Internacional Canadá trata como 'ato terrorista' assassinato de família muçulmana

Canadá trata como 'ato terrorista' assassinato de família muçulmana

Quatro pessoas — duas mulheres, um homem e uma adolescente — foram atropelados propositalmente por uma van em Ontario

AFP
População improvisou um memorial em homenagem às vítimas no local do atropelamento

População improvisou um memorial em homenagem às vítimas no local do atropelamento

Nicole Osborne / AFP - 8.6.2021

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, descreveu nesta terça-feira (8) como "ataque terrorista" o assassinato de quatro membros de uma família muçulmana, atropelados por um homem que dirigia uma van na cidade de London, Ontário.

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"Este massacre não foi um acidente. Foi um ataque terrorista, motivado pelo ódio, no coração de uma de nossas comunidades", disse Trudeau durante um discurso na Câmara dos Comuns.

O autor do ataque, preso pouco depois, foi acusado de quatro acusações de homicídio premeditado e vários líderes da comunidade muçulmana pediram que a Justiça descreva a ação como ato de terrorismo.

As vítimas são duas mulheres, de 74 e 44 anos, um homem de 46 e um adolescente de 15, disse o prefeito de London Ed Holder, que não divulgou seus nomes.

Um menino de nove anos da mesma família também foi hospitalizado em estado grave após o ataque, ocorrido na noite de domingo na cidade de London, 200 quilômetros a sudoeste de Toronto.

“Esperamos que a criança possa se recuperar rapidamente dos ferimentos. Embora saibamos que ela viverá por muito tempo com a tristeza, incompreensão e raiva causados por este ataque covarde e islamofóbico”, acrescentou o chefe do governo canadense.

De acordo com a polícia, por volta das 20h40 locais de domingo, os cinco familiares estavam esperando para atravessar a faixa de pedestres quando uma van preta "subiu o meio-fio e os atingiu".

O drama reacendeu a dolorosa memória de um tiroteio em massa em uma mesquita de Quebec em 2017 e um ataque com um carro em Toronto que matou 10 pessoas em 2018.

"Eles foram escolhidos por sua fé muçulmana", disse Trudeau, relembrando os ataques.  “Isso acontece aqui no Canadá e deve acabar”, acrescentou, prometendo fortalecer a luta contra os grupos extremistas.

Os principais dirigentes dos partidos condenaram o ataque e os atos de "islamofobia" que aumentaram nos últimos anos neste país, conhecido pela sua tolerância.

Comoção

Entre eles, o líder do opositor Novo Partido Democrático (NDP), Jagmeet Singh, foi o mais contundente.

“A realidade é que nosso Canadá é um lugar de racismo, de violência, de genocídio contra os povos indígenas”, disse Jagmeet, que é sikh.

"É um lugar onde os muçulmanos não estão seguros", acrescentou ele, muito emocionado.

A tragédia gerou emoção e raiva na comunidade muçulmana canadense.

Um velório está agendado na mesquita de London no início da tarde de terça-feira para homenagear as vítimas. Espera-se que Trudeau, Jagmeet e a líder da oposição conservadora, Erin O'Toole, compareçam.

A polícia de London disse na segunda-feira que o suspeito, Nathaniel Veltman, de 20 anos, dirigiu deliberadamente sua van contra uma família muçulmana em um "ato premeditado e planejado, motivado pelo ódio".

No cruzamento onde a família foi atropelada na noite de domingo, muitos transeuntes colocaram flores e bichinhos de pelúcia desde segunda-feira à noite.

O ataque reviveu a dolorosa memória de um tiroteio em massa em uma mesquita da cidade de Quebec em janeiro de 2017, considerado um dos piores ataques desse tipo em um país ocidental, à frente do ocorrido em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019.

Um supremacista canadense, Alexandre Bissonnette, então com 27 anos, abriu fogo contra os fiéis reunidos na mesquita de Quebec, matando seis pessoas e ferindo gravemente outras cinco. O atirador foi condenado à prisão perpétua.

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