Os policiais envolvidos nos casos continuam soltos

A recente morte de Michael Brown em Ferguson, no Estado americano do Missouri, provocou protestos furiosos em todo o país: o garoto negro foi morto por um policial branco e estava desarmado. Nesta semana, a Justiça americana decidiu que não iria indiciar por assassinato o homem que matou o jovem e as manifestações se tornaram ainda maiores.

O caso fez com que centenas de negros nos Estados Unidos relembrassem histórias parecidas: os familiares dos que foram mortos em tiroteios envolvendo policiais ainda lutam por uma punição digna para os atiradores. Algumas dessas pessoas relataram suas experiências ao site americano The Huffington Post e a luta que até hoje precisam enfrentar.


EUA quadruplica presença militar em Ferguson para conter violência em protestos

Nicholas Heyward Junior


Com apenas 13 anos, Nicholas estava brincando de “polícia e ladrão” na escada de um conjunto habitacional do Brooklyn, em 1994, quando o diretor de polícia Brian George confundiu a arma de brinquedo do menino com uma arma de verdade. Ele disparou um tiro no estômago de Nicholas, que morreu em seguida.

As autoridades políticas do Brooklyn se recusaram a convocar um grande júri no caso e o crime foi considerado como “homicídio justificável”.


Vinte anos depois, o pai do menino luta para manter a memória dele. Em entrevista ao Huffington, ele disse que está “perturbado” pelas notícias de assassinato de jovens negros e, de acordo com o jornal, a voz dele estava chorosa.

— Honestamente, sempre que ouço que uma vítima inocente foi morta pela polícia, fico em lágrimas. Dói muito pra mim. Eu sei que os oficiais nunca serão responsabilizados por isso. [...] Minha experiência tem sido de organizar aqueles que se identificam com a minha dor. Você tem que falar sobre o que é a dor, porque ela nunca vai embora. Com o passar dos anos, fica ainda pior, porque você vê a atitude se repetindo constantemente. Você não quer que outra família experimente essa dor e mágoa.


Protestos de Ferguson se estendem por 170 cidades em 37 estados americanos

Sean Bell

Em 2014, faz oito anos que Sean Bell, de 23 anos, foi morto por uma série de balas disparadas por policiais no Queens. Bell estava desarmado e, naquele mesmo dia, deveria se casar com a noiva.

Os três oficiais que enfrentaram as acusações acabaram absolvidos. Quando viu o anúncio da decisão do grande júri de Ferguson, a mãe de Bell disse que não tinha palavras.

“Mandei uma mensagem para a mãe de Michael Brown. Eu disse para ela que tinha que manter a cabeça erguida, não importasse a decisão do júri. Disse que ela deveria ser a voz para o filho”, disse a mãe de Bell.

— Você tem que tentar ajudar a mudar. Esses policiais precisam ser responsabilizados. Eles precisam ir para a cadeia. Se fizéssemos a mesma coisa que eles, nós iríamos para a prisão perpétua.

Oscar Grant

Oscar Grant 3º, de 22 anos, estava desarmado quando foi baleado e morto em Oakland, na Califórnia, pelo policial Johannes Mehserle, em 2009. Mehserle disse que pensou que Grant estava usando uma arma quando disparou à queima-roupa nas costas do jovem.

Várias testemunhas registraram o incidente em seus celulares e a tragédia se transformou em um filme. O policial foi considerado culpado de homicídio involuntário no ano seguinte.

A mãe de Grant, Wanda Johnson, disse que o veredicto de Ferguson trouxe de volta muitas memórias para ela.

“Eu acho que nunca vou ter esse caso encerrado. Eu acredito que Oscar morreu por um propósito, e uma dessas finalidades é trazer luz para a injustiça que sofrem os jovens afro-americanos, de rostos negros”, disse Wanda.

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Errol Shaw

Shaw tinha 39 anos quando o policial de Detroit, David Krupinski, atirou nele em 29 de agosto de 2000, dentro do próprio jardim de sua casa. Shaw tinha deficiências físicas e não falava e nem ouvia, e então, o policial achou que ele não respondia às ordens de largar os materiais de jardinagem, e atirou. Pouco depois da morte dele, o prefeito da cidade pediu uma revisão no departamento de polícia, que só terminou em 2014. O policial foi indiciado por homicídio culposo, mas foi absolvido.

A sobrinha de Shaw, Katina Crumpton, estava dentro da casa onde ele morreu. Para ela, casos como o do tio e de Michael Brown mostram que o sistema de justiça dos EUA precisa de revisão.

— Quando eu saí do meu carro, eu corri em direção aos policiais e gritava “ele é surdo, ele não escuta vocês”. Um policial apontou a arma para mim e mandou-me ficar quieta. Eles provavelmente me matariam também.

Katina conta que todas as vezes que vê um policial, se encolhe e fica nervosa. “Nós não temos nenhuma confiança em nosso sistema judicial”, diz.

O’Shaine Evans

Com 26 anos, O’Shaine Evans foi morto pelo policial David Goff. O policial pensava que Evans fazia parte de um grupo que tinha acabado de roubar um carro SUV em um estacionamento próximo. Ele se aproximou de Evans e pediu para que ele mostrasse as mãos. O policial teria apontado uma arma para o jovem e disparado duas vezes.

Para Cadine Williams, a decisão de Ferguson era esperada.

“Todo dia eu sonho com isso. Eu não tenho ido ao trabalho porque tenho medo”, conta. Para ela, os protestos são essenciais para chamar a atenção dos governadores para esses casos.

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Ramarley Graham

Em fevereiro de 2012, o policial Richard Haste matou o jovem Ramarley Graham, de 18 anos, que estava em um bar, no Bronx, porque pensava que ele tinha uma arma. Haste e um outro policial teriam seguido Graham até seu apartamento, onde ele foi assassinado. A avó de Graham e seu irmão de seis anos assistiram ao assassinato.

A mãe de Graham, Constance Malcolm, disse que está triste por saber da decisão do júri sobre o caso de Michael Brown.

Durante os protestos, Constance fez questão de mostrar a importância dos jovens negros nas ruas. “É um monte de jovens negros aqui fora. Isso faz uma grande diferença. Nós estamos mostrando que somos alguém”, diz.

— Se um policial pode chutar sua porta e matar seu filho, em que tipo de país estamos vivendo? Não podemos continuar a enterrar nossos filhos!

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