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Canadá tem três geleiras que podem desaparecer nos próximos anos, aponta estudo

Além do impacto ambiental, a perda pode afetar a atividade turística da região, considerada um dos destinos para a prática de esqui

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Três geleiras em Whistler Blackcomb, Canadá, estão encolhendo rapidamente e podem desaparecer em algumas décadas devido ao aquecimento global.
  • As geleiras Whistler, Horstman e Blackcomb tiveram papel importante no turismo de esqui durante o verão, mas já enfrentam severas reduções de área e espessura.
  • Projeções indicam que a Whistler pode desaparecer entre 2027 e 2035, a Horstman entre 2046 e 2049, e a Blackcomb entre 2063 e 2070.
  • O desaparecimento das geleiras impactará a atividade turística na região, exigindo adaptações para manter o acesso seguro às áreas de inverno.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mudanças climáticas já provocaram redução significativa da área das geleiras Reprodução/whistler.com

Três geleiras localizadas em um dos principais destinos de esqui do Canadá estão encolhendo rapidamente e podem desaparecer completamente nas próximas décadas. Um estudo sobre as formações Whistler, Horstman e Blackcomb, na Colúmbia Britânica, mostra que as mudanças climáticas já provocaram uma redução significativa da área coberta por gelo.

As três ficam no complexo turístico Whistler Blackcomb, na Cordilheira Costeira, no sudoeste da província. O local é conhecido pelas atividades de inverno, sendo que as geleiras também tiveram um papel importante na história do resort: durante décadas, elas permitiram a prática de esqui durante o verão.

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A análise, publicada na revista Annals of Glaciology, considerou imagens aéreas e de satélite de 1973 a 2024 para reconstruir a evolução das geleiras. Os pesquisadores também utilizaram modelos de balanço de massa para estimar quanto tempo ainda pode levar para que o gelo desapareça completamente.

O resultado mostra uma situação especialmente crítica para a geleira Whistler, cuja área diminuiu cerca de 95% em pouco mais de cinco décadas. A formação, que tinha 0,224 km² em 1973, passou a ocupar apenas 0,012 km² em 2024.

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Esqui de verão chegou ao fim com o recuo do gelo

As mudanças nas geleiras já alteraram a rotina do resort. A Whistler, por exemplo, deixou de receber atividades de esqui durante o verão no fim dos anos 1990, quando o recuo do gelo e a redução da neve dificultaram o acesso a determinadas áreas.

A geleira Horstman também passou por transformações. O local recebeu estruturas para a prática de esqui a partir da década de 1980 e chegou a sediar acampamentos de verão. No entanto, a redução da espessura do gelo passou a exigir mudanças constantes nos equipamentos.

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Em 2020, o teleférico Horstman T-Bar foi retirado definitivamente. Segundo o estudo, alterações no formato da geleira aumentaram a tensão dos cabos e deixaram a saída do equipamento perigosamente inclinada.

A situação continuou se agravando. Em 2024, a Horstman não foi aberta para o esqui de verão devido à baixa quantidade de neve. No ano seguinte, os acampamentos de verão foram cancelados por tempo indeterminado.

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A Blackcomb, por sua vez, também teve redução da área disponível e mudanças nos acessos. Entre 1973 e 2024, a geleira perdeu cerca de 60% de sua extensão, passando de 0,725 km² para 0,307 km².

Quando as geleiras podem desaparecer?

As projeções variam conforme o método utilizado pelos pesquisadores e o cenário climático considerado. Pela perda de área observada ao longo das últimas décadas, a Whistler poderia desaparecer entre 2027 e 2035.

A Horstman teria uma sobrevida maior, com estimativa de desaparecimento entre 2046 e 2049. Para a Blackcomb, a projeção aponta para um possível desaparecimento entre 2063 e 2070.

Outro modelo utilizado no estudo apresentou intervalos mais amplos. No cenário intermediário de emissões de gases de efeito estufa, a estimativa para a Whistler variou de 2018 a 2045, enquanto a Horstman poderia desaparecer entre 2038 e 2070. Para a Blackcomb, os cálculos indicaram um intervalo de 2046 a 2091.

A diferença entre as projeções está relacionada às incertezas sobre a espessura do gelo, à distribuição da neve e aos diferentes cenários utilizados nos cálculos.

Apesar das variações, os pesquisadores apontam uma tendência clara: a Whistler está próxima do desaparecimento, enquanto Horstman e Blackcomb também devem continuar perdendo gelo nas próximas décadas.

Entre 1973 e 2024, a redução média anual da área foi de 9,8% na Whistler, 9,6% na Horstman e 6,6% na Blackcomb. Dados de LiDAR, que faz a medição remota de distâncias, também indicaram perda de elevação do gelo entre 2017 e 2024, de aproximadamente 1,08 metro por ano na Horstman e 0,96 metro por ano na Blackcomb.

Além do impacto sobre a paisagem, o desaparecimento das geleiras representa uma mudança para a própria atividade turística de Whistler Blackcomb. As formações tiveram importância recreativa e cultural para a região e foram fundamentais para a existência do esqui de verão no local.

Segundo o estudo, o avanço do derretimento deve exigir adaptações nas atividades do resort, principalmente para garantir o acesso seguro às áreas de inverno e lidar com a perda definitiva das condições que permitiram a prática de esqui durante o verão.

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